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Clima tem preocupado produtores de café no Sul de Minas

Questões climáticas desfavoráveis para Minas Gerais são preocupantes, uma vez que o estado é responsável por produzir mais de 50% da produção total de café do Brasil, senso o Sul de Minas responsável por 25% da produção do Estado.

Lavouras de café cultivadas em São Sebastião do Paraíso e região são afetadas pelo longo período de seca. De acordo com o administrador da empresa de pesquisa agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Juraci Júnior de Oliveira, o índice pluviométrico do ano de 2018 entre os meses de abril a julho está abaixo do esperado.

Com base nos dados meteorológicos de precipitação ocorridos nos últimos cinco anos, de 2013 a 2017, a média pluviométrica da nossa região, segundo a estação de meteorologia da Epamig é de 286 milímetros. Em 2018, a média entre os meses de abril a julho é de 111 milímetros, ou seja, estamos na casa de 39% de índice pluviométrico, situação abaixo do normal”, reforçou Juraci.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) o comportamento das temperaturas durante o bimestre julho-agosto é caracterizado por grande amplitude térmica diurna, ou seja, noites e manhãs com temperaturas amenas e tardes com temperaturas mais elevadas, fato associado ao predomínio de céu claro nesta época do ano, o que prejudica as lavouras de café.

De acordo com o que informa o técnico em agropecuária, o café é uma planta tropical e necessita de um período curto de seca, durante o inverno, pois o clima é propício para intensidade e uniformização da floração.

Este ano, estamos passando por um inverno quente e muito seco, assim, como aconteceu em 2016, tivemos um déficit hídrico de abril a julho com apenas 186 milímetros. Dessa forma, quando a estiagem se prolonga, a gema floral não se desenvolve, tem um abortamento e não se transforma em flor. Terrenos arenosos e lavouras mais novas tendem a sofrer com o clima. A situação é realmente preocupante, caso o clima não melhore, podemos ter uma quebra de safra justamente pelo pouco índice pluviométrico até agora”, ressaltou.

Juraci destacou ainda que chuvas tímidas e repentinas não são significativas para a agricultura.

Qualquer chuva abaixo de 15 milímetros não é considerável, nós temos que ter um índice pluviométrico maior com capacidade de umedecer camadas mais profundas do solo. Chuvas rápidas assim são perigosas, porque isso induz a planta a florescer no estado de déficit hídrico, fazendo com que a flor comece a se desenvolver e, com a volta da seca, o botão floral acaba secando, gerando o abortamento da florada,” afirmou.

Questões climáticas desfavoráveis para Minas Gerais são preocupantes, uma vez que o estado é responsável por produzir mais de 50% da produção total de café do Brasil. De acordo com o administrador da Epamig, nossa região é responsável por grande parte desse índice.

O sul de Minas é responsável por 25% da produção do Estado. O restante é produzido no Triângulo Mineiro, Matas de Minas e na região norte”.

O produtor rural Cleber de Souza é responsável há sete anos pela fazenda da família na região dos Marques e Machado. E acentuou que o clima seco tem afetado as lavouras.

Temos percebido que lavouras de terrenos arenosos e de menor matéria orgânica estão sentindo mais a situação climática, está havendo uma desfolha maior em comparação com anos anteriores. Não temos muito que fazer, mas, desde o início da plantação, procuramos colocar matéria orgânica como forma de minimizar os impactos do clima”, salientou o produtor.

A florada do café normalmente começa no mês de setembro e pode ir até novembro. O técnico em agropecuária Juraci esclareceu que geralmente são duas grandes floradas: uma em setembro e outra em outubro.

O café desenvolvendo a floração nesses meses possibilita o ciclo natural da lavoura: a florada, o grão chumbinho, chumbão, verde, cereja, passa e seco. Assim, a colheita será realizada nos meses de abril e maio do ano de 2019,” enfatizou.

 

 

 

 

Via Folha da Manhã
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