Lembranças de uma fotografia: Pe Marcos relembra alguns momentos vividos em Carmo do Rio Claro

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Diante de uma fotografia tirada a anos atrás, Pe. Marcos, relembra alguns momentos em que viveu na história de Carmo do Rio Claro, “Carmo do Rio Claro, vista de um ponto”.

“Hoje me deparei entre as diversas quinquilharias de minha gaveta, uma máquina de fotografia Sony presente de despedida aos padres da Paróquia Nossa Senhora do Rosário – Colombo. Pe. José Marques, Pe. João Alceu e eu ganhamos uma destas em dezembro de 2005, há quinze anos. Era popular, mas de última geração; fotografei muitos lindos e bons momentos ao longo de uns cinco anos.

Depois que adquiri um celular com boa câmera ficou tudo mais prático. E pensar que aquela maquininha de 15 anos se tornou obsoleta. Bem, se em tão pouco tempo o progresso garantiu-nos ótimas imagens, o que não falar deste retrato que em 1973, eu mesmo tirei com uma maquininha Kodak, presente de uma tia ao meu irmão Jairo. Penso que o Kosme, meu irmão, ainda conserva esta relíquia entre os seus pertences.

Mas o que é o retrato senão um testemunho nostálgico de um passado. Pois bem, com uma máquina na mão, o que um menino de 10 anos poderia retratar senão a realidade de seu cotidiano. Em um tempo em que as pessoas fugiam do misterioso e tirar retrato pedia-se passar perfume. Claro que a técnica nos deixou um precioso acervo de boas imagens.

No Carmo na década de 70 recordo-me de bons retratistas, dois Francisco, o Chico do Zé Horácio, na Vargem e o Chico da Bias Fortes e também era retratista o Jeso. Outros bons retratistas marcaram época em nossa cidade, como Antonio Vicente, Antonio Vitor, Sonia, Guinho, Eurico entre outros. Estamos na era das imagens, basta um evento diferenciado e alguém já se posiciona com seu celular super-potente. Graças ao progresso temos muitas informações que, em segundos, correm o mundo. Tudo isto para falar de um retrato que fiz em um lugar simples e periférico de nossa cidade, que 47 anos depois, pelo crescimento, fica difícil de identificar de que lugar se trata.

No ponto mais alto do retrato, linha do horizonte está um vulto da Igrejinha do São Benedito, a imensidão do pasto da Chácara de Abrahim David e irmãos, onde vivia o Zé Beijo e Sá Chica, com todos os filhos, salvo a Nega, Maria José, que já era casada com Vitor Horácio e morava ao lado da minha casa. Retrato de um eucalipto que no ano 1976, bem mais frondoso, assisti o vento numa tempestade derrubá-lo; ao fundo o prédio do Pro-Menor uma Instituição vinculada a Igreja, tendo o Pe. Mário como Diretor e o Sr. Nem, como administrador. Um rústico forno de tijolos maciço, ou tijolo caipira, uma pipa de amassar barro e um terreiro para bater tijolos, um trilho, que hoje é a bem habitada, bonita e calçada Rua Maria Lucia de Carvalho.

Retrato alguém puxando um cavalo, com uma pá às costas, o que me faz precisar que são 16hs30, fim de expediente de trabalho daquele certo dia. Não fosse o retrato feito por este humilde escriba, apenas poderia supor ser o Marico, meu irmão, cuja função era trabalhar o barro na pipa e colocar no terreiro para o oleiro bater os tijolos em formas de três ou duas unidades. A égua amamentado é a novidade, o potrinho nascido naquela noite é a atração do dia. A direita um chiqueirinho e no varal panos brancos estendidos na cerca de arame farpado. Assim foi o Acampamento que conheci e por um lampejo de não ter o que fazer, o retratei. Embora minha família fosse bem itinerante, este lugar, entre muitos outros me aviva boas lembranças de um tempo que se foi.

E foi deste mesmo ponto, onde retratei, quase por acaso também a distante Igrejinha São Benedito, que assisti, por este tempo a demolição da Igrejinha Santo Antonio, ainda um tema não superado. A gente aprende a olhar o mundo a partir do lugar que a gente se encontra e com humildade precisa admitir que todo o ponto de vista é a vista de um ponto.”

Fonte: Padre Marcos
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