Fonte Pedro Botelho é vítima de pichação

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Complexo Fonte Pedro Botelho “Fonte Leãozinho”.

Cada dia surge uma nova pichação no complexo da Fonte Pedro Botelho, que inclui as nascentes Chiquinha e Mariquinhas e a fonte do leãozinho. Paredes, janelas, bancos e muros aparecem cheios de rabiscos, sendo danificados constantemente pelo vandalismo das pichações. A praça Dr. Eliziário Junqueira, bem ao lado, que abriga o calendário floral, também tem merecido a atenção dos pichadores e volta e meia aparece com os bancos sujos de rabiscos.

De acordo com o secretário de Turismo Ricardo Oliveira, as pichações não acontecem apenas no complexo da fonte do leãozinho. “Infelizmente, existem pessoas que não compreendem o que é preservação e temos este problema em vários patrimônios históricos. Uma lástima que alguns malfeitores prejudiquem esses bens públicos. A população acaba pagando o preço da limpeza e os turistas se defrontam com um visual nada bonito na cidade. Eu peço que os poços-caldenses denunciem esses vandalismos”, pontua ele.

Limpeza

O secretário de Turismo anuncia que a partir de hoje (20) uma equipe fará uma avaliação para realização da reforma e limpeza do espaço. “Já vamos dar início à limpeza e pintura dos patrimônios”, diz ele.

Educação

A arquiteta e urbanista Carolina Nassif comenta que a pichação é um manifesto, uma forma de se expressar como tantas outras, porém, algumas pessoas fazem isto por diversão e adrenalina. “Para sabermos de qual vertente estes pichadores fazem parte temos que conhecê-los, ouvi-los. Uma coisa muito me intriga quando vejo estas pichações na “fonte do leãozinho”, é sempre ali. E não é falta de ocupação, este espaço é muito ocupado e por diferentes pessoas”, pontua ela.

Carolina observa que os locais públicos são mais visados pelos pichadores. “Dificilmente vemos pichações em edifícios privados, diria que 90% das pichações acontecem em edifícios públicos, em especial no leãozinho, na Thermas, estação da antiga Mogyana, Museu, sempre nestas imediações. Analisando friamente, acredito que estes edifícios não significam nada para estas pessoas. O que é a Thermas para eles? Quando estes meninos entram neste espaço? É uma questão de pertencimento. Ou, simplesmente estão querendo agredir os gestores públicos. Agredir no sentido de que querem atenção, querem mostrar que não está bom para eles”, expõe a arquiteta.

E ela analisa que só enxerga uma solução: educação. “Educação de qualidade, que proporcione espaço para se expressarem, manifestarem, discutirem, conhecerem e se relacionarem com os locais públicos”, diz.

Mas Carolina também acredita em punição, uma bem diferente do que a lei propõe. “Também acho que deve haver uma punição. E ela seria estas pessoas prestarem serviços nestes espaços, conhecerem estes espaços, estarem próximos aos funcionários, entenderem como funciona e de onde vem o dinheiro para mantê-los, a importância da manutenção deles para o turismo e a cadeia econômica e, principalmente, a importância histórica. Vale ressaltar que há alguns anos existem projetos de educação patrimonial realizado pela Divisão de Patrimônio e a Secretaria de Educação e este ano houve ampliação deste trabalho com o projeto “Você é Poços”. Isto é um avanço. O resultado disto virá lá na frente”, finaliza a arquiteta.

Crime

A prática de pichar, grafitar ou de qualquer forma sujar edificação ou monumento urbano sujeita o infrator a até um ano de detenção, além de multa. Se o ato for realizado em monumento ou prédio tombado em virtude do seu valor artístico, arqueológico ou histórico, a pena poderá ser de seis meses a um ano de detenção, com multa.

Pichar x grafitar

O pichador e o grafiteiro são duas pessoas com visões diferentes das intervenções urbanas. Considera-se grafite uma inscrição caligrafada ou um desenho pintado ou gravado, visto como forma de expressão incluída no âmbito das artes visuais, mais especificamente da arte urbana, em que o artista aproveita os espaços públicos e privados criando uma linguagem para interferir na cidade. Pichar é o ato de escrever ou rabiscar sobre muros, fachadas de edificações, asfaltos ou monumentos. No geral, são escritas frases de protesto ou insulto, assinaturas pessoais ou mesmo declarações de amor, também utilizadas como forma de demarcação de territórios entre grupos.

Via jornalmantiqueira
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