Morre ‘Antônio Adauto’, fundador do Museu de Arqueologia Indígena de Carmo

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Faleceu na madrugada desta quarta-feira (30), aos 93 anos, Antônio Adauto Leite,fundador do Museu de Arqueologia do Índio (MUARI), em Carmo do Rio Claro. Antonio Adauto Leite tinha 93 anos e faleceu no Hospital Sao Vicente de Paulo, onde estava internado. Segundo sua filha Suzana Leite Ervas, seu pai já estava acamado desde dezembro de 2019, com quadro de infecção de urina e pneumonia, e devido as consecutivas internações, agravou cada vez mais seu estado de saúde.

História do Museu do Índio “Antônio Adauto Leite”

O museu iniciou devido à curiosidade do Sr. Antonio Adauto, que desde criança conhecia três peças que sua Mãe possuía e explicava que eram machadinhas de Bugre. O tempo passou e com seus 42 anos em 1969, ele se deparou com uma descoberta de um amigo o Sr. Zeca Ferreira, um dos maiores colaboradores do museu, que avia achado um pote com restos mortais de segundo sepultamento.

Isso despertou sua curiosidade ainda mais e o levou a pesquisar a região, achando algumas peças que começou a colecionar na fazenda de seu pai. Possuindo cerca de umas 10 peças apareceram em meados de 1971 dois arqueólogos, Odemar Ferreira Dias Junior e Claros Calazans Rodrigues, através de um programa do governo o PRONAPA vindo a esclarecer suas pesquisas e ampliando seus conhecimentos.

Seus conhecimentos aumentaram e o museu também, passando a coleção para Faz. Panorana em 1975, o museu foi colocado em uma garagem onde recebia visitantes e estudiosos de vários lugares.
O acervo de 4.000 mil peças aproximadamente veio para Carmo do Rio Claro realizando um sonho do Sr. Antonio em 2011.

São peças arqueológicas de aproximadamente 2.000 a 12.000 anos encontrados apenas na região, onde possui inúmeros sítios arqueológicos que estão na maioria submersos na represa de furnas que se estalou na região em 1963.

São artefatos de pedra e argila usados na sobrevivência dos aborígenes (índio) Catú-auá (homem bom) da região. Tendo também dois sítios arqueológicos Tupi-guarani onde a característica são as cerâmicas trabalhadas, desenhadas com detalhes de alça, pintura e apoio de fundo; características estas que não vemos nos Catú-auá, que são em maioria, pois eram os moradores da região na época, sendo que os tupis-guaranis encontram-se mais na orla marítima.

O museu possui no acervo peças de uso cotidiano como; machadinhas, pontas de flechas e lanças, adornos de cabeça como brincos, tembetás labial e pingente, peça para cerimonial machadinha semilunar (koyrê), mão de pilão, pilão, fuso para construir rede de pesca, chumbada de rede de pesca, afiadores de ferramentas, quebra coco e sua base de apoio, urnas funerárias de 1° e 2° sepultamento com seus restos mortais, cachimbos, utensílios domésticos.

Hoje o museu tem como fiel depositário a Prefeitura de Carmo do Rio Claro e fica localizado na Praça Maria Goularte n° 29 onde encontramos com a filha do Sr. Antonio Adauto, Suzana como Coordenadora que continua passando as belas histórias deste maravilhoso museu.

Foto: Portal Onda Sul

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