Após 7 anos, brasileira reencontra filha sequestrada pelo pai no Líbano

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Claudia Boutros ao lado de Gabriella Boutros, que foi levada de SP pelo pai libanês. Justiça libanesa devolveu guarda a mãe que procurou filha no país por 25 dias.

Após 25 dias de procura no Líbano, Claudia Boutros reencontra Gabriella Boutros (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)

Após 7 anos, Claudia Dias de Carvalho Boutros reencontrou nesta quinta-feira (28) no Líbano a filha sequestrada pelo pai. A brasileira de 39 anos, que está no Líbano há 25 dias, ao lado de Gabriella Boutros, de 13 anos.

“Olá, fala inglês mesmo pra todo mundo”, pede Cláudia durante a gravação. “Eu estou aqui com minha mãe”, fala Gabriella, que quase não fala mais português e se comunica melhor em inglês e árabe. “Ai que lindo”, agradece a mãe.

“Doutor José Beraldo (advogado de Cláudia) eu tô aqui com a Gabriella. Está sendo discutido muitas coisas e logo mando notícia. Estou aqui com advogado, o pai da Gabriella…”, explica Claudia sobre a conversa que terá com representantes do empresário libanês Pedro Boutros, de 49, seu ex-marido, sobre a decisão da Justiça do Líbano em devolver a guarda da filha do casal à mãe.

Após a separação do casal, a guarda da filha era de Claudia. Mas em 2010, Pedro foi a São Paulo e pegou Gabriella, então com 5 anos de idade, e, sem autorização e com documentos falsos, levou a criança a Trípoli, segunda maior cidade do Líbano. Atualmente ela é uma adolescente de 13 anos que se comunica em árabe e quase não fala português.

Mas em outubro deste ano, a Justiça do Líbano atendeu ao pedido dos advogados de Claudia e decidiu que a menor fique com a mãe, obrigando, desse modo, o pai a entregar Gabriella.

Fugas

Claudia ganhou as passagens para o Líbano de um libanês que mora na capital paulista. No dia 2 de dezembro, ela embarcou num voo de Guarulhos, na Grande São Paulo, a Beirute, chegando no dia seguinte, 3 de dezembro, à capital libanesa.

Mas mesmo diante da decisão da Justiça do Líbano, Pedro fugiu com a filha de Trípoli, segunda maior cidade libanesa depois da capital Beirute. Ele deveria estar morando lá com Gabriella, mas preferiu se esconder das autoridades e não entregar a adolescente à mãe. Nesta quinta-feira, no entanto, após negociações com seus advogados, o empresário libanês compareceu a um lugar determinado para discutir a devolução da adolescente.

Beraldo, advogado de Claudia no Brasil, é um defensor da brasileira no Líbano está com ela no país para tentar cumprir a decisão da Justiça libanesa e repatriar a adolescente. “Todos estão no consulado brasileiro em Trípoli para resolver essa situação”, falou Beraldo.

“O impasse está no fato de o pai da Gabriella alegar que é arriscado a filha voltar para o Brasil. Ele diz que aqui será perigoso para ela. Apesar disso, acredito que a Justiça libanesa fará cumprir a decisão de devolver à menina à mãe”.

Arte G1 (Foto: Caso Gabriella Boutros)

Interpol

Desde que Pedro saiu do Brasil com Gabriella, pai e filha passaram a ser procurados pela Interpol (polícia internacional). Fotos dos dois estão no site da entidade como Parental Child Abduction (algo como sequestro de filho por um dos pais, numa tradução livre do inglês para o português).

Se sair do Líbano, Pedro terá de ser preso para responder no Brasil pelo crime de ter levado Gabriella sem autorização da mãe. A menina, por sua vez, teria de ser repatriada.

Mas essa medida da Interpol não vale enquanto pai e filha estiverem em território libanês. Como o país não é signatário da Convenção de Haia, na Holanda, sobre sequestro internacional de crianças, Claudia teve de pedir à Corte de Trípoli a devolução da guarda da filha.

Em 2012, a Justiça brasileira já havia concedido a guarda definitiva de Gabriella a Claudia por entender que a garota foi subtraída pelo pai, segundo seus advogados. Mas somente em 13 de outubro deste ano que a Corte de Trípoli reconheceu esse direito e decidiu tirar de Pedro a guarda da filha e devolvê-la à sua mãe.

A única condição para a entrega da criança é a de que Claudia viajasse ao Líbano para recebê-la pessoalmente na Justiça de Trípoli.

Via G1
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