Abstenção no país poderá chegar a 30% hoje, por causa da COVID-19

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Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que 150 milhões de eleitores estão aptos a ir às urnas nas 95 mil seções eleitorais hoje. No entanto, em razão da pandemia de coronavírus, o esperado é que ocorram abstenções expressivas em diversas localidades, especialmente entre grupos de riscom apesar do plano de segurança montado pelo TSE. Em 2016,  25 milhões de pessoas deixaram de votar – o que representou 17,5% do total de cidadãos aptos a participar da escolha dos seus representantes. Neste ano, pesquisas internas dos partidos, e avaliações dos ministros do TSE, têm apontado que o número de faltosos pode atingir mais de 30% dos eleitores.

Esse contingente tem força para impactar no resultado da votação em diversas regiões, principalmente nas capitais. O Ministério da Saúde aponta que 378 mil brasileiros estão infectados pela COVID, e com seu quadro de saúde em acompanhamento, e portanto, não podem sair de casa para votar. Mas esse contingente pode ser bem maior, tendo em vista as subnotificações e pacientes que não têm acesso a serviços médicos, principalmente em cidades do interior do país. Além disso, desde o começo do ano, 165 mil vidas foram perdidas em todo os estados, o que também representa baixas entre o eleitorado.
Em razão da disseminação do vírus em território nacional, as eleições deste ano ocorrem com regras diferentes, definidas pelo TSE com base em recomendações de especialistas para evitar uma contaminação ainda maior. Será obrigatório o uso de máscaras em todos os locais de votação. Algumas máscaras serão disponibilizadas, mas sem o equipamento o eleitor pode ser impedido de votar. A biometria, utilizada no último pleito, não será disponibilizada neste ano, tendo em vista o risco de contágio por meio da superfície dos aparelhos de coleta das impressões digitais. A recomendação é manter distância entre os eleitores e cada votante deve levar sua caneta para assinar o comprovante de comparecimento.
Mesários devem higienizar as urnas após a saída de cada eleitor. O ministro Edson Fachin, vice-presidente do TSE, ressaltou a importância de que a sociedade participe da escolha de seus representantes e as medidas de segurança para impedir contaminações. No entanto, afirmou que o eleitor não deve comparecer se houver recomendações de autoridades sanitárias para que os moradores fiquem em casa.
“O voto é um instrumento poderoso para admitir ou demitir os gestores públicos de suas cidades. Não deixe de fazer, exceto se houver a recomendação explícita de autoridade sanitária. Caso contrário, estamos conclamando a população a comparecer aos locais de votação usando sua máscara de proteção desde quando sair de casa. Nas seções eleitorais, o eleitor deve respeitar o distanciamento determinado nas filas, respeitando horários para não haver aglomerações. Mesários e espaços para votar estão preparados para oferecer segurança no exercício do voto. Comparecer às urnas amanhã é fazer a diferença”, disse o ministro.
 
Democracia 
O ministro afirmou, também, que as notícias falsas representam um perigo para a democracia. Para ele, o problema deve ser combatido pelas instituições, pois ataca o próprio regime de governo e sistema político. “Nenhum país se mantém como estado democrático se diluir suas instituições. E o Poder Judiciário, ao lado do Legislativo e do Executivo, da imprensa e de outros representantes da sociedade, é muito importante. Desde as eleições de 2018, o TSE desenvolve ações de combate a notícias falsas. A notícia que se reputa falsa deve ser sempre checada, até porque há liberdade para veicular fatos e narrativas, mas ninguém tem o direito de destruir essa liberdade propagando notícias que não são verdadeiras”, reforçou.
O evento no TSE é tradicional, e sempre ocorre antes das eleições. Foram feitos testes de segurança nas urnas antes do dia da votação. Foram avaliados os softwares de Informação de Arquivos de Urna (InfoArquivos); Receptor de Arquivos de Urna (RecArquivos); e Sistema da Totalização (Sistot), usados na apuração de votos e na contabilidade dos resultados.
O cientista político e sociólogo Rócio Barreto afirma que a pandemia deve ter forte impacto no comparecimento dos eleitores, e destaca que esse movimento deve ser mais perceptível nas capitais.
“A pandemia tem potencial para fazer com que os eleitores não saiam de casa. Principalmente nas capitais, onde as pessoas são mais bem informadas. No interior, a pessoa pode não perceber a potência do vírus. Quanto maior a quantidade de informação que chega até o eleitor, mais receio ele terá de ir votar. Nas regiões metropolitanas, as pessoas percebem a gravidade, têm mais medo, pois houve restrição do comércio. Em muitas cidades menores, o vírus nem chegou para se ver de forma mais palpável, com medidas sanitárias mais perceptíveis”, destaca.
Fonte: Estado de Minas
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