BH aumenta número de leitos para Covid, mas mantém recorde de ocupação

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Mesmo com 34 novos leitos abertos entre terça (7) e quarta-feira (8), Belo Horizonte registra o mais alto índice de ocupação de vagas para pacientes com Covid-19 desde o início da pandemia, tanto para UTI quanto para enfermaria, com 92% e 76% respectivamente.

Dez novos leitos foram adicionados à rede de UTI e 24 entre os leitos clínicos. Além dos dois critérios em alerta vermelho, o terceiro se aproxima do mesmo nível. A taxa de transmissão, que mede o quanto cada infectado passa a doença a outros, está em 1,20 nesta quinta-feira (9), valor limite para continuar no nível amarelo. A cidade também registrou recorde de mortes em 24h, com 23 óbitos confirmados pela doença.

Um dos fatores que contribui para a piora no quadro é a taxa de isolamento na capital, que, de acordo com o infectologista Estêvão Urbano, membro do Comitê de enfrentamento à pandemia da PBH, é de 48% nesta quinta. “Isolamento abaixo de 50% sempre é perigoso pelo risco de explosão ainda maior desse vírus e de falta de leitos hospitalares, entre outros”, alerta o especialista, que completa “mas claro que quanto maior possível, melhor, acima de 70% é perfeito”.

Mesmo com um incremento de mais 600% no número de leitos para Covid-19 desde o início da pandemia, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), a ocupação cresce mais aceleradamente na rede pública belo-horizontina.

No primeiro dia deste mês, a cidade tinha 331 leitos de UTI destinados a pacientes com a doença, e uma ocupação de 87%. Uma semana depois, os leitos chegaram a 370, mas a ocupação também cresceu e chegou aos 92%. O incremento de leitos de enfermaria foi de 161 novas vagas no mesmo período, mas a taxa de ocupação avançou 3 pontos percentuais, de 73% no dia 1º de julho para 76% nessa quarta-feira.

O prefeito Alexandre Kalil já afirmou em diversas ocasiões que a abertura de leitos não depende de fatores isolados, mas da disponibilidade de equipes que consigam operar os respiradores e estejam capacitadas para intubar pacientes.

A PBH já enviou convites para hospitais privados que têm leitos habilitados para contratação pelo poder público, mas ainda aguarda resposta das instituições. Ainda não há expectativa de quantos leitos podem ser adicionados ao SUS de BH.

A taxa de ocupação de leitos de UTI está em nível de alerta vermelho desde o dia 20 de junho, doze dias após o início da segunda fase de reabertura do comércio. No dia 29 do mesmo mês, a PBH decretou o retrocesso no protocolo de flexibilização e, desde então, somente estabelecimentos que ofereçam serviços essenciais podem se manter abertos ao público. Não há previsão de coletiva de imprensa para esta semana, o que prediz que não haverá novidades no grau de isolamento na capital.

Embora os números estejam alarmantes, o comitê não confirma a possibilidade de lockdown e a SMSA afirma que esta é uma decisão que cabe ao prefeito. A análise dos três critérios – taxas de ocupação de enfermaria e UTI e velocidade de transmissão – é feita diariamente pelo comitê, e, segundo Urbano, para esta quinta ainda não há nenhuma deliberação que aponte novidades na conduta da PBH. “Hoje é uma verdade e amanhã pode ser uma mentira, mas nesse momento não vamos adotar o lockdown, amanhã pode ser outra história, outro dia, vamos degrau a degrau”, ponderou o médico.

A cidade tem, segundo o último boletim epidemiológico, publicado nessa quinta-feira, 9.978 casos e 224 óbitos por Covid-19.

Fonte: O Tempo

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