Grão Sagrado: veja onde buscar conhecimento e capacitação para a produção de café no Sul de Minas

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Muitos cafeicultores recebem assistência em formação e prestação de serviços que abrangem todas as etapas de produção e industrialização do café. São atividades gratuitas ou que possuem custo reduzido em entidades, empresas, órgãos governamentais e universidades. Essas instituições agem como verdadeiros “anjos” e se fazem presentes desde o começo da lavoura até a venda do seu café ao consumidor final.

Só na Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) são 45 mil cafeicultores assistidos todos os anos no estado de Minas Gerais. Destes, 30 mil só no Sul de Minas. As informações são do técnico da instituição, Bernardino Cangussú Guimarães. Segundo ele, os principais atendimentos prestados são análise de solo, qualidade pós-colheita e controle de pragas e doenças.

Exemplo de assistência
As empresárias Leila do Carmo Lemes e sua sócia Margarida Camarini são um exemplo de produtoras assistidas. Elas cultivam 7,15 hectares em Cambuquira (MG) e afirmaram que, durante toda a trajetória na cafeicultura, havia uma mão amiga que apontava o caminho correto a seguir. Toda essa ajuda evitou que as empresárias vendessem a fazenda de café no passado.

“Colocamos a propriedade à venda e achamos até uma pessoa interessada, mas a venda não aconteceu. Depois disso, com as ajudas certas, conseguimos caminhar no mercado e não precisamos mais vender”, contou Leila.

Ela diz que é muita grata a todos que já lhe deram auxílio e teme esquecer alguma entidade. Mas deu alguns exemplos de serviços recebidos. São auxílios que vão desde as notas fiscais tiradas no sindicato rural local até a orientação da Emater-MG que abrange projetos de financiamentos, certificação, análise e elaboração de rótulo. Quanto a comercialização e capacitação, além da Emater, ela cita o Senar e o Sebrae. “Essas entidades são a ponte entre o consumidor e o produtor”, comentou.

A cafeicultora Leila também observou que os concursos tiveram um papel muito importante na divulgação do seu café.

“Os concursos nos deram muita visibilidade para que o consumidor conhecesse a qualidade do nosso produto. Há competições em que os campeões têm seu café comprado a bons preços. É uma grande oportunidade para o pequeno produtor”, garantiu.

Ela também foi enfática ao dizer que a capacitação e ajuda oferecidas são determinantes para o sucesso do produtor.

“As parcerias são de suma importância. Não conseguimos nada sozinhos. Não tem como a gente trabalhar na roça e ao mesmo tempo buscar o mercado. E o produtor também tem que se capacitar para agarras as oportunidades que surgem”, alertou.

Para Bernardino Gangussú da Emater, o produtor precisa de algumas condições técnicas ideais para produzir. Ele citou exemplos de serviços que exigem conhecimentos acadêmicos aplicados como análise do solo e poda do cafeeiro.

“O conhecimento técnico ajuda a verificar quais são os processos que mais se adaptam à propriedade, sua altitude e as variedades plantadas. A parte econômica também exige conhecimento. Tudo isso aplicado maximiza o potencial da propriedade”, garantiu.

As universidades
Leila lembra que o primeiro lugar onde torrou o café foi no Instituto Federal do Sul de Minas Gerais (Ifsuldeminas). E, além da torra, o local ainda oferece muitos outros serviços. Em Muzambinho (MG), por exemplo, há um setor específico, um grupo de estudos e uma empresa júnior no segmento do café.
Segundo informações do professor e Q-grader José Marcos Angélico de Mendonça, o campus possui um agrupamento de laboratórios integrados formado por unidades de processamento pós-colheita, armazenamento, beneficiamento, padronização, classificação e industrialização. Ainda possui 14 hectares ocupados por talhões de café em formação, renovação e produção, onde são mantidas aproximadamente 20 cultivares de café.

A unidade de processamento pós-colheita é composta por lavador, descascador e desmucilador de café, dois terreiros concretados e três secadores rotativos. Também possui tulhas de madeira para armazenamento do café em coco e pergaminho, beneficiador de café e unidade de padronização completa.

O laboratório de classificação de café possui sala de armazenamento de amostras, mesas para classificação física (tipo, granulometria e umidade) e conjuntos para a análise sensorial (torradores de amostras, moedores, fogão, etc). O campus possui ainda outro laboratório de industrialização que é composto por duas linhas de torração (equipamentos que comportam até 30kg), moagem e empacotamento de café.

Os cafeicultores e empresas que querem processar seu café como fez a produtora Leila podem procurar o campus. “O laboratório de industrialização faz a torração e moagem de café, colaborando com pequenas empresas e os cafeicultores que desejam vender seu café já industrializado, a se estabelecerem, a um custo acessível”, afirmou José Marcos.

A empresa júnior do campus foi criada em julho de 2019 e oferece análise de amostras de café (classificação física e sensorial) para cafeicultores e parcerias com empresas para realização de testes de campo.

IF em Machado
Em Machado (MG), o Ifsuldeminas conta com uma estrutura completa de “Fazenda Cafeeira-escola”. São 11 hectares plantados de café e instalações de pós-colheita completas, usina de benefício e um setor de industrialização de café com capacidade de produção de 3 toneladas ao mês de café torrado e moído.

O campus tem um adicional: o um setor de cápsulas de café. Esse serviço é oferecido a R$ 0,70 por unidade com quantidade mínima de 5 quilos.

“No mercado esse serviço só é feito com pedidos mínimos de 100 quilos, o que inviabiliza a produção de pequenos produtores. O serviço é cobrado para manutenção da estrutura e do serviço e dos custos de produção”, explicou o professor Leandro Paiva que coordena o Núcleo de Qualidade do Café.

Ele também comenta que cada quilo rende, em média, 110 cápsulas e que já tem produtor que comercializa o café processado com marca própria.

Já o campus do Ifsuldeminas em Inconfidentes (MG) faz análises de solo. Outra ação é o assessoramento aos cafeicultores através de um projeto de visita dos alunos nas propriedades para garantir boas práticas agrícolas e agronômicas. As visitas são quinzenais e ocorrem há 5 anos.

Em outra instituição, a Universidade Federal de Lavras (Ufla), também existem projetos de extensão voltados para o setor cafeeiro. Um desses é o de “Lideranças na Cafeicultura” que oferta capacitação, assessoria e treinamento de associações e cooperativas de pequenos e médios produtores de Lavras (MG) e Lambari (MG). Em parceria com a Fundação Hanns R. Neuman, o projeto abrange áreas como formação estratégica, pessoal, liderança, finanças e marketing. “O foco é capacitar essas entidades para que elas cresçam e se desenvolvam”, contou o professor Paulo Henrique Leme que coordena o projeto.

A Ufla também possui uma Agência de Inovação do Café (InovaCafé) que trabalha com pesquisas, inovação e empreendedorismo na agroindústria do café. A agência também possui uma “cafeteria-escola” com cursos e testes com grãos. Também há serviços para pequenos produtores e cafés diferenciados como beneficiamento e torra. “Trabalhamos em pequena escala com perspectiva de crescimento para que, nos próximos anos, possamos ampliar o serviço prestado aos cafeicultores do Sul de Minas”, afirma o diretor da InovaCafé, Luiz Gonzaga de Castro Júnior.

Outro local que auxilia o cafeicultor é a Universidade Vale do Rio Verde (Unincor) em Três Corações (MG). A instituição faz análises de solo e folhas em seu laboratório “Semear”. O atendimento é para produtores, cooperativas e sindicatos rurais com preços acessíveis.

A Unincor em parceria com a Emater-MG realizam, desde 2017, o ”Concurso de Qualidade de Café de Três Corações” com palestras e premiação dos melhores cafés da cidade.

Emater-MG

A Emater-MG também oferece cursos de capacitação e ainda assistência aos produtores rurais com profissionais de agronomia, zootecnia, medicina veterinária, associativismo e cooperativismo, comercialização e agroindústria. “Eles fazem plantas (projetos), montagem de rótulos, e arquitetura de pequenos negócios. Basta que o produtor interessado em vender seu café procure um escritório local da Emater-MG para receber as orientações”, fala Bernardino Cangussú Guimarães, Coordenador Técnico em Cafeicultura.

Senar
O sistema da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) tem ações diretas para o cafeicultor, que vão desde o plantio até a comercialização. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) oferta cursos que auxiliam o produtor em todas as etapas produtivas como produção de mudas, colheita e pós colheita, torra, classificação e degustação e cafés especiais.

A Faemg desenvolve e oferta produtos e serviços, como planos de saúde, seguros, conta digital, orientações e ações a respeito de segurança pública.

Outro espaço do cafeicultor no Sistema Faemg é o “Empório Senar”, onde os ex-alunos dos cursos e programas do serviço nacional podem comercializar seus produtos em eventos e feiras de forma gratuita.

A presença do café no empório chega a 37% dos estandes nos 22 eventos em que o Senar esteve presente em 2019. Segundo a assessoria da Faemg, a bancada do empório é uma vitrine de oportunidades para realizar novos contatos e negócios.

Sebrae
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) também auxilia os cafeicultores no acesso ao mercado como a participação em feiras, concursos e campeonatos nacionais e internacionais. Segundo a instituição, o Sebrae possui 13 iniciativas do segmento de café nos estados produtores e atendimento pontual em outros.

O Sebrae também auxilia na estruturação e consolidação de Indicações geográficas como o caso dos “Cafés Vulcânicos” da região de Poços de Caldas (MG), “Mantiqueira de Minas” e “Campo das Vertentes”.

Ainda oferece consultoria para adequar as propriedades para conquista de certificações, gestão da atividade cafeeira, análise de investimentos, planos de negócios, planejamento estratégico específico e no incentivo ao cooperativismo e o associativismo no segmento de café.

Para o produto final são ofertadas consultorias em marca e design para preparação de embalagens, sites e vendas pela internet. O produtor interessado em receber consultoria do Sebrae pode procurar a agência mais próxima. Até 70% das consultorias tecnológicas são subsidiadas.

Fonte: G1

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