A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o assassinato da conselheira tutelar Maryna Colucci de Jesus, de 34 anos, em Jacuí, no Sul de Minas. O sargento da Polícia Militar José Sérgio de Oliveira, de 43 anos, foi indiciado por feminicídio consumado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica. O Ministério Público informou que já apresentou denúncia à Justiça.
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Maryna desapareceu em 21 de agosto, após sair de casa levando apenas o celular. Ela não voltou a ser vista nem manteve contato com familiares. Conforme informações da prefeitura, a conselheira estava de folga naquele dia, mas deveria trabalhar na manhã do sábado seguinte e não compareceu ao serviço.
Após quatro dias de buscas, o corpo foi localizado em 25 de agosto, enterrado em uma área de difícil acesso na zona rural, entre Jacuí e Fortaleza de Minas. A profundidade estimada do local onde ela foi sepultada era de 1,5 a 2 metros.
Segundo a investigação, Maryna foi atingida por pelo menos seis disparos na região da cabeça. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de São Sebastião do Paraíso para necropsia. O sepultamento foi marcado por forte comoção.
Suspeito indicou local onde o corpo estava enterrado
O sargento José Sérgio de Oliveira foi preso em flagrante inicialmente por suspeita de ocultação de cadáver. De acordo com o delegado Marcos Pimenta, chefe do 18º Departamento de Polícia Civil, o próprio investigado conduziu os policiais até o ponto onde o corpo estava enterrado e afirmou ter cometido o crime.
Posteriormente, a Justiça decretou a prisão preventiva do militar também pela suspeita de feminicídio. Por integrar a Polícia Militar, ele permanece custodiado no batalhão da corporação em Pouso Alegre, e não em um presídio comum.
Durante as apurações, materiais encontrados por familiares, como diários, agendas, mensagens e fotografias, indicaram a existência de um possível relacionamento amoroso entre a vítima e o investigado.
Processo tramitará na Justiça comum
Com o encerramento do inquérito, o caso foi encaminhado ao Ministério Público, que ofereceu denúncia. Conforme esclarecimento da Justiça Militar, a ação criminal será analisada pela Justiça comum.
Uma eventual condenação também poderá gerar consequências para a carreira do militar. Entretanto, a perda do cargo não ocorre automaticamente, e a questão relacionada à perda da graduação deverá ser examinada pelo Tribunal de Justiça Militar.
Morte causou comoção na comunidade
Maryna era conselheira tutelar e mulher trans, reconhecida em Jacuí pelo trabalho desenvolvido junto à população e pela disposição em ajudar as pessoas que a procuravam.
Familiares a descreviam como uma pessoa tranquila, dedicada à família e querida pela comunidade. A violência do crime provocou grande repercussão no município e mobilizou moradores durante o período de buscas.
Com a conclusão da investigação e o oferecimento da denúncia, o caso segue agora para análise da Justiça.
*com informações G1 Sul de Minas








