Máquinas agrícolas: escassez de matérias-primas limita crescimento do setor em 2020

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A AGCO, líder global na fabricação e desenvolvimento de soluções agrícolas, afirma que o crescimento do setor de máquinas só não será maior em 2020 pela escassez de matéria-prima na indústria.

De acordo com o presidente da corporação, Luis Felli, existe uma defasagem entre oferta e demanda que impacta no mercado de máquinas agrícolas.

Estamos vendo um momento muito distinto, há um crescimento muito robusto na venda ao agricultor, não acompanhado ao atacado, que são as vendas à concessionárias e revendedores. As vendas de tratores para agricultores cresceram 18% em relação ao ano passado até o fechamento do mês de agosto, e as vendas destinadas as colhedoras de grãos, cresceram 21% até o final de agosto. Já as vendas ao concessionário não cresceram até o final de setembro e a venda de colheitadeiras e colhedoras de grãos caiu 12% no mesmo período, isso demonstra que há uma demanda muito forte e uma oferta que não acompanha essa necessidade”, diz o presidente.

Apesar dessa defasagem, Felli não acredita que isso impactará na entrega de máquinas agrícolas de produtores para a nova safra, existindo apenas uma incapacidade da indústria de produzir mais do que o planejado. A pandemia da Covid-19 impactou a importação de matérias-primas vindas da China, o que prejudicou a indústria brasileira de máquinas agrícolas, que tem mais de 55% de seus componentes importados.

“Em um primeiro momento houve uma escassez da China, depois o país asiático se estabilizou e começou a entregar com regularidade. Após isso, ocorreram o lockdown nos munícipios brasileiros e isso resultou no fechamento de industrias por 20 a 30 dias, e isso impactou a cadeia. Por fim, houve falta de componentes importados da Europa devido a pandemia da Covid-19 e que impactou a cadeia de suprimentos. Agora estamos vendo uma falta de matérias-primas básicas e uma retomada da forte economia, temos dificuldades em obter alguns desses materiais necessárias para construção dos equipamentos. O aço no mercado de revenda e distribuição teve um aumento muito grande em relação a janeiro deste ano”, afirma Felli.

Segundo o presidente da AGCO, a regularização deste cenário de escassez só é esperada no início de 2021 e isso vai limitar a capacidade da indústria de aumentar sua produção. “Acredito que apesar destes problemas, os compromissos que foram assumidos com agricultores vão ser cumpridos, com possíveis atrasos, mas serão cumpridos. Porém, existe uma limitação do crescimento adicional do setor que seria obtido em função da demanda forte que estamos vendo a nível de agricultor”, comenta.

Projeção para o setor

Para o ano de 2020, a projeção para o setor segundo a AGCO é de 5%.”Esse crescimento poderia ser muito maior se houvesse uma oferta maior de máquinas. A limitação esta mais na oferta do que na demanda, os números de varejo estão substancialmente superiores ao ano passado”, analisa Felli.

Linhas de crédito

De acordo com Felli, apesar do esgotamento das linhas de créditos como o Pronaf, alguns bancos privados tem oferecido linhas de crédito para o agro brasileiro. “As linhas de Finame estão sendo consumidas muito rapidamente, nossa estimativa é de que até janeiro de 2021 essas linhas se esgotem. A gente acredita que se os bancos privados conseguirem ofertar em uma linha de 5 anos, sem uma grande diferença de taxas em relação ao Finame, pode ser algo muito importante”, finaliza.

 

 

Fonte; Canal Rural
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