Fantasma do lockdown assombra três regiões de Minas com alta incidência da COVID-19

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Com a curva ascendente de novos casos e mortes por COVID-19 em Minas Gerais – já são 26.052 infectados e 600 óbitos confirmados –, o governo estadual já iniciou estudos para decretar o isolamento total – o lockdown – em determinadas regiões. Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES) atualizados até ontem e analisados pela reportagem, três macrorregiões de saúde estão em situação mais grave: Vale do Aço, Triângulo do Norte e Sudeste. As cidades dessas áreas registram as maiores incidências de casos e mortes a cada 100 mil habitantes no estado (veja quadro). Além disso, a ocupação de leitos no sistema de saúde – uma das métricas usadas pelas autoridades para decidir sobre o isolamento social – é alta ou total. Só entre ontem e quinta-feira, o estado confirmou 1.146 novos casos e 30 mortes.

A possibilidade de lockdown, já admitida na quinta-feira pelo secretário de estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, voltou a ser mencionada ontem, dessa vez pelo chefe de gabinete do órgão de saúde, João Pinho. “Estamos em momento um pouco complicado, com aumento expressivo de ocupação de leitos e marca histórica de óbitos. O Minas Consciente foi lançado, mas alguns municípios não seguiram as orientações, optaram por outras iniciativas, é uma prerrogativa deles, mas acabou ocorrendo aceleração da pandemia. Então, há cerca de 10 dias estamos debatendo com a polícia, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil a criação de protocolo para lockdown, caso seja necessário. Não é para todo o estado, mas para alguns locais. Esperamos não precisar de usá-lo, mas se houver piora, infelizmente a gente pode ter de recomendá-lo ou até ser mais incisivo”, afirmou.

Para orientação do processo de reabertura do comércio das 14 macrorregiões de saúde de Minas Gerais, a administração estadual avalia critérios epidemiológicos, econômicos e estruturais do sistema de saúde. Entram na análise parâmetros como taxa de transmissão do vírus (Rt), incidência de casos, índice de isolamento social e ocupação de leitos clínicos e de UTI.

Na quinta-feira, a preocupação do Executivo estadual já havia ficado clara com o anúncio de mudanças de faixa de duas regiões dentro das orientações programa Minas Consciente sobre a reabertura do comércio. A macrorregião Centro voltou para a chamada onda verde, quando somente os serviços essenciais podem funcionar. A Região Norte recuou da onda amarela para a branca, de mais restrição. No planejamento do governo, 510 municípios estão na onda verde, 290 na branca e 53 na amarela. Das 853 cidades mineiras, porém, apenas 151 (17,7%) aderiram ao plano.

No começo de junho, em entrevista à CNN Brasil, o governador Romeu Zema já admitia a possibilidade de lockdown no Vale do Aço, onde moram cerca 840 mil pessoas. “Estamos aqui, com a lupa, acompanhando o Vale do Aço, Ipatinga e cidades vizinhas. Nos preocupa muito o grande crescimento de casos”, afirmou. Ontem, segundo a SES, não havia leitos de terapia intensiva disponíveis para tratamento de COVID-19 no sistema público de saúde da região. Todas as 150 UTIs estavam ocupadas. Já a ocupação de leitos de enfermaria é de 72%: estavam desocupadas 92 das 331 vagas.

Nova etapa

A Secretária de Saúde contabilizava até ontem 1.831 casos e 51 mortes pelo novo coronavírus no Vale do Aço. A cada 100 mil habitantes, 218 foram comprovadamente infectados. A incidência de óbitos é a maior do estado: seis para cada 100 mil habitantes. O município mais afetado é Ipatinga, com 803 casos e 26 mortes. Ontem, começou uma nova etapa de reabertura do comércio na cidade, com lojas e feiras podendo funcionar com horário reduzido. A orientação do governo estadual, por meio do Minas Consciente, é que apenas os serviços essenciais funcionem. Coronel Fabriciano registra 344 casos e uma morte, enquanto Santana do Paraíso tem 178 casos e quatro óbitos.

Na macrorregião de Saúde Triângulo do Norte, não há leitos de UTI e clínicos no sistema público disponíveis para tratamento de COVID-19. De acordo com a SES, as 256 UTIs e os 754 leitos de enfermaria estavam ocupados ontem. A região tem cerca de 1,3 milhão de habitantes e registra 3.039 casos e 61 mortes. A incidência de casos por 100 mil pessoas é a maior do estado (234), enquanto a de óbitos chega a 4,7. Uberlândia lidera, com 2.659 casos e 51 mortes. Já Araguari registra 122 casos e uma morte, enquanto Patrocínio contabiliza 47 casos e três óbitos. A recomendação do governo estadual para essas cidades, por ora, também é de manter somente os serviços essenciais funcionando.

As incidências de casos e mortes por 100 mil pessoas na macrorregião Sudeste também estão entre as maiores no estado. A SES confirmava até ontem 2.554 casos e 87 mortes, em uma região onde moram mais de 1,6 milhão de pessoas. A cada 100 mil delas, 153, em média, foram infectadas pelo coronavírus e 5,2 morreram de COVID-19.

Já a ocupação de leitos é menor que a das outras macrorregiões, mas também é alta, especialmente para pacientes em estados mais graves. De acordo com a SES, das 355 UTIs, 325 estão ocupadas, enquanto 905 dos 1.585 leitos clínicos estão livres. As ocorrências da doença no Sudeste se concentram em Juiz de Fora, que tem 955 casos e 39 mortes, bem como Muriaé – 448 casos e 13 óbitos – e Carangola, com 135 casos e quatro óbitos.

Apesar de não estar entre as regiões com maior incidência por 100 mil habitantes, a macrorregião Centro, que abriga a Região Metropolitana de Belo Horizonte, contabiliza os maiores números absolutos de casos e mortes. Até ontem, a SES contava 9.102 casos e 187 óbitos na região, que tem maior concentração populacional de Minas, de mais de 6,5 milhões de pessoas. A incidência média de casos a cada 100 mil habitantes é de 138 e de mortes de 2,8. E há pressão na disponibilidade de leitos (leia abaixo). A Região Metropolitana de BH concentra os números na região. A pasta estadual de Saúde calculava até ontem 3.879 casos e 90 mortes na capital. Contagem tem 746 casos e 29 mortes, e Betim registra 457 casos e 18 óbitos. De acordo com a recente mudança no Minas Consciente, as cidades da Região Central devem manter apenas os serviços essenciais funcionando. A adesão ao programa, entretanto, não é obrigatória.

 

Fonte: Estado de Minas

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