COVID-19 e a importância do uso de máscara, comprovada pela Ciência

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O número reprodutivo básico (R0) do SARS-CoV-2 é estimado na faixa de 1,4 a 3,9. A infectividade é maior do que a do vírus da influenza (gripe) e a disseminação global de SARS-CoV-2 é muito maior e pode estar associada a casos com sintomas graves e até mesmo fatais.

A ligação do SARS-CoV-2 ao receptor da Enzima de Conversão da Angiotensina 2 (ACE2), presente nas células do trato respiratório, faz com que aquelas pessoas com comorbidades médicas estejam em maior risco.

Por exemplo, um caso da China visitou a Alemanha, participou de uma conferência de negócios, mas os sintomas não apareceram até que o caso viajasse de volta para a China. Três dias depois, o paciente testou positivo para COVID-19. Dois dias depois, seus companheiros apresentaram sintomas e foram posteriormente confirmados.

Como medida básica de intervenção não farmacológica, o uso de máscara é um meio eficaz de prevenção de doenças infecciosas respiratórias, podendo reduzir o risco de transmissão e infecção.

Em uma grande revisão sistemática de intervenções físicas para controlar a propagação de doenças infecciosas, concluiu-se que o uso de máscaras é eficaz como uma das barreiras importantes para a transmissão de vírus respiratórios.

Outros estudos também encontraram evidências de que o uso de máscaras pode reduzir significativamente o risco de SARS-Covid-2 e doenças relacionadas à influenza. Estudos feitos utilizando um modelo matemático descobriram que o uso de máscaras é a escolha ideal para reduzir o número de infecções transmitidas por disseminação aérea.

Além disso, os custos do uso de máscaras também são os mais baixos para a sociedade por se tratar de uma intervenção simples e acessível.

Durante a pandemia SARS-Covid, uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, Cingapura, China Taiwan e Hong Kong mostrou que o significado de usar máscaras teve efeitos diretos na prevenção de doenças e se tornou um meio de aumentar a conscientização pública sobre outras medidas, como o isolamento social.

Uma pesquisa sobre a utilização e eficácia das máscaras em 12.710 amostras de mais de 50 países no mundo, revelou que usar máscaras em locais públicos pode reduzir o risco de infecções respiratórias em até 20%. A necessidade do uso de máscaras pelo público durante a pandemia de COVID-19 é pouco enfatizada em alguns países.

Considerando o efeito das máscaras, um estudo de intervenção em residências universitárias durante a temporada de influenza mostrou uma redução de 51% e 35%, respectivamente, na taxa de infecção por influenza no grupo com máscara e higiene das mãos em comparação com o grupo sem máscara.

Portanto, o uso de máscara e a higienização das mãos deve ser encorajado durante os surtos de viroses respiratórias, especialmente durante o início de uma pandemia, quando as vacinas podem não estar ainda disponíveis.

A eficácia do uso comunitário de máscaras foi positivamente relacionada com a redução do risco de infecção clínica, evitando a inalação de patógenos e reduzindo o contato face a face. Em conjunto, essas evidências reforçam que o uso de máscaras é capaz de reduzir a carga de doenças infecciosas.

Diversos pesquisadores avaliaram problemas com trocas gasosas, ou seja, mudanças no nível de oxigênio ou níveis de dióxido de carbono em indivíduos saudáveis, bem como em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) antes e durante o uso de máscaras cirúrgicas. Foi observado que em geral as pessoas devem esforçar-se mais para respirar, o que pode levar à falta de ar e / ou sensação de cansaço.

Entretanto, a sensação de falta de ar, sentida por alguns com máscaras, não é sinônimo de alteração nas trocas gasosas.

Provavelmente ocorre por restrição do fluxo de ar com a máscara, em particular quando é necessária maior ventilação durante o esforço.

É importante informar ao público que o desconforto associado ao uso da máscara não deve levar a preocupações de segurança infundadas, pois isso pode atenuar a aplicação de uma prática comprovada para melhorar a saúde pública.

Não devemos acreditar que as máscaras matam.
Fonte: Saúde Plena
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