Associação busca melhorias do setor leiteiro de Passos

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Produtores de leite se reuniram no SinRural, em Passos, para um encontro com o presidente da Abraleite, Geraldo Borges, que levantou questões da defasagem na legislação do setor.

Associação busca melhorias do setor leiteiro passense.

O Sindicato dos Produtores Rurais de Passos (SinRural) recebeu no sábado, 16, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), Geraldo Borges, para uma conversa com os produtores do setor leiteiro da região. Com presença de autoridades municipais e estaduais, os criadores de gado leiteiro puderam tirar dúvidas e conhecer detalhes do que tem acontecido no Brasil no que concerne o mercado.

Para o presidente do SinRural, Darlan Esper Kallas, a Abraleite tem uma importância fundamental nas ações futuras do setor leiteiro. “Assim como nós já temos entidades que cuidam de outros setores da agropecuária, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja), entre outras, a Abraleite com toda a certeza vem para ajudar a fortalecer o setor leiteiro nacional, agregando maior valor ao nosso produto, que atualmente sofre alguns perigos, como o da importação de leite em pó”, apontou Kallas.

O conhecimento que a Abraleite pode levar para os produtores, como explicado pelo presidente da associação, Geraldo Borges, é muito mais aquele da “porteira pra fora”, que ainda não tem uma expansão muito relevante no cenário nacional.

“Hoje nós já temos inúmeras entidades que ajudam o produtor rural leiteiro no que concerne as questões da ‘porteira para dentro’, ou seja, a administração das fazendas, cuidados com saúde e bem-estar do gado, na produção do próprio leite, tecnologias, entre outros assuntos pertencentes aos ‘bastidores’ do produto, como o Senar, a Emater em cada estado e região, e tantos outros órgãos. Então, o que nós da Abraleite pretendemos é ajudar os produtores com os assuntos ‘da porteira para fora’, na busca por legislações que auxiliem os criadores e produtores leiteiros, o que atualmente tem uma defasagem muito grande”, relatou o presidente.

Borges ainda ressalta que o que a Abraleite está realizando um feito inédito, que é estimular a união das entidades já existentes para um objetivo único. “Nossa ideia com a criação da Abraleite em julho desse ano foi exatamente fazer uma entidade que viesse para somar com aquelas que já atuam no setor agropecuário, não pra fazer algum tipo de sombra ou realizar o trabalho de outra entidade. Todas tem seu papel e são importantes na atuação em prol do produtor de leite, que é o que interessa a todos nós”, explicou.

Ainda segundo ele, até então ainda não existia uma associação que atuasse praticamente 24 horas, todos os dias para o bem do produtor de leite. A Abraleite buscará levar pedidos e pleitos para os poderes legislativo e executivo, na tentativa de trazer melhorias esperadas pelos produtores. O presidente da associação também destacou, durante a reunião, que já existem seis projetos de lei atualmente tramitando no Congresso Nacional para beneficiar os produtores leiteiros.

Na visão do produtor Marco Andrade Lemos, a classe precisa desse apoio para conseguir se tornar mais unida e receber maior suporte por parte dos políticos. “A associação é muito importante para trazer uma união maior para a classe de produtores de leite, buscar o apoio de políticos no que tange a legislação, principalmente porque ainda é algo muito desregulamentado, como é o caso das importações. Temos sim que trabalhar nessas questões da porteira pra fora, pois o dever de casa de procurar melhorias no produto e formas de produção nós já fazemos. Nós sabemos que o mercado tem momentos melhores e outros piores, e isso é algo natural, mas quando vem agentes externos, com coisas proibidas, como a hidratação do leite em pós, que importa produtos que muitas vezes já estão próximos ao vencimento e representam um risco à saúde pública, isso nós ainda precisamos de um guia para conseguir enfrentar”, comentou Lemos.

Cadeia produtiva

O consultor agropecuário Cássio Camargos apontou que a organização da cadeia é algo ainda fundamental para ajudar nas melhorias que ainda precisam ser realizadas no setor leiteiro. “Outros setores da agropecuária brasileira, como o gado de corte e agrícola, já representam boas porcentagens de produtos exportados para outros países, porém o leite ainda não tem essa representatividade, o que faz necessária a atuação da Abraleite nesse sentido, de fortalecer esse mercado e organizar a classe, para que assim as melhorias possam acontecer.

No Brasil, o setor leiteiro vem de uma história protecionista, em que inicialmente tinha seu preço tabelado pelo governo e depois foi jogado no mercado, e teve que seguir flutuações do preço em outros países, o que prejudicou um pouco o desempenho”, completou.

Segundo ele, atualmente o produtor de leite brasileiro não compete apenas com seus conterrâneos regionais, estaduais e nacionais, mas sim com outros países, onde a produção já tem níveis de organização muito maiores que no Brasil. Na opinião dele, a atuação da Abraleite será essencial para conseguir inserir o produtor brasileiro nesse cenário internacional.

Via Folhadamanha
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