CBV fechará o ano devendo cerca de R$ 20 milhões e com perspectiva ‘dramática’ para 2018

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Confederação é a mais rica do esporte olímpico no país.

A seleção feminina no Mundial sub-23 de 2017: equipe, campeã em 2015, terminou em quinto lugar – Federação Internacional de Vôlei / Divulgação/FIVB

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), entidade que mais recebe verba da Lei Agnelo Piva e que conta com a maior receita de patrocínio entre os esportes olímpicos, fechará o ano no vermelho. Atrasou ou parcelou salários de funcionários, adiou pagamentos das premiações de jogadores e devia a fornecedores. De acordo com os balanços simplificados e sem auditoria da CBV, publicados no site, o total do deficit de janeiro a novembro é de cerca de R$ 16 milhões.

Com a inclusão dos dados de dezembro, nos quais a entidade terá de contabilizar todos os ajustes do ano, despesas mensais e novos pagamentos, esse valor pode chegar a R$ 20 milhões. Além da expectativa interna de virada apenas em 2019, outra preocupação é com as seleções de base que este ano, pela primeira vez, não foram ao pódio em seus Mundias.

O vice-presidente da CBV, Neuri Barbieri, confirmou a situação preocupante, um contraste com a Federação Internacional de Vôlei (FIVb), eleita a Federação Internacional de Esportes do Ano 2017 pelo International Sports Awards (ISA). Em evento no Comitê Olímpico do Brasil (COB), em novembro, Barbieri afirmou que o déficit seria de cerca de R$ 22 milhões.

— O Toroca (referindo-se ao presidente Walter Pitombo Laranjeiras) foi aconselhado, mas recusou contratar uma consultoria externa para levantamento da saúde financeira da entidade — comentou Neuri, que afirmou ter ocorrido atrasos no pagamento de salários e também de rescisões contratuais.

Segundo dados do site da CBV, a previsão de receita para 2017 era de R$ 100 milhões (dos quais cerca de R$ 80 milhões em patrocínios), mas, até novembro, esse valor total chegava a R$ 78 milhões. O “rombo” de R$ 20 milhões deve representar 30% do orçamento da entidade em 2018.

— Acho que 2018 será um ano dramático, mas não posso precisar o que de fato está comprometido porque poderemos ter receitas extras não previstas, como a negociação de propriedade de jogos amistosos. Já temos oito fechados para 2018. Vamos correr atrás de novas receitas e mais redução de custos — garantiu Radamés Lattari, CEO da CBV desde junho.

Em 2017, a CBV teve redução de várias parcerias. O patrocínio do Banco do Brasil, por exemplo, que era em torno de R$ 70 milhões/ano, diminuiu R$ 16 milhões/ano (ficando agora em R$ 218 milhões por 4 anos). Ainda assim, é o maior patrocínio de uma confederação olímpica. Em contrapartida, a entidade recebeu R$ 4,2 milhões por meio da Lei Agnelo Piva, o maior entre seus pares (em 2018 será R$ 6,26 milhões), fora outras parcerias.

— Essa diminuição aconteceu com parceiros de material esportivo, bola, passagens aéreas, entre outros. Não é fácil se adaptar a uma nova realidade financeira, mas tomamos várias providências. O saldo negativo ao final do ano não é tão ruim assim — diz Lattari, ao explicar que, em 2017, também teve diminuição das cotas de TV e aumento de despesas em competições com as seleções, como pagamento de passagens aéreas, por exemplo.

Entre as ações, ele afirmou que a CBV teve espaço da sede, na Barra, reduzido para economizar cerca de 40% de aluguel. E demissão de 30 funcionários (em um ano esses desligamentos representarão R$ 4 milhões no caixa).

CORRIDA PARA PAGAMENTOS

Atletas do vôlei de praia tiveram atrasos em suas premiações entre setembro e novembro, mas os pagamentos foram feitos. Porém, houve diminuição no número de etapas do Circuito Brasileiro e da premiação do Super Praia (no total, esse corte é de 30% do valor das premiações de 2016).

— Muitas duplas diminuíram seu staff para se adaptar à situação. Mas não vimos nenhuma outra ação de economia nas arenas, por exemplo. A diminuição dos custos atinge apenas os atletas — lamentou Oscar Brandão, da Comissão de Atletas.

Lattari confirmou que as premiações dos jogadores de seleção de quadra não foram pagas em dezembro, como de costume, e que ficou para janeiro. Afirma que também jogou para 2018 parte das indenizações de ex-funcionários. Segundo ele, na sexta-feira (22), a entidade correu para quitar parcelas de salários (de dezembro), fornecedores e parcelamentos previamente combinados. Incluindo para o antigo CEO, Ricardo Trade, que tinha salário de cerca de R$ 60 mil/mês.

Trade afirma que o combinado está sendo feito e que a última parcela será paga em janeiro. Ele é apontado por Barbieri como um dos responsáveis pelo deficit da CBV, também por causa da nova política de salários.

Trade, no entanto, explicou que a entidade encomendou estudo da FGV e que seguiu as recomendações apontadas pelo órgão. Afirmou que a CBV é uma confederação mais transparente após sua passagem entre 2015 e 2017, com implementação de áreas de controle, de governança e publicação de dados no site.

— A CBV é uma confederação preparada para crescer, tem pegada. O desafio de 2017 não seria fácil mesmo, tendo em vista as diminuições no orçamento, a perda de cerca de R$ 15 milhões em convênios com o Ministério do Esporte, e alguns pagamentos não previstos no ano, como a premiação da Olimpíada de 2016. Quitamos em 2017 cerca de R$ 5 milhões. Diria que (a CBV) vive um problema de fluxo de caixa — aponta Trade, que hoje comanda a CBB.

Outro dado preocupante é com o futuro das seleções de jovens, que nos últimos anos têm feito amistosos à base de permuta. A sub-18 e sub-21, no feminino, a sub-19 e sub-21, no masculino, não foram ao pódio nas competições internacionais em 2017.

Via OGlobo
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