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Envelhecer fortalece, afirma médico em livro

Geriatra diz que, quando nos damos conta da verdade dessa mensagem, começamos a derrubar preconceitos

(Foto: MarcAgronin.com / Divulgação)

Ninguém está aqui para dar uma de Pollyanna. Aliás, citar a personagem que fazia o “jogo do contente”, buscando sempre um motivo para se alegrar, já é um sinal inequívoco de ter passado dos 50. O envelhecimento traz perdas físicas e sociais – o corpo não tem o mesmo vigor, amigos se vão – mas há um capital de experiência e sabedoria acumuladas durante a vida. Esse é o mote do livro “The end of old age: living a longer, more purposeful life” (“O fim da velhice; vivendo uma vida mais longa e com propósito”), escrito pelo geriatra e psiquiatra Marc E. Agronin. Há mais de duas décadas ele acompanha pacientes idosos e diz que aprendeu com eles que é possível dar significado à vida mesmo quando enfrentamos doenças e limitações. “Esse livro tem uma mensagem simples: envelhecer fortalece”, escreve na introdução da obra. “Quando nos damos conta da verdade dessa mensagem, começamos a derrubar a visão desgastada e preconceituosa que a sociedade tem da velhice”, acrescenta.

O médico relembra a trajetória de duas figuras extraordinárias. O pintor Henri Matisse desafiou todas as previsões e sobreviveu à cirurgia para a retirada de um câncer no intestino, em 1941, mas passou meses preso e a uma cadeira de rodas. Entretanto, escreveu para o filho: “é como se eu tivesse ganhado uma segunda vida”. Sem conseguir pintar, dedicou-se a fazer colagens que influenciaram gerações de artistas. A bailarina Martha Graham foi outra que se reinventou como coreógrafa quando não podia mais dançar. No entanto, o geriatra enfatiza que criatividade não é prerrogativa de artistas. Na verdade, trata-se de atributo que continua presente quando envelhecemos, podendo ser uma ferramenta preciosa para superar as adversidades e dar novo significado à vida: “somos criativos ao desenvolver novos relacionamentos e perspectivas que vão além do que éramos antes. Isso é envelhecer com crescimento, e não com declínio”, ensina.

O doutor Agronin também ressalta que temos muito o que aprender com o contingente crescente de idosos ativos na faixa dos 80 e 90 anos. “É um número cada vez maior de pessoas que devem ser vistas como pioneiras. Elas encaram o envelhecimento pelo prisma do seu potencial, e não apenas pelos problemas inerentes à idade. São indivíduos que estão abrindo caminhos para os mais jovens”. No encerramento, propõe que não imaginemos a velhice como um processo deletério de doenças e perdas, e sim como a soma de experiências e mudanças que começam a se manifestar na meia-idade: “use sua coroa de sabedoria com orgulho e não deixe de compartilhar os ensinamentos com aqueles que ama”, propõe.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Via:g1
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