Infiltrações comprometem obras de arte em igreja de São Tomé das Letras

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As obras sacras que decoram o forro da igreja matriz de São Tomé das Letras estão ameaçadas por infiltrações. Existe um projeto para recuperar o que foi danificado pelo tempo, mas por causa da pandemia o trabalho ainda não começou.

A igreja matriz de São Tomé das Letras é um dos símbolos da cidade. Construída em meados do século 18, faz parte do tombamento do conjunto arquitetônico e paisagístico do centro histórico da cidade. Mas essa historiadora está preocupada, principalmente, com as pinturas no forro da igreja, que podem ser danificadas por um problema de infiltração.

“Como o telhado está comprometido e há goteiras e infiltrações, isso compromete a integridade desse forro, dessas pinturas. As calhas que fazem o escoamento da água no telhado, pelo seu exterior, são tubos de PVC finos, mal colocados. Isso tudo leva à degradação do bem cultural”, disse a historiadora Carla Alfonsina.

O padre responsável pela paróquia de São Tomé diz que a estrutura da igreja, feita com pedras, não corre risco, mas reconhece o problema no telhado.

“Tem muitas goteiras na nossa igreja. Quando chove podemos ver infiltrações em algumas partes da igreja e essas goteiras e infiltrações estão danificando a pintura”, destacou o pároco Robson Antônio Leite.

A infiltração vem agindo na fachada da igreja, que é um exemplar do barroco mineiro. Do lado de dentro, a ornamentação foi feita ao estilo rococó. A historiadora lembra que uma obra chegou a ser iniciada alguns anos atrás, mas sem os cuidados necessários.

“Quando eles começaram a mexer, ao invés de mexer no telhado, eles começaram a descascar as paredes, a tirar o reboco original e depois começaram a jogar cimento, sendo que lá é um reboco com terra e cal. Ai foi paralisada essa obra”, comentou Carla Alfonsina.

A presidente do Instituto Estadual do Patrimônio histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), Michele Arroyo, diz que, em 2018, o órgão já havia aprovado obras emergenciais no telhado. Ela salienta que, no ano passado, analisou três projetos para recuperação integral da cobertura, além de mudanças no sistema elétrico.

“No projeto elétrico foram necessários ajustes que ainda não foram encaminhados ao Iepha, mas tanto o projeto da cobertura quanto o de SPDA [Sistemas de proteção contra descargas atmosféricas] foram aprovados no segundo semestre de 2019. A gente ainda não tem notícias do início das obras da igreja, mas elas podem ser iniciadas imediatamente considerando esses dois projetos aprovados”, explicou a presidente.

As obras esbarram em outro obstáculo: São Tomé das Letras foi uma das cidades que proibiram a entrada de visitantes para evitar a chegada do novo coronavírus. E o acesso continua fechado.

A diretora do Departamento de Cultura e Patrimônio da cidade, Francisca Josiane Cardoso Félix, diz que a prefeitura está montando o edital para o processo de licitação, mas a obra em si deve ficar pra depois.

“Por conta da pandemia, a empresa que ganhar não vai poder iniciar a obra imediatamente porque a obra está fechada. Por conta disso, vai ser no final do ano”, explicou Francisca.

A historiadora Carla Alfonsina aponta que a pandemia “não pode ser usada como desculpa”.

“Particularmente, acho que pandemia não pode ser usada como desculpa para o abandono do patrimônio. A construção civil não parou. O município está fechado, mas a construção civil está a todo vapor. Basta andar pelas ruas do município que você vê pedreiros e carpinteiros trabalhando em praticamente todas as ruas. Então, pandemia não pode ser usada como desculpas. E as chuvas estão chegando”, disse.

Fonte: G1

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