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Programa de controle ao tabagismo é satisfatório em São Sebastião do Paraíso

O Programa Nacional de Controle do Tabagismo tem mostrado números satisfatórios. Em São Sebastião do Paraíso, o índice de pessoas que conseguem parar de fumar é alto: a cada dez fumantes, sete conseguem se livrar do vício.

O tabagismo é um dos principais fatores de risco para morte precoce e incapacidade em todo o mundo. Dentro desse cenário, existe uma boa notícia para o Brasil: o número de fumantes tem caído nos últimos 25 anos. Uma pesquisa realizada pela revista científica The Lancet e divulgada pelo Ministério da Saúde mostra que, entre 1990 e 2015, a porcentagem de fumantes diários no país caiu de 29% para 12% entre homens e de 19% para 8% entre mulheres.

De acordo com a farmacêutica Gismar Monteiro, em Paraíso, são realizados ao ano cerca de seis a oito grupos de combate ao tabagismo por meio do Ministério da Saúde, com o apoio da prefeitura.

O Ministério fornece a parte impressa, os livros de apoio, as medicações. Já a Prefeitura colabora com os profissionais da atenção básica: médico e dentista, que realizam palestras, além do Nasf, o psicólogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, farmacêutica e nutricionista. Os números são bons: de cinco a sete fumantes conseguem parar de fumar”, destacou Gismar.

Para cada grupo, são disponibilizadas 25 vagas. Segundo Gismar, o método utilizado pelo programa de combate ao tabagismo é a terapia cognitiva comportamental.

Os fumantes têm um comportamento que é seguido constantemente, vira uma rotina, então temos que trabalhar em cima disso para modificar esse hábito. O medicamento é um suporte importante para deixar o vício do fumo, assim como a terapia em grupo, com psicólogo. Ao todo, são realizados seis encontros: quatro semanais, de uma hora, e dois quinzenais. Eventualmente, 30 dias após o término, fazemos mais um encontro para verificar quanto o ex-tabagista conseguiu caminhar sozinho”, ressaltou a farmacêutica.

Durante o último encontro do grupo, com dezesseis pessoas que há 60 dias estão sem fumar, na Unidade de Saúde da Família do bairro Verona, foi possível conhecer a história da Abigail Machado, de 70 anos, que compartilha que fumou por mais de 50 anos e, depois de três acidentes vasculares cerebrais (AVC), procurou ajuda do grupo e parou de fumar.

Minha família me deu força, ingressei no grupo e consegui parar de fumar. Tem que ter muita força de vontade”, se emocionou ao dizer.

O Alexsandro Aparecido fumou por quase 30 anos, há um tempo sentiu a necessidade de parar com o vício e, incentivado pela família, procurou a ajuda do programa.

Eu achava que era impossível, mas já estou há dois meses sem fumar. Falar das experiência aqui no grupo é importante, ajuda muito”, disse.

Aos sete anos de idade, Ilda Maria começou a fumar e, desde então, vem lutando contra o vício.

Eu já tentei parar de fumar. Uma vez, consegui por três meses. Mas aí é aquela história: a primeira tragada é fatal, você dá uma tragadinha oferecida por alguém e já é o suficiente, você não consegue mais segurar,” relatou.

Ilda destacou a importância da troca de experiências durante as reuniões.

Porque a dificuldade não é só minha, a gente vê que é uma situação que acontece com todos que estão aqui. O vício é um mal. É difícil, mas, eu vou conseguir; cheguei até aqui,” disse.

A responsável salienta que, para participar do grupo de combate ao tabagismo, basta ir até a Unidade de Saúde da Família mais próxima.

Converse com a agente de saúde, ela vai passar todas as informações e agendar a triagem para participar do grupo. O programa é realizado nas 18 unidades de saúde do município. É importante que a pessoa tenha compromisso e compareça em todas as reuniões, pois as vagas são pleiteadas por vários fumantes”.

Ainda de acordo com Gismar, possivelmente quatro novos grupos serão realizados ainda neste ano.

É preciso destacar que o tabagismo é uma doença que precisa de tratamento e de ajuda. É um vício que você desaprende, não é fácil, mas é possível”.

 

 

 

Via Folha da Manhã
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