Família registra boletim por omissão de socorro após morte de bebê

Uma família de Cabo Verde (MG) registrou boletim de ocorrência contra um médico por omissão de socorro. O caso aconteceu após uma bebê de 8 meses morrer no sábado (6). Eles visitavam a avó da criança, que mora na cidade. A criança teria sido liberada duas vezes pelo plantonista da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São João da Boa Vista (SP). Segundo a avaliação médica, a situação da menina era sem gravidade.

O laudo apontando a causa da morte de Elloah deve sair em uma semana.

Além disso, a UPA emitiu nota afirmando que os protocolos de atendimento foram seguidos, mas que vai abrir sindicância para apurar a situação. O médico acusado foi afastado do serviço.

Foto: Reprodução

Atendimento

A mãe de Elloah, Mayara Ferreira Martins, estava com a garota visitando a avó.

Conforme o relato de Mayara, a bebê começou a apresentar falta de ar e vômito na quinta-feira (4). Foi neste dia que aconteceu a primeira visita à UPA. Após diagnosticar como problema respiratório e receitar antialérgico e inalação, o médico liberou a menina. Ainda preocupada com a saúde, a mãe pediu um raio-X.

“Naquele momento ele foi ríspido e grosso, falando para mim que era o médico e ele iria examinar minha filha e falar para mim o que ela tinha, que eu não precisava pedir”, contou.

Já na sexta-feira (5), Elloah apresentou piora e precisou voltar à UPA. Mãe e filha encontraram o mesmo médico atendendo. Ele teria dado o mesmo diagnóstico e dito a Mayara que não adiantava voltar, que caso outro médico passasse um antibiótico, a menina tomaria o remédio sem motivo.

Quadro agravado

No sábado (6), após a bebê ter chorado por toda a noite, a mãe retornou à UPA. Desta vez, ela foi atendida por outro médico, que pediu o raio-X. De acordo com Mayara, a imagem revelou que o coração de Elloah estava inchado e pressionando outros órgãos.

Ela afirma que talvez se o primeiro médico tivesse feito o exame e visto a situação, que a menina poderia ter sido salva.

Foto: Ely Venancio/EPTV

A pedido do segundo médico, Elloah foi então internada na Santa Casa, porém faleceu três horas depois. A causa da morte foi apontada como parada cardiorrespiratória.

“Eu não estou aqui para fazer justiça por dinheiro não, eu estou falando isso tudo pela minha filha, porque eu não quero que aconteça com outras pessoas o que está acontecendo comigo. A dor que estou sentindo é muito grande de ter perdido ela. Ela era tudo o que eu tinha de mais lindo na minha vida”, disse.

Afastamento

A direção técnica da UPA afirmou em nota que todos os protocolos de atendimento foram seguidos. Contudo, ainda assim instaurou sindicância para apurar os fatos.

Durante o desenrolar da investigação, o médico permanecerá afastado.

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