Cardeal Bernard Law, envolvido em escândalo de pedofilia nos EUA, morre em Roma

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Sacerdote reconheceu ter protegido padre que havia abusado de crianças quando era arcebispo de Boston. Afastado, ele passou a ocupar cargo na Cúria Romana.

Cardeal Bernard Law participa de cerimônia na basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma, em imagem de 2004 (Foto: Alessandro Bianchi/Reuters)

O cardeal americano Bernard Law, envolvido em um enorme escândalo de padres pedófilos nos Estados Unidos, na quarta-feira (20), aos 86 anos, anunciou o Vaticano.

No início de 2002, o cardeal Law, na época arcebispo de Boston, reconheceu ter protegido um padre, Paul Shaney, contra o qual existiam várias provas de abuso sexual contra crianças.

Após o escândalo, Law abandonou a arquidiocese de Boston, mas foi nomeado arcipreste da basílica de Santa Maria Maggiore, cargo ligado à Cúria Romana (governo do Vaticano). O sacerdote permaneceu no cargo até 2011.

Bernard Francis Law nasceu, em 1931, em Torreón, no México. Foi ordenado sacerdote em 1961, e em 1973 tornou-se bispo de Springfield-cape Girardeau, no Missouri, e em 1984 foi promovido a arcebispo metropolitano de Boston. Em 1985, o papa João Paulo 2º o nomeou cardeal.

Uma investigação do jornal “Boston Globe” revelou como a hierarquia da Igreja Católica local, com o cardeal Law à frente, acobertou de forma sistemática, e geralmente cínica, os abusos sexuais cometidos por quase 90 padres de Boston e seus arredores durante várias décadas.

A série de reportagens rendeu o prestigioso Prêmio Pulitzer ao jornal e foi a base para o filme “Spotlight”, vencedor do Oscar de melhor filme em 2016.

Centenas de vítimas testemunharam sobre os abusos.

Após o escândalo vir à tona, Law se viu obrigado a apresentar sua renúncia como arcebispo de Boston, mas João Paulo 2º o enviou para Roma e o nomeou, em 2004, arcipreste da Basílica de Santa Maria Maggiore, uma das mais importantes de Roma. O cardeal participou do conclave para que elegeu o papa Bento 16 em 2005.

Law viveu seus últimos anos no Vaticano e nunca se prestou a testemunhar perante a Justiça dos EUA, conforme solicitado, e não concedeu nenhuma entrevista sobre o escândalo.

Via G1
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