Matéria-prima usada na produção da “droga do estupro” é apreendida em BH

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Um anestésico veterinário, geralmente aplicado em cavalos, se tornou uma das substâncias mais visadas pelos criminosos que cometem estupros. A matéria-prima da droga, conhecida como ketamina ou key, foi localizada pela Polícia Civil durante um operação que investigava o tráfico. Um homem de 45 anos, que também era garoto de programa, foi preso no bairro Bonfim, na região Noroeste de Belo Horizonte, pelos agentes com diversas caixas de cloridrato de cetamina – a quantidade total apreendida não foi informada pela corporação.

O delegado do Departamento Estadual de Combate ao Narcotráfico (Denarc), Rodolpho Machado, explica que a “droga do estupro” é usada durante os crimes por conta dos efeitos que provoca no corpo, como sedação e perda de memória. “É uma substância veterinária que serve de matéria-prima para a produção da key. O suspeito tinha todos os materiais para fazer a mistura e a produção da ketamina”, enfatiza.

Ao chegar ao cérebro, o entorpecente ainda provoca o desligamento do córtex cerebral – área em que ocorre o processamento da linguagem, memória, atenção e consciência – e impede a troca de informações dos neurônios com a região medular. O delegado afirma também que só a posse do cloridrato de cetamina, que é de uso controlado pela Anvisa, já configura como tráfico de drogas.

Venda durante os programas

Além de traficar drogas, o suspeito do crime confessou aos policiais que era garoto de programa e realizava a venda da substância durante encontros com clientes, que solicitavam o produto. Na residência do homem, localizada no bairro Nova Cintra, na região Oeste de Belo Horizonte, também foram localizados outros entorpecentes. De acordo com a corporação, os policiais apreenderam no imóvel cerca de 150 comprimidos de ecstasy, cocaína, cafeína e até antidepressivos que só podem ser vendidos com receita médica.

A substância 

Utilizada no meio veterinário como tranquilizante de cavalos, o cloridrato de cetamina é um poderoso anestésico geral que provoca uma perda temporária de sensação no corpo. Por conta da atuação no organismo humano, a droga ainda tem fortes efeitos alucinógenos e pode afetar a memória, o que explica o uso por criminosos para facilitar os estupros.

Crime hediondo

Apesar dos dados da Polícia Civil mostrar que as ocorrências de estupro, considerado um crime violento, caíram quase 14% em Minas Gerais entre 2020 e 2019, os números ainda são altos no Estado. Só de janeiro a junho, foram registrados 1.564 casos, sendo a maioria contra pessoas vulneráveis, como menores de idade. No mesmo período do ano passado, ocorreram 1.785 casos.

Além do estupro de vulnerável, que responde por 1.360 do total de registros, a corporação registrou ocorrências de estupro consumado (118) e estupro de vulnerável tentado (86). Caso o crime provoque a morte da vítima, a pena de prisão do criminoso pode chegar a 20 anos. A capital mineira é a cidade que lidera os registros em Minas Gerais, com 260 ocorrências – 16,6% do total no Estado.onte

Fonte: O Tempo
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