Quatro fazendas de café localizadas em Cássia, Conceição da Aparecida e Passos, foram incluídas no Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como “lista suja” do trabalho escravo.
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Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), os casos envolvendo as propriedades mineiras resultaram no resgate de 13 trabalhadores rurais. A nova atualização do cadastro foi divulgada pelo governo federal nesta terça-feira (6).
Ao todo, 82 novos empregadores foram incluídos na lista. O número representa uma redução de aproximadamente 51,48% em relação à atualização anterior, divulgada em abril. Entre os novos registros, 54 são de pessoas físicas e 28 de pessoas jurídicas.
Com a inclusão dos três casos, Minas Gerais passou a contabilizar 106 empregadores no cadastro, relacionados ao resgate de 273 trabalhadores em propriedades do estado.
Em Conceição da Aparecida, as notificações estão nos nomes de L.C.A com 1 trabalhador e O.R.B com três trabalhadores. Já na cidade de Cássia, aparece J.M.C, com 1 trabalhador e E.R.D com outros 33 trabalhadores. Em Passos, a notificação aparece no nome do sitiante W.L.L , com 11 pessoas. Consta ainda nos registros, uma ação fiscal do ano de 2024, em uma propriedade na zona rural de Carmo do Rio Claro, no nome de L.F.V.S com 14 trabalhadores envolvidos.
Minas Gerais lidera novas inclusões
Os casos incluídos na atualização mais recente estão relacionados ao resgate de 553 trabalhadores submetidos a situações de exploração e condições análogas à escravidão. As ocorrências foram registradas entre 2024 e 2026, em 21 estados brasileiros.
Minas Gerais teve o maior número de novos empregadores incluídos, com 19 registros. Na sequência aparecem Bahia, com oito; Amazonas e Maranhão, com seis cada; Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio Grande do Sul e Piauí, com quatro cada.
Também aparecem na lista Mato Grosso, Pernambuco e Roraima, com três registros cada; Paraná, Goiás, Santa Catarina, Pará, Espírito Santo, Tocantins, Rondônia e Paraíba, com dois cada; além de Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro, com um registro cada.
Entre as atividades econômicas com maior número de inclusões estão a criação de bovinos para corte, com oito empregadores; serviços domésticos, com sete; produção de carvão vegetal, com seis; produção de café, também com seis; e construção de edifícios, com cinco.
151 empregadores deixam o cadastro
A atualização divulgada pelo MTE também retirou 151 empregadores que completaram dois anos de permanência na “lista suja”.
O cadastro é atualizado semestralmente, nos meses de abril e outubro, e reúne empregadores cujos processos administrativos relacionados à fiscalização do trabalho foram concluídos e não possuem mais possibilidade de recurso.
Pelas regras atuais, os nomes permanecem no cadastro por dois anos. Uma portaria publicada em julho de 2024, porém, prevê a possibilidade de retirada antecipada ou até mesmo de não inclusão do empregador quando houver a celebração de termo de ajustamento de conduta, com compromissos de indenização às vítimas e investimentos em programas de apoio aos trabalhadores resgatados.
Combate ao trabalho análogo à escravidão
Criada em 2003, a “lista suja” é considerada um dos principais mecanismos de transparência das ações de combate ao trabalho análogo à escravidão no Brasil.
O Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), que completou 30 anos em 2025, já resgatou mais de 70 mil trabalhadores desde sua criação, em 1995.
Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas pelo Sistema Ipê, canal criado pela Secretaria de Inspeção do Trabalho em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). A denúncia pode ser realizada sem a identificação do denunciante.
Fonte: GOV.BR








