Avenida Contorno é solução para escoar produção de Passos

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Cerca de 80% de toda produção de gado de corte de Passos, algo em torno de 15 mil cabeças, além de outros animais e da produção agrícola como soja, milho, sorgo e horticultura sai de propriedades rurais das Linhas da Julieira, Toledos e Morro do Café, na região norte da cidade.

Os proprietários das fazendas passenses, no entanto, estão com dificuldades para realizar a comercialização de seus produtos por falta de vias de acesso à zona rural. O tráfego feito pela MG-050 só chega à estrada rural da Julieira através do bairro da Penha – especialmente pelo corredor da Penha.

Como os caminhões são altos e a fiação é baixa, está virando rotina a ocorrência de corte de energia, telefonia e dados. Uma solução seria a avenida do Contorno, já em análise pela prefeitura de Passos.

Conforme o produtor rural e empresário Antonio Maida da Silveira, o Faxa, recentemente alguns caminhões passaram pelo local, não viram que a rede foi danificada e sofreram uma perseguição policial. “Os caminhoneiros chegaram à fazenda horrorizados pela perseguição e, diante dessas ocorrências, estão se recusando a vir buscar o gado em Passos, para o desespero dos pecuaristas. Se estes caminhões não conseguem ter acesso às fazendas, vai ser uma quebradeira, pois precisam vender seus produtos, independentemente do que seja, gado, porco, soja, milho”, disse.

O empresário salienta que, por ter dois empreendimentos imobiliários (loteamentos) naquelas proximidades, falou com outros proprietários de fazendas da região que já liberaram área para que a administração municipal faça uma avenida do Contorno, com cerca de 2,5 Km, um pouco menor do que o projeto do Anel Viário – este, o sonho de todos os produtores da região.

“Pelo menos 16 anos atrás, nós, produtores rurais, buscamos uma alternativa viável para o escoamento inteligente da produção. Quem administra Passos precisa ter este olhar amplo para a importância do setor agropecuário. Se deixarmos de ter como escoar, a produção cai e muitos empregos acabam. Esta linha liga produtores do Glória, da Usina Açucareira até as proximidades do aeroporto, na MG-050”, ressaltou Faxa.

De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente, Agropecuária e Abastecimento, José Luiz Ribeiro, existe uma estrada, há mais de 60 anos, que sai do Bananal, passa pela Vila São José (atualmente) e chega à Linha da Julieira. Esta estrada corta caminho e impede que o fluxo passe dentro da cidade. Porém, com os vários assaltos que vinham acontecendo nas casas da Vila, teve de ser fechada.

“Fecharam esta antiga estrada e, concomitante a este fechamento, os caminhões que puxam bois carregavam em média 16 animais, eles foram substituídos por veículos que carregam 60 animais. São carretas de dois andares. Por serem dois andares e não ter o acesso àquela via, começaram a trafegar pela avenida Dona Liquinha. Dentro da cidade quebram o asfalto”, explicou o secretário.

Porém, há cerca de 20 dias, Ribeiro conta que foi procurado para que fosse reaberta a via de acesso no entorno da Vila São José. “Junto com o procurador do município, fomos ao local e reabrimos. Isso foi feito, então, há pelo menos 15 dias o escoamento da produção tem saído por aquela via de acesso, ainda precária, até que façamos o anel sonhado pelo Faxa e por mim. Mas, para abrir, temos que passar nos terrenos de pessoas que estão fazendo loteamentos e ainda não autorizaram. Deixamos aberto na Vila São José e vamos fazer depois um outro caminho”, garantiu Ribeiro.

Produtores oferecem área para obras
Os proprietários de terras ao longo daqueles bairros já ofereceram para a prefeitura de Passos toda a área para a construção de uma via de acesso da MG 050 à estrada da Julieira, uma espécie de avenida de contorno.
José Luiz Ribeiro lembra que há 3 anos Passos tinha uma média de 4 mil hectares de soja, atualmente são plantados aproximadamente 15 mil.

“Fizemos esta pesquisa junto aos produtores. Áreas de pastagens se transformaram em plantações e, com isso, os caminhões que carregavam 14 toneladas estão vindo com capacidade para carregar 100 toneladas. Em conversa com o diretor do DEER falávamos que as estradas não aguentam este peso. Nunca mais volta caminhão pequeno. O poder público tem que se adaptar. Nos próximos meses teremos uma avenida de 30 metros de largura para fazermos a avenida do Contorno”, afirmou.

Passando por fora da cidade é algo em torno de 2 km da Julieira até na MG-050, e por dentro da cidade é em torno de 3,5 km, e, com os obstáculos e problemas que podem acarretar. Passos é composta por diversas estradas rurais, são elas a Linha da Julieira, com mais de 44 km de distância, terminando no Rio Grande, sendo uma das maiores. As linhas do Bananal, Tanquinho, Estrada Mata Cachorra, Bom Jardim, Estrada Marimbondo, Estrada Capitão, Estrada Estiva, Linha dos Campos com 40 km chegando em Alpinópolis, das Águas com 35 km também chegando em Alpinópolis, da Mumbuca, Morro do Café, Estrada da Usina Rio Grande, Estrada Santos Reis, Estrada de Santa Luzia, que sai nas Areias e Taquaruçu.

“Todas estas estradas passam Kombi escolar, leiteiros, escoamento de café e outras produções. Precisamos cuidar muito bem destas estradas”, finalizou Ribeiro.

Sinrural
Para o presidente do Sindicato Rural de Passos (Sinrural), Elder Maia dos Reis, há poucos dias alguns produtores associados ao Sindicato o procuraram para informar deste problema relacionado ao fechamento de uma estrada que dava acesso à MG-050, que passa atrás do Condomínio Vila São José.

“Recebemos a reclamação também que um caminhão que passou pela Avenida Liquinha Silveira, portanto, dentro da zona urbana, teria causado um transtorno na rede elétrica e de fiação de rede de telefonia. Conversamos na prefeitura com o José Luiz Ribeiro que se colocou prontamente para resolver a situação. Que, de fato foi resolvida e a estrada foi reaberta”, disse Reis.

Ainda conforme explicou o sindicalista, há a intenção e um projeto na prefeitura de se fazer um anel viário.

“Este contorno é muito bem vindo. É bom para os produtores rurais de todos os tipos de produções, é bom para a cidade que deixa de ter o fluxo de veículos pesados e é excelente para a administração, pois o peso dos caminhões estraga as vias públicas”, salientou Reis.

 

Fonte: Folha da Manhã
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