O preço do café voltou a pesar no bolso dos brasileiros em 2025. Nos últimos dois anos, o valor do grão subiu de forma contínua, impulsionado por problemas no campo e pelo comportamento da economia. Entre janeiro e novembro deste ano, o café acumulou alta de 36% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), repetindo o cenário já sentido em 2024.
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A explicação começa na lavoura. A safra de 2024 foi prejudicada pela combinação de seca e calor acima do normal, o que afetou a floração dos cafezais — etapa essencial para uma boa produção. Com menos frutos e muitos grãos com defeitos, a oferta diminuiu e o preço subiu no mercado interno.
Além disso, o consumo mundial de café continua em crescimento, especialmente em países asiáticos. Essa demanda maior pressiona ainda mais os valores, já que a produção global não avança na mesma velocidade.
Os números mostram como o aumento tem sido constante. Em 2025, o café moído subiu 36%, o solúvel, 22,66%, e o cafezinho, 16,70%. Somando as altas de 2024 e 2025, o pó de café já acumula quase 80% de reajuste. O café solúvel e o cafezinho também ficaram mais caros porque dependem da mesma matéria-prima. No caso do cafezinho vendido em padarias e lanchonetes, o valor final ainda é influenciado por custos de serviço, como aluguel, mão de obra e equipamentos.
A pergunta agora é: o preço vai cair em 2026? Ainda não há uma resposta definitiva. As primeiras informações do campo são positivas, já que a florada do café arábica teve melhora significativa com as chuvas do fim de 2024. A expectativa é de uma safra maior em 2026/27, mas não suficiente para recuperar estoques e reverter os preços rapidamente.
Outro ponto que pode influenciar o mercado é a taxa de câmbio. Como o café é uma commodity negociada em dólar, qualquer oscilação da moeda afeta diretamente o valor pago pelos consumidores no Brasil. Movimentos do mercado internacional e fatores políticos, como a eleição presidencial, também devem influenciar.
Por enquanto, especialistas avaliam que, mesmo com uma safra melhor, o preço do café deve continuar pressionado. O aumento da demanda e os efeitos acumulados da safra fraca ainda pesam na formação do preço final.

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