Após oito meses fechado, Expominas passa por ‘teste de fogo’ contra Covid

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Depois de oito meses fechado e um período em que virou até hospital de campanha contra Covid, finalmente o Expominas, o imponente centro de exposições situado na região Oeste da capital, voltou a receber um evento robusto. A 31ª edição da Feira Nacional de Artesanato, primeira grande exposição em Belo Horizonte desde março, foi aberta nesta terça-feira (1) e segue até domingo (6) com seus estandes de cestaria, tapeçaria, cerâmica, entalhes em madeira e acessórios vindos de vários estados do país. Um público de 65 mil pessoas é aguardado pela organização ao longo dos dias.

O número impressiona, mas os organizadores garantem que estão cumprindo todos os protocolos sanitários estipulados pelo comitê de enfrentamento à Covid-19 da prefeitura municipal. A autorização é para que a feira de artesanato receba até 6.120 pessoas ao mesmo tempo, espalhadas pelos 43 mil metros quadrados utilizados nesta edição. “É possível fazer um evento desse porte seguindo todos os protocolos”, defende a organizadora Tânia Machado.

Os artesãos estão felizes por serem os primeiros a abrir a porta dos grandes eventos na cidade, mas além do uso obrigatório da máscara e do álcool em gel, as contas também não os deixam esquecer que estamos em plena pandemia. A feira diminuiu drasticamente de tamanho – os 900 estandes da edição de 2019 minguaram para os 457 atuais. O público da edição passada foi o dobro – 130 mil visitantes.“Alguns artesãos de outros estados também desistiram de vir por causa da pandemia”, explica Tânia. Uma pesquisa realizada anteriormente pela feira identificou que 32% dos visitantes não iriam ao evento neste ano, por serem idosos ou preferirem aguardar a chegada da vacina contra o vírus. “Algumas pessoas estão receosas”, admite a realizadora.

O setor de eventos aposta no sucesso da feira para dar sequência no calendário de feiras e exposições da cidade, que há oito meses não recebe atração do tipo. “Nossa responsabilidade é muito grande, porque a prefeitura nos deu um voto de confiança, de que seríamos capazes de fazer um evento desse porte seguindo todos os protocolos. Não podemos errar”, avalia.

Outro dificultador para a realização da feira evento neste ano foi a diminuição nos patrocínios vindos do governo estadual. Tânia informa que a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) cancelou o patrocínio de R$ 800 mil, além do corte de cerca de R$ 300 mil da Cemig, a Companhia Energética do Estado. A Codemge informou que o governo está revendo os patrocínios da empresa devido aos impactos da pandemia. O aluguel do Expominas continua o mesmo valor – R$ 1,1 milhão, segundo Tânia.

Mesmo diante desse cenário adverso, o primeiro dia da feira foi celebrado. “Eles estão vendendo, os lojistas vieram, acredito que está dentro das expectativas. Estávamos ansiosos”, comemora a organizadora.

A organização pede que idosos prefiram visitar a feira na parte da manhã. Importante lembrar que é obrigatório o uso de máscara. Setenta tótens de álcool em gel estão distribuídos pelas instalações do evento, que ampliou a largura dos espaços de fluxo de pessoas para garantir o distanciamento social. “Ficou até mais bonito. É um aprendizado”, finaliza.

Expominas tem agenda movimentada em 2021

Uma agenda bastante movimentada aguarda o Expominas a partir dessa retomada, ao menos se os números da pandemia em Belo Horizonte permitirem.

A administração do centro de exposições informa que o calendário de eventos agendados no local está bem preenchido, mas a dificuldade é compactar a agenda de dois anos em um. “Estamos com a programação do segundo semestre de 2021 toda lotada”, explica Márcia Ribeiro, diretora de negócios e marketing do Expominas BH. Várias outras feiras e exposição são esperadas para o primeiro semestre.

A efetivação dessa agenda, no entanto, depende da avaliação das autoridades de saúde. Cada evento precisa passar pelo crivo sanitário, o que implementa uma avaliação ainda mais criteriosa ao segmento de eventos. “As equipes da saúde precisam verificar se a montagem está de acordo com os protocolos, o fluxo de pessoas, se a temperatura está sendo aferida, se a higienização está sendo realizada”, elenca Márcia. Devido a essa rigidez, a liberação de realização dos eventos deve sair na véspera, como aconteceu com a Feira Nacional de

Artesanato

A gerente do Expominas avalia que há um certo exagero em algumas exigências, mas compreende que uma nova negociação com a prefeitura pode acontecer após o sucesso deste evento que inaugura a retomada. “As autoridades precisam entender que é possível realizar as feiras de negócios com segurança. Se isso não for enxergado com isonomia, teremos que fazer novo adiamento (dos eventos), o que é danoso para todo mundo”, diz. “Vamos acompanhar com muito cuidado essa feira para depois sentarmos com as autoridades”, completa Márcia.

Serviço

A feira acontece no Expominas até domingo (6) de 10h às 21h, com ingressos de R$ 10,00 a R$ 20,00. O visitante que não quiser comparecer presencialmente pode encontrar os objetos de artesanato à venda no site da feira, a partir de sábado (5). O endereço é www.feiranacionaldeartesanato.com.br.

 

Fonte: O Tempo
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