Cultura da agricultura familiar é base da cafeicultura de Juruaia

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O café é o produto agrícola mais importante do Sul de Minas. Em uma região tão montanhosa, que dificulta a mecanização em grandes áreas, a agricultura familiar desempenha um papel fundamental para manter as lavouras.

Até em cidades como Juruaia, conhecida pela produção de lingeries, a cafeicultura é uma tradição que atravessa gerações. É o caso do produtor Mateus Florio Filho.

“Eu acompanhava meu pai desde pequeno. Quando eu fiz 16 anos, ele me pediu para eu cuidar da minha vida porque ele não tinha condições de me ajudar. Conhecei plantando uns pezinhos de café na terra dele”, relembrou o produtor de café.

O grão ajudou com as contas e virou o sustento da casa. Hoje o café é fonte de renda para ele e mais três filhos. Um deles ainda acrescentou na lavoura familiar o conhecimento científico.

“Fiz o [curso] de técnico agrícola e já vinha antes [do estudo] acompanhando parte de terreiro, ajudando na parte de processamento”, comentou Silas Florio, também produtor de café.

Mateus começou aos 16 anos. Mesma idade que o filho Silas descobriu o gosto pela cafeicultura. E o filho do Silas, de cinco anos de idade, já mostra interesse em seguir nessa tradição de família

“[Gosto de] colocar café na carreta. [Gosto da produção porque] café é muito importante, [aprendi isso] com o papai”, disse o pequeno produtor Renato Souza Florio.

A família se mantem unida em torno dos cuidados de 30 hectares de café.

“É um prazer que a gente tem de ser familiar, os filhos estão nesse caminho que eu vim. Meu pai e meu avô eram agricultor. Meu filho vem vindo, meu neto”, disse Mateus Florio.

De acordo com a Secretaria de Agricultura de Juruaia, a cidade das lingeries também respira café. E a cultura está nas mãos dos cerca de 850 produtores. Metade da produção, estimada em 160 mil sacas este ano, vem de micro e pequenos agricultores.

“Geração de emprego e afixação dessas famílias no campo. São culturas sustentáveis e essas culturas vêm passando de geração para geração”, comentou o secretário Márcio Henrique Silva.

Esses cafeicultores da agricultura familiar acabam mudando até a paisagem na zona rural de Juruaia. São várias pequenas lavouras que representam essas famílias.

“Essas propriedades variam de um, três, cinco, até 30 hectares. Na sua maioria pequenas e micro propriedades rurais. Nessa declividade uma agricultura empresarial não teria como se adaptar por causa do relevo”, salientou Márcio.

Para a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), as produções familiares não perdem para as propriedades empresariais.

“Apesar de pequenas unidades de produção, propriedades menores, elas conseguem ter competição em termos de eficiência econômica e produtiva às grandes propriedades. Você tem propriedades familiares com bons índices de produtividade e excelentes resultados econômicos, eficiência no uso de insumos e também boa adequação tecnológica, ela não deixa nada a desejar às propriedades empresariais”, garantiu o extensionista da Emater, Clóvis de Piza.

O produtor Silas Filho aponta que no que depender da família dele a tradição será mantida.

“O futuro na região eu acho que vai ser o café, são pequenas propriedades, montanhosas, então acho que não tem como sair do ramo. O café, para a agricultura familiar, está sendo um bom investimento”, disse.

Fonte: G1 / Foto: Claudemir Camilo/EPTV

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