Covid-19: cinco cidades concentram 40% das mortes em Minas Gerais

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A evolução dos casos de COVID-19 até superar a impressionante marca de 100 mil óbitos variou bastante entre estados e municípios. Ao longo dos últimos cinco meses, a doença afetou com mais intensidade algumas regiões e localidades do que outras. Nessa estatística trágica, a capital mineira, apesar de registrar centenas de mortes pelo coronavírus, tem uma situação menos ruim do que a grande maioria das capitais e até mesmo entre os cinco municípios mineiros que concentram mais de 40% das vidas perdidas (Contagem, Governador Valadares, Juiz de Fora e Uberlândia, além de BH).

De acordo com dados coletados até quarta-feira (5), Belo Horizonte registrava 604 mortes por COVID-19, o que equivale a uma taxa de letalidade de 2,7%, a segunda menor entre os cinco municípios mineiros citados. Com uma população na ordem de mais de 2,4 milhões de pessoas, 0,9% delas já foi contaminada pelo novo coronavírus. O estatístico Bráulio Couto, que também é professor do Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH), ressalta que a taxa de mortalidade da capital mineira é uma das mais baixas em relação a outras metrópoles brasileiras.

“Comparado com as outras capitais, estamos em uma situação onde a taxa de mortalidade está baixa. A curva para Belo Horizonte está com 0,9% da população com COVID-19 registrada. Em nenhum lugar do Brasil se conseguiu efetivamente reverter a curva sem atingir um percentual alto de pessoas infectadas. Isso que a Finlândia, Dinamarca e Coreia do Sul conseguiram, Belo Horizonte pode talvez conseguir. Pode ser que consiga não ter essa tragédia que ocorreu nas outras capitais, mas como ainda tem muito hospedeiro, a curva ainda pode aumentar”, analisou.

Uberlândia é a segunda maior cidade de Minas Gerais. A taxa de letalidade está em 1,9% – a menor entre os cinco municípios. Ao todo, 249 pessoas perderam a vida por COVID-19 na localidade, o que dá uma média de 400 óbitos por milhão de habitantes – Belo Horizonte tem 248 mortes por milhão de habitantes. Com 12.903 casos, os cálculos indicam que 2,1% da população da cidade do Triângulo já foram infectados pelo coronavírus.

Com uma população na ordem parecida com Uberlândia, com 617.749 pessoas, Contagem tem a maior taxa de letalidade dos cinco municípios, com 4,7%. Com 189 óbitos, a cidade tem uma média de 306 vidas perdidas por milhão de habitantes. Ao todo, 4.013 casos já foram confirmados no município da Grande BH, o que equivale a 0,6% da população infectada.

“Uberlândia e Contagem têm um número de habitantes bem parecido. Uberlândia teve 2% da população com COVID. Tirando alguns países (Dinamarca, Finlândia, Coreia do Sul…), poucos conseguiram reverter a curva sem que acontecesse uma ocorrência muito grande na população. A partir do momento que mais de 1% da população tem COVID-19, a curva começa a cair. Tem esse comportamento no Brasil. Aqui em Minas, Uberlândia e Governador Valadares apresentaram curva, pois já atingiram um percentual muito alto”, disse Bráulio Couto.

Citada pelo estatístico, Governador Valadares tem a segunda maior taxa de letalidade entre os cinco municípios, com 3,5%. Ao todo, 154 pessoas já perderam a vida por COVID-19 na cidade, o que dá uma média de 588 mortes por milhão de habitantes. Com 4.339 casos, 1,7% da população – de 261.981 pessoas – já contraíram a doença.

Juiz de Fora, por sua vez, tem 123 óbitos por COVID-19, gerando uma taxa de letalidade de 3,4% e mortalidade por milhão de 236 vidas perdidas. Com uma população de 520.612 habitantes, a cidade já registrou 3.605 casos de COVID-19 e uma incidência de 0,7% da doença entre os seus moradores.

Maior mortalidade do país

No Brasil, de acordo com os cálculos feitos por Bráulio Couto, Belém é a capital que apresenta a maior mortalidade por milhão de habitantes, com 4.074 mortes. A cidade já contabilizou 2.057 óbitos, atingindo uma taxa de letalidade de 8%. Com uma população de 504.922 pessoas, a localidade tem 25.536 casos confirmados de COVID-19, o que representa 5,1% da população infectada.

O último índice é bem maior em Boa Vista, onde 11,2% da população contraiu a doença. A capital de Roraima tem 203.132 habitantes e já confirmou 22.650 casos. Com 386 óbitos, a taxa de letalidade da metrópole está em 2%, mas a mortalidade por milhão de habitantes está em 1.900 vidas perdidas.

Vida poupadas

Bráulio Couto também desenhou um cenário no qual se chegou a uma conclusão: de que pelo menos 2.227 mortes foram evitadas em Belo Horizonte. Para se chegar no número, o estatístico selecionou 19 capitais que apresentaram índices elevados de casos e óbitos por COVID-19 e pegou a mortalidade média por milhão de habitantes como base.

“Nestas capitais, 3% da população teve COVID-19, com uma mortalidade média de 1.163 óbitos por milhão de habitantes. Em Belo Horizonte, a mortalidade até o momento está em 248 óbitos por milhão de pessoas, com 0,9% da população com registro oficial de COVID-19. Se tivesse sido observada em BH a taxa de mortalidade das capitais que falharam no combate à COVID-19, teriam sido registradas 2.831 mortes. Pelo menos 2.227 vidas foram salvas em Belo Horizonte”, afirmou o estatístico, ‘descontando’ os 604 óbitos já confirmados na capital mineira.

As capitais levadas em conta pelo professor nos cálculos foram: Belém, Boa Vista, Rio Branco, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro, Porto Velho, São Luís, Vitória, Manaus, Cuiabá, Natal, Aracaju, Teresina, São Paulo, João Pessoa, Macapá, Maceió e Salvador.

Fonte: Estado de Minas Gerais
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