Dez faculdades de Belo Horizonte retornaram às aulas presenciais, com restrições

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Instituições conseguiram autorização da Secretaria Municipal de Saúde para retorno às aulas laboratoriais e práticas para cursos na área da saúde, como também na educação de nível técnico

O retorno a uma aparente normalidade não parece mais tão distante a alunos de dez centros universitários de Belo Horizonte que, matriculados em cursos ligados à área da saúde ou da educação técnica, começam a retomar aos poucos a rotina de aulas presenciais. Com uma série de restrições e protocolos impostos pelas próprias faculdades, após inspeções da Vigilância Sanitária, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) autorizou o retorno às aulas práticas e laboratoriais, e, em algumas das instituições, há o regresso pela primeira vez às salas de aulas em novembro – cerca de oito meses depois de terem saído pelas portas dos campi antes da interdição completa obrigada pela pandemia do novo coronavírus.

O retorno às aulas práticas é o que aguarda estudantes de alguns cursos da Universidade FUMEC, na região Centro-Sul da capital mineira. Além dos estudantes de graduações e pós-graduações ligadas à área da saúde, a instituição também abrirá as portas para alunos matriculados em outras áreas, mas que necessitam da prática para concluir a formação, como esclarece o pró-reitor de graduação, João Batista.

“São os laboratórios específicos da área da saúde, como de anatomia e de análises clínicas, mas temos também laboratórios, por exemplo, da área de engenharia, como laboratórios de materiais, laboratório de química… Faz parte da resolução do secretário de Saúde do município a liberação. Hoje temos um número muito reduzido de alunos frequentando o campus. São aqueles que especificamente vão para aulas nos laboratórios”, relata. De acordo com ele, há um controle de acesso ao campus e protocolos básicos e comuns como a obrigatoriedade do uso de máscara e a disponibilidade de álcool em gel.

A sensação de tornar à prática oito meses sem quaisquer contatos com laboratórios é compartilhada também por alunos do UniBH, na região Oeste da capital mineira. A caminho da formatura, a estudante Paula Schweizer, matriculada no oitavo período de odontologia, diz estar tranquila quanto aos protocolos de segurança adotados na unidade e, principalmente, aliviada pelo retorno às aulas.

“Eu tenho aula no laboratório de pré-clínica às segundas, de cirurgia às terças e de clínica integrada às quartas. Nós recebemos um kit de paramentação com capote, máscara N95 e outros equipamentos. O mais importante é poder dar continuidade ao atendimento de pacientes que é feito gratuitamente aqui no campus, e acabou suspenso pela pandemia. É muito necessário, principalmente para quem está na reta final do curso”, detalha ela.

O cuidado com pacientes a que ela se refere é parte de um projeto do UniBH que presta serviços de saúde gratuitos à população nas áreas de clínico geral e odontologia – a unidade tem, aliás, um programa para atendimento odontológico a pessoas com deficiência. A importância de retomar este atendimento à comunidade é, para o diretor Eduardo França, uma das principais vantagens do retorno dos alunos à rotina de estudos.

“A gente entende que é um ganho duplo. A possibilidade do retorno reforça o processo de aprendizagem dos alunos naquilo que é imprescindível com a prática, o aprender fazendo, mas por outro lado, garantir que a população seja atendida”. Até agora, retornaram às atividades práticas estudantes dos cursos de medicina, odontologia, medicina veterinária, fisioterapia, enfermagem e biomedicina.

“Nós seguimos os protocolos municipais, mas também desenvolvemos outros protocolos próprios. Importante destacar que fomos orientados pela Vigilância Sanitária, após inspeções. A gente retirou cadeiras, realizou demarcações em bancadas, existe a obrigatoriedade da máscara, e a potência da máscara é determinada pelo procedimento que o aluno irá fazer. Em alguns casos é necessária uma máscara N95, um capote… Os cursos odontologia, por exemplo, demandam uma paramentação maior”, detalha.

Situação semelhante também se dá em três unidades da Pontifícia Universidade Católica (PUC) que começaram a receber alunos na última quinta-feira (5). O pedido para liberação de aulas práticas e laboratoriais dos cursos do Instituto de Ciências Biológicas e Saúde (ICBS) foi feito à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) no mês de setembro, quatro dias após o decreto, e a autorização saiu apenas em novembro, após duas visitas da Vigilância Sanitária.

“A solicitação foi feita para que ocorressem as aulas práticas e laboratoriais dos cursos ligados do ICBS. A partir dessa solicitação, recebemos em 20 e 21 de outubro visitas muito rigorosas da Vigilância Sanitária, que nos autorizou. As aulas, importante destacar, estão retornando de forma escalonada e gradual, seguindo um rigoroso protocolo sanitário que a universidade estabeleceu”, ressalta o professor Martinho Campolina, coordenador do Instituto de Ciências Biológicas.

A liberação contempla também a possibilidade do atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). “Nós recebemos autorização também para atendimento de pacientes do SUS nas nossas clínicas intramuros. Agora, esse atendimento também retornará de forma gradual e escalonada”, destacou. Estão permitidas aulas nas unidades do Coração Eucarístico, Praça da Liberdade e Barreiro.

Primeiro centro universitário de Belo Horizonte a retomar aulas presenciais, a Faculdade de Ciências Médicas, na região Central, informou que as aulas teóricas, bem como em outras instituições, permanecem à distância. “Apenas as atividades práticas laboratoriais foram retomadas de forma presencial. As aulas de perfil teórico permanecem sendo ministradas de forma remota. Desta forma, a faculdade optou por transformar todas as salas de aula em extensão dos próprios laboratórios de prática. Os alunos passaram a vir em turnos contínuos para uma única atividade apenas, retornando para suas residências a seguir”, declarou o diretor José Celso Cunha Guerra Pinto Coelho. A unidade retomou as atividades presenciais ainda no mês de junho.

O retorno às aulas também aconteceu nas unidades Linha Verde, Barreiro, Cristiano Machado e Cidade Universitária da Una logo na penúltima semana do mês de setembro com autorização da PBH. Puderam voltar aos laboratórios para aulas práticas os alunos de cursos ligados às áreas da saúde que também dependem da experiência para a própria formação. Há revezamento entre as turmas e foram criados grupos menores para evitar aglomerações nas dependências das unidades.

Decreto da PBH

Publicado no Diário Oficial do Município (DOM) em 23 de setembro, o decreto da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) expressa que só poderão voltar às aulas presenciais as instituições de ensino universitário para aulas laboratoriais e práticas nos cursos da área da saúde e as escolas de nível técnico, desde que com autorização da Secretaria Municipal de Saúde. Já foram autorizadas: UniBH, Una, Ciências Médicas, Faminas, PUC-MG, FUMEC, Unifenas, Faculdade Promove, Centro Universitário Newton Paiva, Instituto Modal e Facemg.

 

 

Fonte; O Tempo
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