Barreiras sanitárias em Alfenas não impedem o aumento do número de contaminados por Covid-19 na cidade

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Todas as cidades brasileiras adotaram medidas para conter a contaminação pelo novo corona vírus que se alastra pelo país desde o início do ano, fazendo milhares de vítimas.

Uma das ações adotadas por vários municípios, inclusive em Alfenas, foi a implantação de barreiras sanitárias nas saídas e entradas da cidade como forma de conter o avanço do vírus.

O coordenador de saúde bocal e hoje coordenador das barreiras sanitárias, Carlos Alberto Costa Vieira, explica que até o momento a prefeitura implantou 07 barreiras, que contam com 22 brigadistas, 16 seguranças e agentes de saúde na quantidade de 80 a 100 profissionais, dependendo da demanda, tendo chegado a 135 profissionais.

Recentemente, foi instalada uma barreira na Avenida Rui Martins dos Santos, que dá acesso a BR 491, onde está aberta apenas a entrada para a cidade devido à falta de segurança e iluminação pública e que, conforme ressalta Carlos Alberto, estão aguardando melhoria no local.

Carlos Alberto relata que é produzido um boletim semanal das ações realizadas na barreira sanitária como forma de acompanhamento e que, no último final de semana, realizaram cerca de 1700 notificações. Após este levantamento, as informações são passadas a outra equipe que realiza o acompanhamento e monitoramento dos pacientes. Segundo o coordenador, as barreiras funcionam para a conscientização e orientação da população e vem dando bons resultados.

Com relação à eficácia das barreiras sanitárias, O Alfenense entrevistou o professor de epidemiologia e saúde coletiva da UNIFAL-MG, Sinézio Inácio da Silva Júnior, que explicou as falhas adotadas por este sistema.

Sinézio explica que as barreiras são importantes se forem adequadamente operacionalizadas para a prevenção e controle. De modo geral, isso, em todo o país, tem funcionado de um modo menos eficiente, já que não se adotou um protocolo padrão, único por parte do Ministério da Saúde para todo o país. Não se explicou o que fazer e para que usar as barreiras. Normalmente, temos visto a medição de temperatura, mas isto é um indicativo, não uma certeza de que a pessoa está infectada.

Nesse sentido, Alfenas sofreu algo que podemos dizer, de modo ameno, que foi bastante constrangedor, pois as mortes concentraram-se não apenas nos mais idosos, como seria de esperar, mas se concentraram entre pessoas que estavam num mesmo lugar: o “Lar São Vicente de Paulo”. Outras cidades também têm lares assim, mas aqui ficamos como um “ponto fora da curva”. Isso é uma falha grave de prevenção, sob a lógica de fazer uma análise de perigos e pontos críticos de controle. Um desses pontos eram e são os abrigos de idosos. Lamentável, relata Sinézio.

O aumento no número de casos notificados da Covid-19 na cidade dá-se em grande parte pela falta de testagem da contaminação da doença na população. É natural que para aumentar as mortes, a princípio, tenham que aumentar os casos, mas tem se observado um aumento de mortes, mesmo sem ter tido um aumento de casos. Por quê? Porque, no geral, os casos podem não aumentar, mas no particular das faixas etárias dos mais velhos sim. Esse é um dos problemas da nossa precária política de testagem. Por falhas na política de saúde e pela falta de testes, a prioridade de testar os casos mais graves e de pessoas mais vulneráveis (mais velhas, por exemplo) e menos os mais jovens explicaria a contradição. E também, os mais velhos, pela duração da pandemia no Brasil, por necessidades econômicas e relaxamento geral da população, podem estar circulando mais. É muito importante se monitorar as curvas da doença por faixa etária, ressalta o professor.

Em relação ao combate e à conscientização sobre a Covid-19 estarem corretos, Sinézio afirma que não e ressalta que tem faltado um papel mais presente, organizador, unificador do Ministério da Saúde junto a toda a população. Ao contrário disso, tem-se o governo federal e o presidente adotando uma postura, enquanto prefeitos, governadores e profissionais da saúde pública adotam outra. Mas, apesar disso, o próprio Sistema Único de Saúde, o SUS, pela experiência de seus profissionais, lógica de ação compartilhada nacionalmente, estratégia de saúde da família e muitas iniciativas independentes de comunidades mais pobres, tem feito o quadro não piorar mais.

Fonte: O Alfenense

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