‘Álcool engorda quase o dobro do açúcar’, diz médico para quem quer emagrecer

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O vilão da luta pelo emagrecimento pode estar escondido naqueles aparentemente inofensivos copos de cerveja consumidos aos domingos ou na taça de vinho que acompanha um filme no meio da semana. O álcool fornece ao organismo quase o dobro de calorias de açúcar e, se consumido em excesso, pode atrapalhar o projeto verão e, pior, causar graves danos à saúde.
Quem explica a interferência do álcool na dieta é o médico endocrinologista Filippo Pedrinola, em entrevista a O TEMPO. Ele faz parte do corpo clínico do hospital Albert Einstein, em São Paulo (SP), e é membro da Associação Brasileira de Estudos sobre Obesidade (Abeso).
Como a bebida quase nunca está sozinha, os petiscos como queijo, salaminho e batata frita aumentam ainda mais o valor calórico. Uma dose de vodca com energético, por exemplo, que tem cerca de 470 calorias, acompanhada por quatro croquetinhos, tem, aproximadamente, 818 calorias, mais que uma refeição comum. E, ao contrário do que muitos pensam, o gim também é um coquetel calórico.
Mas, se a pessoa estiver disposta a pagar esse preço, ela pode adotar algumas estratégias para reduzir os impactos dos drinks no corpo sem passar vontade no happy hour, mesmo que virtual, com os amigos.
O álcool é considerado um carboidrato, porque ele se origina do açúcar, ou por destilação ou por fermentação, e nesse processo de transformação existe o ganho de três calorias. Enquanto o açúcar fornece quatro calorias por grama, o álcool oferece sete. Então, o álcool engorda quase o dobro do próprio açúcar. É por isso que a bebida alcoólica interfere no processo de emagrecimento das pessoas. Tem gente que nem come muito, mas tem o hábito de beber muito. Essas pessoas têm grande dificuldade na perda de peso, até comendo pouco.
As bebidas alcoólicas são conhecidas por ser fonte das chamadas “calorias vazias”. Por que elas recebem esse nome?
Isso significa que as bebidas alcoólicas não têm nenhum valor nutricional, não trazem nenhum benefício para o corpo, não têm nenhuma vitamina, nenhum mineral, nenhuma proteína, nenhuma gordura boa. Ou seja, é caloria que vai virar gordura, pode fazer mal para o fígado, dependendo da quantidade, e não traz nenhum nutriente. Se consumida em excesso, faz mal.
Como as pessoas podem reduzir a quantidade de álcool na dieta?
Tem alguns truques interessantes. Por exemplo, se a pessoa está tomando vinho ou champanhe, é bom sempre alternar com um copo de água, porque isso faz diminuir um pouquinho a vontade de beber álcool. Outra dica é substituir o açúcar pelo adoçante na hora de fazer a caipirinha. Isso reduz pela metade a quantidade de calorias dessa bebida.
É verdade ou mito que o álcool age de maneira diferente no corpo de homens e mulheres?
É verdade, porque as mulheres têm, proporcionalmente, uma quantidade de gordura bem maior que os homens, que têm mais massa muscular. Mais gordura significa menos água, então a mulher acaba tendo uma dificuldade maior na diluição do álcool no corpo. Com isso, a absorção da substância no corpo delas acaba sendo mais rápida, acaba indo mais rápido para o fígado. A mulher pode, então, tomar metade do que os homens tomam para ter a mesma sensação de embriaguez.
A bebida alcoólica geralmente é acompanhada por petiscos como azeitona, salame, torresmo e outras frituras. Em conjunto com o álcool, esses alimentos atrapalham ainda mais a vida de quem quer emagrecer?
Esse é o grande perigo. Os petiscos tipo azeitona, torresminho, salame, batata frita e queijinho acabam aumentando o consumo calórico. Se a pessoa toma uma vodca com energético, que tem mais ou menos 470 calorias, e acaba comendo quatro croquetinhos, esse conjunto vai para 818 calorias mais ou menos, quer dizer, mais calorias do que uma refeição normal.
Qual a quantidade razoável de álcool uma pessoa pode consumir para que a bebida não atrapalhe tanto o emagrecimento?
A recomendação é de uma a duas doses por dia. Por exemplo, 300 mL de chope tem mais ou menos 180 calorias; uma taça de vinho tem cerca 95 calorias; e uma dose de vodca, uísque ou tequila tem mais ou menos 120 calorias a cada 50 mL. Então, uma ou duas doses de qualquer uma dessas bebidas acaba tendo por volta de 350 calorias. O álcool é uma substância tóxica, e o fígado simplesmente metaboliza o álcool para transformar em substâncias não tóxicas para serem eliminadas. Outra dica é não beber em jejum. A gente sabe que, quando estamos de estômago cheio, o corpo demora mais para absorver o álcool, então dá mais tempo para o fígado metabolizar a substância. Também é bom beber água e comer frutas que são ricas em água no intervalo das doses, porque isso ajuda também a diluir o álcool do sangue e facilita o trabalho do fígado. Outro truque importante é não ficar bebendo continuamente, porque o fígado só consegue metabolizar dez gramas de álcool por hora. Isso equivale a mais ou menos uma taça de vinho, uma lata de cerveja ou 50 mL de destilado. O que for acima disso vai voltar para a circulação e até voltar para o fígado, então vai demorar mais para o álcool ser metabolizado.
Existe diferença entre os tipos de bebida quando se trata do número de calorias?
Álcool é álcool. Tem sete calorias por grama. A molécula é igual no destilado ou nos fermentados. O que muda mesmo é a graduação alcoólica. Por exemplo: os vinhos têm 13, 14 graus de álcool. Já os destilados, tipo vodca, tequila, têm 40 graus. Então a gente vê que o teor alcoólico é maior nos destilados. Por outro lado, você bebe menos os destilados em comparação aos fermentados. Então, não é que um engorda mais que o outro. O que muda é a graduação alcoólica.
Tem se espalhado atualmente a ideia de que o gim tônica seria a bebida ideal para quem quer controlar o peso, porque ela teria baixo teor alcoólico. Isso é verdade?
O gim engorda, sim, porque uma dose de 50 mL de gim tem por volta de 100 a 150 calorias, que é até parecido com a vodca e com o uísque. A diferença está na tônica, que deve ser preferencialmente zero açúcar. A tônica normal é o refrigerante que tem mais açúcar de todos, porque, como a tônica tem quinino, que é amargo, a indústria tem que colocar mais açúcar do que na própria Coca-Cola. Não podemos afirmar que estas versões dos coquetéis alcoólicos não engordam, porém são opções mais adequadas para o consumo de quem está controlando o ganho de peso.
Fonte: O Tempo
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