Governo de Minas ainda não definiu quais cidades receberão doses extras de vacinas para Covid

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Uma semana depois de o governador Romeu Zema (Novo) ter anunciado que enviaria doses extras aos municípios mais avançados na vacinação contra a Covid, o governo de Minas ainda não definiu quais serão os municípios beneficiados. A intenção é utilizar os 5% de imunizantes que ficaram guardados para a reserva técnica. Mais de 27 mil vacinas chegaram a Minas e ainda não foram enviadas às regionais de saúde.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas (SES-MG) afirma que está concluindo a análise dos dados de vacinação enviados pelos municípios para elencar os critérios. Mas, para o presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Julvan Lacerda, não será fácil para o governador manter a promessa de maneira transparente.

“Afinal, qual critério o governo vai usar para dizer quem vacinou mais? O que está guardado é para a segunda dose, conforme orientação do governo”, afirma Julvan, prefeito de Moema.

Segundo ele, até a semana passada, não havia clareza na orientação aos municípios sobre como os dados deveriam ser lançados, e, por isso, eles, muitas vezes, não refletiam a realidade. Algumas cidades estavam alimentando o sistema do SUS, conforme a lei, mas não sabiam que também deviam fazer isso na plataforma da SES-MG. “Agora, ficou mais claro para os prefeitos, e você perceberá um grande volume de dados entrando no sistema estadual”, diz.

Muitos gestores públicos garantem que têm estrutura para vacinar rápida e organizada, mas o problema está na pequena quantidade de imunizantes disponíveis. Betim, na região metropolitana, já usou 70,68% das doses recebidas e poderia vacinar muito mais pessoas, segundo o secretário de Gestão da Saúde, Augusto Viana.

“Não estão claros os critérios de envio de doses para cada cidade, percebemos que alguns municípios receberam um quantitativo proporcionalmente muito superior. Temos recebido menos doses do que nossa capacidade de vacinação dá conta de realizar”, reclama o secretário, completando que o município tem mais de 11 mil vacinas guardadas para segunda dose, conforme orientação do governo.

A SES informou que o cálculo do quantitativo de doses de vacinas enviadas a cada remessa se dá a partir do público prioritário determinado pelo Ministério da Saúde.

MINAS É O TERCEIRO ESTADO MAIS LENTO NA VACINAÇÃO

Minas ainda está lento na vacinação contra a Covid. De acordo com o vacinômetro da SES-MG, Minas aplicou 3.394.599 das 5.130.130 doses que chegaram – uma taxa de 66,16. Já no vacinômetro do Ministério da Saúde, a taxa cai para 58%, a terceira menor do país, à frente apenas de Rio de Janeiro e Amazonas.

Mas há cidades que possuem uma taxa de vacinação muito superior à média estadual, como Teófilo Otoni. Mesmo com cem comunidades rurais e cinco distritos, o município do Vale do Mucuri usou 91,66% das 36.586 doses que chegaram.

“Criamos um drive thru para vacinação e ampliamos o número de boxes para aplicação da vacina, para que as pessoas se sentissem mais seguras”, explica o prefeito Daniel Sucupira. Segundo ele, líderes comunitários e a rádio local ajudam a manter a população informada sobre a imunização, realizada também aos sábados.

Quem também apostou em um drive thru foi o município de Monte Carmelo, um dos mais impactados pela Covid em fevereiro deste ano. A cidade do Triângulo Mineiro montou um grande ponto de vacinação no centro, onde as pessoas podem ir a pé, de carro ou até de moto táxi. Para não ter aglomeração, todas as vacinas são aplicadas conforme agendamento.

“Temos os cadastros de todos os grupos prioritários, conforme o sistema do SUS. Fazemos o agendamento e o agente de saúde vai até a casa da pessoa com um papel dizendo o dia e o horário da aplicação. Dessa forma, não tem fila”, relata o prefeito Paulo Rocha. Em Monte Carmelo, 91,83% das doses recebidas foram usadas.

Barão de Cocais, na região Central, também está avançado e aplicou 90,17% das doses. Para o prefeito Décio dos Santos, isso acontece porque o município colocou a vacinação como prioridade máxima. “Alimentamos o sistema o tempo todo com os dados e estamos sempre em contato com a Regional (em Itabira). Tão logo nossas doses chegam, já corremos para buscá-las”, diz.

IMUNIZAÇÃO DE INDÍGENAS EM SÃO JOÃO DAS MISSÕES

Um dos municípios mais avançados na vacinação tem um perfil bastante diferenciado no Estado. Cidade que concentra dois terços dos indígenas de Minas, São João das Missões, no Norte de Minas, já aplicou 79,5% das 13 mil doses recebidas.

A cidade tem cerca de 5 mil indígenas que moram em 36 aldeias – além dos que vivem em ambientes urbanos, que agora também passam a ser considerados grupo prioritário. Para a vacinação, as equipes da prefeitura contaram também com profissionais da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), ligado ao Ministério da Saúde. Segundo o órgão, 91% dos indígenas da etnia Xakriabá foram imunizados.

Mas ainda há pessoas deste grupo prioritário que não quiseram se vacinar por causa de fake news, segundo o prefeito Jair Xakriabá. “Quando fui vacinado, eu fiz um vídeo explicando para a população que não havia perigo, para dar o exemplo e tentar desmentir as notícias falsas”, conta.

 

Fonte: O tempo
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