Colheita de café com aumento de 19,4, deve bater recorde

Compartilhar

A projeção divulgada pelo instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que a safra brasileira de café está prestes a bater um recorde histórico, uma vez que deve chegar a 3,6 milhões de toneladas colhidas, o que representa 19,48% a mais em relação ao ano passado. A razão do aumento significativo nos índices de produção se dá pelo grande volume de vendas para o mercado externo.

Diante dos avanços deste mercado, os produtores da região estão animados com as negociações, visto que, conforme o Sindicato dos Produtores Rurais de Passos (SinRural), mais de 80% das mercadorias já foram comercializadas.

Orientando sobre estratégias para manter a produção com bons lucros, Luciano Piza, engenheiro agrônomo, explica que o ideal é preparar as lavouras para receberem a próxima safra. “Estamos em um período de estiagem em toda a região e quem está no ramo do agronegócio sabe como a chuva faz toda a diferença para o desenvolvimento das plantas. Para que no ano que vem o café mantenha seus rendimentos, é preciso começar a cuidar dos arbustos desde já, porque eles precisam de água e muitos nutrientes para crescerem saudáveis, o que reflete na classe da bebida. Produzindo grãos de qualidade e em alta demanda, certamente os negócios seguirão positivos”, explicou.

Na fazenda de Wagner Leonel dos Santos já foram embalados o equivalente a 650 sacas de 60Kg de café, sendo cerca de 200 unidades a mais do que estava acostumado. “A procura está excelente, em quase 20 anos de mercado, nunca vi as vendas tão aquecidas. Quem é esperto sabe aproveitar as oportunidades e, por isso, decidi investir mais neste ano. Fiquei surpreso com a quantidade de frutos que brotou na lavoura, eu esperava que este ano fosse produtivo, mas com certeza, superou minhas expectativas! Agora, já vendi quase todo o meu estoque e, sem dúvidas, estou providenciando os cuidados necessários para a safra futura”, destacou.

Como efeito da grande quantidade de café colhido, muitos profissionais passaram a enfrentar dificuldades parta encontrar espaço disponível em armazéns, já que o envio dos produtos comprados por estrangeiros também se tornou mais lento e burocrático, considerando as novas exigências em fiscalizações sanitárias para identificar e conter a covid-19.

Buscando minimizar o problema, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) passou a oferecer serviços assistenciais aos produtores, disponibilizando uma plataforma com informações do Sistema de Cadastro Nacional de Unidades Armazenadoras (Sicarm), a qual indica as empresas com estoques vagos.

Outro fator que também reflete no rendimento dos produtores é a valorização das taxas de câmbio, isto é, quando o dólar americano está em alta no Brasil, o preço cobrado pelo café nos Estados Unidos tende a cair, em razão de que o produto é cotado no mercado externo, o que isso estimula o ritmo de compras. Na última avaliação realizada pelo Centro de Comércio de Café do Estado de Minas Gerais (CCC-MG), nesta quinta-feira, 01, a saca de 60 Kg ficou em R$ 562 no sul e sudoeste do estado.

 

Fonte: Folha da Manhã
Faça seu comentário usando o Facebook