Covid-19: doença reduz expectativa de vida dos mineiros em seis meses

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As mortes provocadas pela pandemia da Covid-19 em 2020 reduziram a expectativa de vida dos mineiros em seis meses, passando de 78,2 anos para 77,6. O dado consta de levantamento realizado pela Fundação João Pinheiro, que revela que Minas demorou uma década para aumentar o indicador em três anos: de 75 para 78, o que representa uma perda de cerca de 20% do tempo de vida que se levou para adquirir nesse período.

De acordo com o estudo, divulgado em fevereiro, antes da pandemia, a esperança de vida ao nascer no Estado era de 78,2 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em nove meses, o coronavírus reduziu cerca de seis meses da expectativa de vida da população mineira, levando-a para 77,6 anos.

No levantamento, Belo Horizonte aparece como a quarta cidade de Minas cuja queda na expectativa de vida foi maior: 0,66 meses. A primeira é Governador Valadares (0,76 meses); a segunda, Ipatinga (0,74), e a terceira, Uberlândia (0,70).

De acordo com o autor do estudo e pesquisador da Fundação João Pinheiro, Olinto Nogueira, a esperança de vida ao nascer é um dos indicadores demográficos mais sintéticos e estruturais que existem, capaz de refletir o alcance da tragédia da pandemia. “É um indicador que se move lentamente, pois é muito difícil ter ganhos em esperança de vida, e, dificilmente, ele regride. Mas essa pandemia causou um retrocesso. É como se tivéssemos voltado para o mesmo nível de 2018”, explica.

Para Olinto, o impacto foi sentido em um dos Estados brasileiros relativamente menos afetados pela pandemia até então – Minas teve 540.316 casos confirmados de coronavírus e 12.519 mortes em decorrência da doença em 2020 – uma média de 59 óbitos por 100 mil habitantes, o que deixa o Estado em melhor posição (25º lugar) na comparação com as unidades federativas do país. “Isso nos dá uma dimensão da tragédia para outras localidades. Nos Estados Unidos, por exemplo, a pandemia retraiu a esperança de vida ao nascer em dois anos. A última vez que os americanos viram isso acontecer foi na Segunda Guerra Mundial”, exemplifica.

O estudo da João Pinheiro mostra que as pessoas mais afetadas pela Covid-19 em Minas no ano passado foram os idosos entre 70 e 79 anos. Nessa faixa etária, concentraram-se 83,8% das mortes na pandemia.

Outros fatores

O médico Diogo Dallas Barcellos, vice-presidente da regional Minas Gerais da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, considera que, além da Covid, outros fatores contribuíram para o aumento da mortalidade entre pessoas com mais de 60 anos: “Observamos que muitos pacientes estão cuidando menos de doenças crônicas, como pressão alta, diabetes e problemas cardíacos. Inevitavelmente, aumentou o número de mortes por essas causas”.

Ele ressalta que é fundamental se manter ativo no contexto atual. “Com a pandemia, aprendemos que é possível fazer atividades em casa. Pode subir e descer escadas, usar pesos pequenos, um elástico. É muito importante também cuidar da mente: é bom ler, ver filmes, fazer artesanato, fazer atividades em casa com a família”, orienta o médico.

 

Fonte: O Tempo
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