Economia da Catalunha sofre efeitos profundos da onda separatista

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Fuga de empresas e queda no turismo já afetaram finanças catalãs para futuro próximo.

Transferência de sedes de empresas da Catalunha faz defensores da independência sacarem dinheiro em protesto – LLUIS GENE / AFP

 

Além de aprofundar a divisão da Catalunha em dois campos antagônicos, a tentativa de secessão em outubro foi responsável por um baque econômico do qual a região mais rica da Espanha — e uma das mais dinâmicas da Europa — pode demorar a se recuperar. Desde então, mais de três mil empresas retiraram suas sedes da Catalunha, e o turismo, que representa cerca de 12% do PIB local, sofreu uma queda de pelo menos 5% em outubro, amplificando as baixas registradas após o atentado jihadista de agosto, que deixou 16 mortos. Para o primeiro trimestre de 2018, o número de reservas em hotéis de Barcelona é 10% menor do que o esperado.

As dificuldades do setor turístico, que emprega mais de 400 mil pessoas, impactaram os índices de emprego da região, acentuando o aumento do desemprego esperado para o fim do ano, diz a Pimec, principal sindicato patronal de pequenas e médias empresas catalãs.

De acordo com um levantamento da escola de comércio Esade, 25% dos empresários catalães reduzirão suas contratações em 2018, e 46% congelaram seus investimentos. A crise também atingiu o consumo: as vendas se mantiveram estáveis em nível nacional, mas tiveram uma queda de quase 4% na região em outubro.

Incertezas acentuam crise

Entre as cerca de 3.100 empresas que retiraram suas sedes da Catalunha — por causa da insegurança jurídica causada por uma possível secessão e do risco de ver seus produtos boicotados — estão o grupo Gas Natural e a concessionária de estradas Abertis. Também saíram os bancos CaixaBank e Sabadell, que temiam perder o financiamento do Banco Central Europeu. As agências de classificação de risco Standard and Poor’s e Fitch alertaram, em outubro, que poderiam rebaixar a classificação catalã, o que impediria financiamentos nos mercados internacionais.

Segundo o ministro da Economia espanhol, Luis de Guindos, o crescimento da Catalunha foi “reduzido praticamente à metade” no último trimestre de 2017. O governo espanhol antecipou uma redução de 0,3% nas previsões de crescimento, mas destacou que esse número pode se inverter caso a situação “volte à normalidade”. O Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também expressaram preocupações com uma desaceleração do crescimento.

— Se as incertezas se reduzirem nos próximos meses, os efeitos da crise serão transitórios e relativamente limitados — afirma Miguel Cardoso, economista-chefe do banco BBVA. — Mas se elas se prolongarem, os efeitos serão duradores. No momento, tudo é bem incerto.

Via OGlobo
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