Dia do Diabetes: falta de exercícios por isolamento acende alerta a diabéticos

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O Dia Mundial do Diabetes, lembrado neste sábado (14), chega ao país com dados preocupantes para os portadores da doença. Pesquisa intitulada “O impacto da Covid-19 em pessoas com diabetes no Brasil”, publicada em agosto no jornal oficial da Federação Internacional de Diabetes, aponta, entre 59,4% dos entrevistados, piora no controle da glicemia – nível de glicose no sangue.

Dentre os hábitos recomendados para o tratamento do diabetes, a atividade física foi a mais impactada, com redução relatada por 59,5% dos participantes do estudo. Entre eles, 44,8% disserram ter reduzido significativamente a prática esportiva e 14,7% afirmaram ter diminuído de forma leve. Além disso, 38,4% do grupo postergaram consultas médicas e exames de rotina e 40,2% não marcaram atendimento médico desde o início da pandemia.

O cenário apresentado no artigo tem vários pontos em comum com os desafios enfrentados por Mirian Pereira dos Reis, 48, funcionária do ateliê da família, dedicado à preparação de noivas. Como 26,1% dos entrevistados, ela teve de parar de trabalhar por orientação médica e não sai de casa desde o início da pandemia.

“Chorei muito no começo. Meu dinheiro diminuiu demais e tive de escolher entre as consultas e pagar o plano de saúde. Se não fosse minha médica me ajudar e me passar orientações pelo celular, não sei como eu faria”, ressalta.

No início, a taxa de açúcar no sangue descontrolou, e ela associa a mudança também à saúde emocional. “Foi muito difícil aceitar essa nova condição. Tive de me reinventar, começar a fazer caminhadas em casa, cuidar mais da alimentação, fazer crochê e temperos para vender, pegar firme na religião, para me sustentar e ficar bem; saúde física, no diabetes, e emocional”, explica.

Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes Regional Minas Gerais (SBD-MG) e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia no estado (SBEM-MG), Patrícia Fulgêncio chama a atenção para o dado da publicação relativo ao descontrole da glicemia. “O próprio isolamento pode aumentar a ansiedade e corroborar para a piora no controle do nível de glicose. Por isso, o foco no acompanhamento médico e nos exercícios físicos é tão importante, mas o estudo mostra que não estão ocorrendo”, destaca.

Como estratégias possíveis para manutenção do acompanhamento médico, Patrícia Fulgêncio indica a monitoração glicêmica através da glicemia capilar, pois o Sistema Único de Saúde (SUS) fornece fita e o monitor e, na medida do possível, buscar as teleconsultas. “O que não pode é o paciente ficar isolado sem avaliar a glicose direito, esperando a pandemia passar”, frisa.

Risco generalizado é mito

A médica afirma ser um mito todos os pacientes com diabetes terem risco de contrair a forma mais grave da Covid-19. Nos pacientes jovens, sem outras comorbidades, com bom controle glicêmico e menor tempo de diagnóstico, o risco equivale a um indivíduo não diabético da mesma idade. Dessa forma, nem todos com diabetes tem risco aumentado para contágio pelo novo coronavírus.

Com relação à prática de exercícios, Patrícia Fulgêncio é enfática: eles são essenciais. No isolamento, as pessoas tendem a consumir maior quantidade de alimentos e, principalmente, comidas mais calóricas e menos saudáveis. Paralelamente, há uma redução na prática de atividade física e no gasto calórico. “Para os diabéticos, esse ciclo é ainda mais vicioso, pois esses hábitos contribuem tanto para o descontrole do peso quanto da glicose. Como também para redução da auto-estima e aumento da ansiedade”, acrescenta.

A pesquisa foi respondida por 1.701 indivíduos, 75,54% eram do sexo feminino, 70,78% entre 18 e 50 anos, 64,96% dos entrevistados eram do Sudeste do Brasil, sendo 42,6% do estado de São Paulo e os principais tipos de diabetes eram tipo 1 (60,73%) e tipo 2 (30,75 %). As respostas foram coletadas de 22 de abril a 4 de maio.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, no país, hoje, mais de 13 milhões de pessoas convivem com a doença, e o número tende a aumentar. As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), como diabetes, são responsáveis por mais de 70% das mortes, no Brasil, sendo o excesso de peso o maior fator de risco para o aumento da comorbidade.

 

Fonte: O Tempo

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