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Instituições de saúde do Sul de Minas enfrentam crise

A crise na Saúde provocada entre outros motivos pela falta de repasses do governo de Minas Gerais tem deixado a maioria dos hospitais do Sul de Minas no limite. Sem saber quando vão receber as verbas atrasadas, muitas instituições só estão sobrevivendo graças a doações da comunidade.

Em Poços de Caldas/MG, a Santa Casa vem enfrentando a crise, segundo o superintendente Azér Zenun Junqueira, graças a aportes feitos pela prefeitura do município. Conforme o diretor, o déficit mensal varia entre R$ 600 mil e R$ 1,3 milhão: “Hoje estamos conseguindo equilibrar graças a esse aporte que tem vindo do Executivo, com o apoio da câmara. Mesmo com as dificuldades que todos nós sabemos que as prefeituras estão passando, tem sido feito o sacrifício para ajudar a Santa Casa”, disse o diretor.
Nos primeiros 4 meses do ano, a Santa Casa fez 115 mil atendimentos, entre internações, cirurgias, exames laboratoriais e outros. Conforme o diretor, além dos repasses do município, o hospital também tem contado com doações.

O Hospital Samuel Libânio em Pouso Alegre/MG tem hoje R$ 37 milhões em verbas atrasadas a receber conforme a direção da FUVS, mas apenas R$ 22 milhões desse montante são reconhecidos pelo governo estadual. Essa diferença, estaria ligada a extrapolamentos ou atendimentos acima da margem do SUS, que não foram pagas pelo Estado.
“Estamos cortando custos operacionais no limite, porque o hospital tem um compromisso e não pode deixar a população sem atendimento de saúde. Oitenta porcento dos trabalhos feitos aqui são SUS, então estamos no limite, cortando custos, gastos e aí temos recebido um apoio muito grande de solidariedade da população de Pouso Alegre, dos municípios em torno, que usam o hospital. Temos recebido muitas doações de alimentos, de materiais, lençóis, cobertores, fraudas, até mesmo prefeituras que conseguem alguns recursos pagam os medicamentos do hospital, assim estamos sobrevivendo”, conclui o diretor.

O Hospital Regional de Varginha, que atende mais de 100 municípios, tem uma dívida de R$ 60 milhões. No dia 11 de junho, o hospital anunciou a demissão de 76 funcionários para redução de gastos. Segundo o integrante do conselho do hospital, mais ações estão previstas para corte de gastos.

Na semana passada, uma audiência pública foi realizada e teve a participação de autoridades e diretores de vários hospitais da região discutiu a situação delicada das instituições. Além da normalização dos repasses do Estado, os diretores defenderam o reajuste da tabela SUS, que está defasada há anos.

O que diz a SES

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informa que os repasses financeiros que envolvem custeio das atividades hospitalares não são feitos diretamente aos hospitais, mas aos Fundos Municipais de Saúde dos municípios aos quais os prestadores de serviço estão vinculados, uma vez que esses municípios possuem gestão plena de seus serviços.

De posse dos recursos financeiros no fundo, cabe aos municípios realizar a transferência aos prestadores de serviço, conforme a produção (volume de atendimentos, procedimentos, consultas etc.) apresentadas pelas instituições. Nesse sentido, a SES-MG repassou, somente em 2019, ao fundo municipal de Pouso Alegre, visando custeio das atividades hospitalares, o valor de R$ 794.770,50.

Além disso, mesmo diante de um rombo de R$ 34,5 bilhões deixado pela última administração, o Governo de Minas Gerais tem buscado soluções para garantir a assistência às prefeituras. O acordo firmado pelo governador Romeu Zema com a Associação Mineira de Municípios, para o repasse de R$ 6 bilhões devidos pela gestão anterior, além de R$ 1 bilhão, referente a janeiro deste ano, comprova os esforços do Governo.

Da mesma forma, é prioridade a busca pelo atendimento das demandas em atraso relativas à saúde. O Estado reforça a necessidade de um ajuste fiscal para que possa prestar o devido serviço à população e auxiliar as prefeituras em programas prioritários, como os de saúde.

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