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Futuro do monotrilho de Poços de Caldas deve ser decidido em até 90 dias

Quando o contrato para a construção do monotrilho em Poços de Caldas, MG, foi assinado, ainda em 1982, a obra era tida como visionária, capaz de mudar e impulsionar o turismo na cidade. No entanto, quase quatro décadas depois, o trem pouco andou e terminou devolvido que à Prefeitura Municipal, que agora pretende encomendar um laudo para definir o futuro da obra nos próximos 90 dias.

Os entraves com o monotrilho são antigos. Após a assinatura do contrato, a empresa responsável pela concessão, J. Ferreira Ltda, teria 10 anos para construir e inaugurar o transporte suspenso de passageiros. Mas uma série de problemas fez com que a abertura oficial acontecesse somente nos anos 2000.

Em 2003, duas pilastras caíram, derrubando parte da estrutura do monotrilho em Poços de Caldas

Ao longo dos últimos 20 anos, além de falhas técnicas e períodos e o grande período em que o serviço ficou parado, já aconteciam desentendimentos entre a concessionária e a Prefeitura de Poços de Caldas.

Essas discordâncias quase sempre tinham como pivô a responsabilidade pela manutenção de um ou outro ponto relacionado à obra. O que se agravaram quando, em 2003, duas pilastras caíram, derrubando parte da estrutura. As viagens, então, nunca foram retomadas e, no fim de janeiro, a empresa responsável entregou a concessão ao município.

A concessão

A empresa J. F. Ferreira Ltda tinha a concessão do monotrilho até 2050, segundo a Prefeitura de Poços de Caldas. O contrato inicial foi feito à mão e assinado pelo então prefeito Ronaldo Junqueira. Após este prazo – que era de 50 anos a partir da data que entrou em vigor – um novo acordo deveria ser feito com a prefeitura. Ou o monotrilho deveria ser entregue à administração municipal.

A construção do monotrilho previa 30 km de extensão, mas apenas aproximadamente 20% foram entregues em 2000. Sendo com seis estações a aproximadamente 500 metros de distância cada.

O que a prefeitura planeja

O prefeito Sérgio Antônio Carvalho de Azevedo (PSDB) revelou que já prepara uma licitação para a contratação de uma empresa especializada que vai analisar a estrutura do monotrilho. O objetivo é determinar as exatas condições em que pilares, trens e todo o restante do material.

Eu estou estimando 30 dias para contratar e 60 para fazer [o laudo]. Se não fugir disso aí, a gente conseguiria dentro de 90 dias ter essa definição”, afirma o prefeito.

A retomada da concessão foi intermediada pela Justiça e pela promotoria da cidade. A empresa J. Ferreira Ltda abriu mão de qualquer indenização pela construção do monotrilho. Mas também não deve entrar com recursos em caso de necessidade de demolição. Essa opção, no entanto, é quase descartada pelo prefeito.

Para a engenharia, não tem nada impossível. O que tem é se é viável ou não financeiramente, porque pode ser tão caro que não compensa. Mas eu acho que não é o caso. Eu acho que ali, hoje, a gente consegue alguma técnica para realmente botar para funcionar com rapidez e com o menor custo possível”, explica Sérgio.

A prioridade da prefeitura, portanto, é colocar o monotrilho para funcionar. Para isso, o prefeito diz já ter interessados em uma possível nova licitação. Outra possibilidade é a realização de uma outorga, onde a prefeitura teria também compensações financeiras.

Eu brinco que a gente está trazendo o futuro para o presente, porque a gente ia receber de volta só lá em 2050. Ia ter mais 32 anos para a gente esperar, e a gente recebeu agora”, conclui.

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