Coleta seletiva atinge menos de 20% em Varginha

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Segundo a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, cerca de 8% do lixo gerado é reciclado, mas moradores ainda desconhecem a iniciativa oferecida pela prefeitura.

Menos de 20% dos bairros de Varginha (MG) são atendidos pela Coleta Seletiva (Foto: Divulgação Prefeitura)

Desde a inauguração do aterro sanitário de Varginha (MG), em 1º de julho, a prefeitura iniciou o serviço de coleta seletiva para realizar a separação do lixo reciclável na cidade. Entretanto, quase seis meses após o lançamento, apenas 25 dos 130 bairros são atendidos, o que não representa nem 20% da área do município.

A ideia do projeto é diminuir a quantidade de lixo levado para o aterro, aberto após a desativação do antigo lixão municipal, que não atendia as exigências ambientais necessárias. Mas pouco moradores têm utilizado o novo sistema até agora.

Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, o município gera cerca de 3,9 mil toneladas de lixo por mês, mas apenas 8% dos resíduos são reciclados. São cerca de 300 toneladas que deixam de ir para o aterro sanitário e que tomam como rumo a Associação dos Catadores.

Para o secretário municipal de Meio Ambiente, Joadylson Ferreira, pouca gente aderiu ao projeto por conta da falta de confiança na iniciativa. ”Houve uma tentativa frustrada há uns oito anos, o que pode ser um sinal de não acreditarem mais quanto a isso”, explica.

O empresário Roberto Figueiredo, morador do Bairro Rezende, diz que mantém o hábito de separar o lixo, assim como seus vizinhos. Mas não sabe se a destinação dada para os recicláveis é adequada.

“Lá em casa a gente está separando o lixo e a informação é que eles estão fazendo coleta separada. Ela tem sentido se tiver um tratamento na outra ponta. Não adianta coletar aqui e levar tudo pro mesmo foço. Não sei se isso está sendo feito aqui em Varginha”, afirma.

Após a inauguração do aterro sanitário de Varginha (MG), coleta seletiva separa cerca de 8% do lixo da cidade (Foto: Reprodução EPTV)

Em contrapartida, o secretário afirma que todo o lixo coletado tem destino certo. “É muito triste uma pessoa separar o lixo em casa, colocar para fora, e jogar num caminhão compactador. Isso às vezes desanima as pessoas, e a gente está tentando falar que nós estamos fazendo diferente”, ressalta.

A princípio, cinco regiões da cidade passaram a ser atendidas pelos caminhões da coleta seletiva. São 25 bairros, incluindo a região central e a Fazenda Cachoeira, na zona rural. “Acho que nós estamos no caminho certo. Não abraçamos a cidade inteira porque não temos logística para isso. Aí estamos indo por partes”, explica.

Segundo Juliana Ferreira, presidente de uma associação comunitária que atua nos bairros São Francisco, Carvalhos e Novo Tempo, que recebem o serviço, os moradores não costumam ter o hábito de separar o lixo, principalmente por desconhecerem a iniciativa.

“O ideal seria fazer uma oficina, pelo menos uma vez por mês, chamando as pessoas da comunidade para participar e explicar para elas a importância e de que forma fazer. Tem que ser uma informação interpessoal, in loco, demonstrando as oficinas. Não só falar no papel, porque as pessoas não leem”, conta.

O secretário diz que a prefeitura está criando iniciativas para aumentar a procura pelo serviço nos bairros. Além disso, afirma que já existe um posto de coleta dentro do shopping da cidade e que novos pontos de entrega voluntária serão instalados nos postos de gasolina do município.

“A pessoa sai de casa com o lixo reciclável e vai entregar nesse local. Ela vai abastecer e sabe que vai ter um local apropriado para levar o lixo”, diz.

Segundo Ferreira, o projeto deve ser estendido para dentro dos residenciais espalhados pelo município. “Estou cadastrando e contatando todos os condomínios da cidade, o que vai dar um volume bastante expressivo no serviço de coleta seletiva. E estou indo em todos os prédios, conversando com síndicos para que eles possam fazer separação do lixo”, conclui.

Secretaria Municipal de Meio Ambiente assegura que lixo recolhido é separado nos bairros atendidos pela coleta seletiva (Foto: Reprodução EPTV)

Via G1/Suldeminas
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