A Justiça de Minas Gerais determinou que o Grupo Franciscini — considerado um dos maiores conglomerados de produção de café do mundo, com forte atuação em Monte Carmelo, no Cerrado Mineiro — cumpra integralmente o acordo firmado em 2024 com a Manga Coffee Corp. A medida foi tomada no âmbito do processo de recuperação judicial da comercializadora e exportadora sediada em Varginha, no Sul de Minas.
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De acordo com as informações constantes nos autos do processo, o Grupo Franciscini havia se comprometido a apoiar o plano de recuperação da Manga Coffee por meio da Ecocafé. A empresa foi constituída no ano passado especificamente para operacionalizar o recebimento, beneficiamento e a comercialização de café com o objetivo de gerar recursos para a quitação das dívidas da exportadora.
Pelo plano pactuado, o Grupo Franciscini deveria realizar a entrega de aproximadamente 331 mil sacas de café à Ecocafé. Ficou estabelecido que os lucros obtidos com a comercialização dos grãos seriam divididos da seguinte forma:
80% destinados ao próprio Grupo Franciscini;
20% direcionados ao pagamento dos demais credores da Manga Coffee.
Histórico e origem da crise financeira
A decisão judicial marca mais um capítulo de um dos casos mais impactantes no agronegócio mineiro recente. A Manga Coffee entrou em severa crise financeira em 2023, justificando suas perdas e a paralisação de pagamentos pelos severos impactos climáticos na região, especialmente episódios prolongados de seca e geadas que atingiram em cheio as lavouras cafeeiras.
O desgaste financeiro gerou grande tensão na cadeia produtiva do estado:
Manifestações de produtores: Em dezembro de 2023, dezenas de produtores e corretores de café de várias regiões de Minas Gerais organizaram protestos em frente à sede da Manga Coffee, em Varginha. Investigada na época por atrasos nas liquidações, a empresa foi cobrada publicamente pelo não pagamento de sacas já entregues.
Plano de Recuperação Judicial: Em março de 2024, a empresa formalizou o pedido de recuperação judicial para tentar reestruturar um passivo que, segundo os documentos apresentados, aproximava-se do montante expressivo de R$ 400 bilhões.
“Credores Parceiros”: Como estratégia para manter as operações e garantir fluxo de matéria-prima, o plano de reestruturação criou a categoria de “Credores Parceiros” — grupo formado por produtores dispostos a continuar fornecendo café durante o trâmite processual.
Apesar do andamento das negociações na Justiça, os reflexos e prejuízos decorrentes da crise da Manga Coffee ainda são amplamente relatados por corretores e cafeicultores mineiros que aguardam o ressarcimento dos valores devidos.
Posicionamento da defesa
Procurada para comentar a decisão e a ordem para o cumprimento do acordo, a defesa do Grupo Franciscini informou que só irá se pronunciar oficialmente após ter acesso integral aos autos do processo.
Fonte: g1 e foto EPTV







