Hemominas de Passos sofre com falta de repasse de verba estadual

A falta de funcionários e de insumos no Hemonúcleo de Passos tem causado transtorno a doadores de sangue da instituição. Quem trabalha na Fundação Hemominas aponta que, por falta de repasse de verbas do Governo do Estado, o Centro de Hematologia, que atende cerca de 16 cidades da região, além de fornecer sangue para os hospitais de Passos, estaria sem dinheiro para compra de itens básicos como copos descartáveis. “Eu acho que, realmente, o local está bem acabado. Uma funcionária estava me contando que nem o dinheiro para a compra do lanche ou de copos descartáveis a fundação tem e que o local tem vivido apenas de doações da população, disse Rafael Gonçalves Oliveira, contador e doador de sangue. “O Hemominas é muito importante, daqui sai sangue para várias cidades da região e, infelizmente, o local está cada dia pior, se formos comparar com o centro de doação de sangue da cidade de Franca (SP) por exemplo, onde eu também faço doação de sangue, percebemos que a realidade é completamente diferente. Aqui em Passos está um dó”, disse o doador.

Thaís Helena de Paula, secretária e doadora de sangue há quatro anos, disse que sente falta de uma infraestrutura melhor no Hemonúcleo de Passos. “A gente tem uma assistência, mas, realmente, todas as vezes que eu venho aqui percebo que temos poucas cadeiras de doação e a infraestrutura é muito precária. Além disso, hoje, eu presenciei um caso de uma mulher que veio aqui com a família querendo doar sangue e os funcionários falaram para ela que, infelizmente, não teria como, pois seria preciso agendar um dia para que a doação fosse feita. Isso eu não sabia, pois, a primeira vez que eu vim aqui, não precisei de agendar nada, eu vim e já doei o sangue e hoje, infelizmente, existe essa situação, justamente, por falta de equipe suficiente para atender a demanda”, contou a doadora de sangue.

Mauro Santos, vendedor e doador de sangue lamenta sobre a situação do Hemominas. “Essa realidade é muito triste. A gente vê inclusive esse problema como grave e bem crítico. Sangue é muito mais que um medicamento. Medicamento pode ser encontrado em qualquer lugar. A população tem acesso a várias fontes, sangue é diferente, é uma fonte de vida que pode ser mais importante que qualquer outra coisa, dependendo da situação”, disse Santos.

O vendedor conta ainda que já veio em Passos e teve que voltar para casa pois não tinha como o pessoal da fundação fazer a coleta do sangue. “Eu, por exemplo, que vim de São Sebastião do Paraíso só para fazer a doação, rodei quase 50 quilômetros só para vir. Outro dia, viajei para cá para e perdi viagem. Hoje, quase que a gente volta de novo por essa questão, pela entidade não ter infraestrutura e equipe suficiente para atender quem quer doar”, lamentou Mauro Santos.

Segundo ele, isso aumenta a dificuldade de trazer pessoas para fazer doações. “Já é difícil de trazer as pessoas, pois é uma doação voluntária, de repente a pessoa sai de outra cidade, chega aqui e não pode doar. Vai acabar ocorrendo uma desmotivação por parte da população e começar a faltar sangue. É complicadíssimo, às vezes, por falta de atendimento aqui, uma vida pode ser perder”, lembrou. E disse que algo tem que ser feito para ajudar o local. “Tem que divulgar mesmo, envolver a população para que todos saibam o que está ocorrendo com o Hemominas de Passos. Só Passos já é pouco para atender toda região, imagina se acabar esse aqui, já era para ter um ponto de doação em outra cidade para ajudar quem precisa”, finalizou Santos.

Flávio Ribeiro Campos, coordenador do Hemominas afirma que a situação é complicada, mas que a equipe tem tentado se adaptar e trabalhar mesmo com todos esses desafios. “Atendemos cerca de 50 pessoas, por dia. Temos uma equipe de aproximadamente 25 funcionários, os quais não são suficientes para atender a toda população que vem fazer doação. Temos muitas funcionários afastados, temos ainda funcionários que vão se aposentar. Além disso, saíram funcionários e não foram contratados novos para ocupar a posição que ficou desfalcada. Um bioquímico, dois médicos, uma servidora que fazia a limpeza, a pessoa que fazia os cadastros, todos não estão com a gente mais, e fazem falta”, disse o coordenador.

Ele também disse que o local só tem quatro cadeiras para fazer a coleta de sangue. “A estrutura física é muito ruim, é a mesma que começou em 1995 até hoje. A fundação vem informando sobre as dificuldades que tem e vamos aprendendo a lidar com isso. Quem tem que resolver essas coisas são os maiores, Prefeitura, Governo do Estado, Governo Federal”, explicou o médico. O coordenador ainda disse que o local precisa de dinheiro para material de limpeza, lanche, coisas básicas do dia a dia, além é claro, da reposição de funcionários.

A Diretoria Técnico-Científica da Fundação Hemominas, por meio de nota, informa que o órgão tem se esforçado para repor servidores e que a unidade de Passos deve receber, nesta semana, insumos como copos descartáveis.

“As unidades da Fundação Hemominas integram uma rede estadual e encontram-se estrategicamente distribuídas em todas as regiões do Estado. O funcionamento das unidades somente é possível por meio da contrapartida dos municípios”.

Fonte: Clic Folha
Faça seu comentário usando o Facebook