O Ministério Público do Trabalho (MPT) investiga denúncias de assédio moral na Universidade Federal de Alfenas (Unifal), no Sul de Minas. Segundo o órgão, o procedimento está em andamento e, por isso, ainda não é possível divulgar detalhes sobre o caso.
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A denúncia foi apresentada por Germano Lopes, analista de tecnologia da informação que trabalha há 17 anos na instituição. Segundo o servidor, as situações que, na avaliação dele, caracterizariam assédio moral teriam começado em 2025 e continuado ao longo de 2026.
De acordo com Germano, ele procurou a direção da universidade, a reitoria e os canais administrativos da instituição em busca de acolhimento e providências, mas afirma que não recebeu respostas satisfatórias. Diante disso, decidiu recorrer a órgãos externos e à Justiça Federal.
O servidor também relata que os episódios tiveram impacto em sua saúde. Segundo ele, foi diagnosticado com síndrome de burnout, condição confirmada por perícia médica, e atualmente está afastado do trabalho.
Sindicato aponta aumento de relatos
Em nota, o sindicato dos docentes da Unifal informou que recebe queixas relacionadas ao assédio há anos, mas observou um aumento nos relatos durante os últimos três anos.
Segundo a entidade, entre as principais reclamações estão possíveis excessos no exercício de funções de chefia e processos administrativos que, conforme os relatos recebidos, apresentariam falhas no direito ao contraditório. O sindicato também mencionou casos em que teriam sido apontados vícios processuais pela Controladoria-Geral da União (CGU).
A entidade acrescentou que as queixas relacionadas à atenção à saúde dos trabalhadores também têm sido frequentes. Seu departamento jurídico analisa as denúncias recebidas para avaliar a possibilidade de adoção de medidas judiciais em outros casos.
Servidor relata situações semelhantes envolvendo colegas
Germano Lopes afirma ainda ter recebido relatos de outros servidores que teriam passado por situações semelhantes. Ele também apresentou sugestões de melhorias nos protocolos institucionais relacionados à prevenção e ao enfrentamento do assédio moral.
O procedimento conduzido pelo Ministério Público do Trabalho segue em andamento. Até o momento, o órgão não divulgou informações adicionais sobre as diligências ou eventuais conclusões da investigação.
As denúncias ainda estão sob apuração, e a existência de uma investigação não representa, por si só, uma conclusão sobre a ocorrência das irregularidades relatadas.
O que disse a Unifal
Procurada inicialmente, a Unifal informou que não iria comentar o caso específico envolvendo o analista de tecnologia da informação. A instituição também foi questionada sobre as demais denúncias mencionadas pelo sindicato, mas não se manifestou sobre esse ponto naquele momento.
Após a exibição da reportagem, a universidade enviou uma nota assinada pelo reitor Alessandro Antonio Costa Pereira, na qual detalha as políticas institucionais de prevenção e enfrentamento ao assédio e à discriminação, os canais de denúncia e os procedimentos adotados em relação às alegações do servidor entrevistado.
Veja na íntegra:
“Em relação à matéria jornalística veiculada em 28 de outubro de 2026 no Jornal EPTV 1, sobre alegações de assédio moral na Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), apresenta-se os seguintes esclarecimentos:
Política institucional: A Universidade orienta suas ações com base na Política de Prevenção e Enfrentamento às Formas de Assédio e Discriminação, aprovada pela Resolução nº 84/2024 do Conselho Universitário (CONSUNI), que estabelece diretrizes para a prevenção e o enfrentamento dessas práticas. Link de acesso: https://unif.al/ixj9l
Boas Práticas Reconhecidas pelo MPF: na UNIFAL-MG há a obrigatoriedade de participação em atividades de capacitação sobre assédio e discriminação como requisito para a progressão e/ou promoção funcional de servidores. Essa medida foi reconhecida pelo Ministério Público Federal (MPF), por meio da Recomendação nº 10/2026, como boa prática a ser replicada por outras universidades, evidenciando a relevância das ações preventivas desenvolvidas pela UNIFAL-MG.
Acolhimento e orientação: a UNIFAL-MG também conta com o Grupo de Enfrentamento e Mobilização contra o Assédio (Gema), composto por docentes, técnico-administrativos e discentes, que atua na prevenção, no acolhimento e na orientação de pessoas que vivenciam ou identificam possíveis situações de assédio.
Canal de denúncias: Para o registro formal de denúncias, a comunidade universitária e o público em geral podem utilizar a Ouvidoria da UNIFAL-MG, por meio da Plataforma Integrada de Ouvidoria e Acesso à Informação Fala.BR, da Controladoria-Geral da União (CGU). As manifestações recebidas são analisadas e encaminhadas conforme sua natureza e os procedimentos institucionais aplicáveis, podendo resultar, quando cabível, na adoção de medidas de apuração de responsabilidades. Link de acesso: https://unif.al/zuz3e
Alegações do servidor entrevistado na matéria: Quanto às alegações relacionadas ao servidor mencionado na matéria, a UNIFAL-MG informa que todas as manifestações recebidas foram devidamente analisadas e respondidas, com os encaminhamentos pertinentes, conforme a natureza de cada demanda e os procedimentos institucionais aplicáveis.
A UNIFAL-MG reafirma seu compromisso com a promoção de um ambiente seguro, respeitoso e livre de assédio e discriminação, mantendo ações de prevenção, canais para denúncia e procedimentos para a análise das manifestações recebidas, com observância da legislação, da confidencialidade cabível e dos direitos de todas as pessoas envolvidas.”
Fonte: g1








