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Na contramão do progresso, rodovias colocam cidades como alvos da violência no Sul de MG

Rodovias como a BR-146, recém pavimentada, e a MG-050 facilitam movimentação de quadrilhas em crimes como explosão de bancos e tráfico de drogas.

A chegada do asfalto na BR-146 foi esperada por 20 anos pelos moradores de Bom Jesus da Penha, cidade de pouco mais de 4 mil habitantes no Sul de Minas Gerais.

Com um trecho pavimentado finalizado em abril de 2017, os motoristas comemoraram a facilidade do acesso a Passos (MG). Pouco mais de um ano após o fim das obras, no entanto, os moradores viram a violência chegar à pequena cidade, em crimes que vão de encontro ao progresso levado à região.

A tentativa de ataque a duas agências bancárias na madrugada de 5 de abril de 2018 foi a marca mais forte do crime até então. Moradores acordaram com tiros contra as casas e gritos dos criminosos. Sem conseguir levar dinheiro, o grupo deixou marcas em quem nunca tinha visto uma ação dessas de perto.

Veja histórias de moradores e comerciantes vítimas da violência

A 30 quilômetros de Bom Jesus, pela BR-265, a parada é em Jacuí, outra cidade emblemática em relação à violência. São pouco mais de 7 mil habitantes, que desde 2012 sofrem com ataques a bancos, arrombamentos e roubos a comércios.

Os casos de Bom Jesus da Penha e Jacuí não foram isolados. Um levantamento exclusivo do G1 aponta que das mais de 50 cidades alvos de ataques a bancos desde 2017, 75% tem menos de 20 mil habitantes. O dado mostra a vulnerabilidade das cidades menores que, nos últimos anos, ganharam facilidade de acesso com a chegada de rodovias importantes.

Rodovias como a BR-146, a MG-050, a Fernão Dias e outras que cortam o Sul de Minas, em busca de relatos da polícia e dos moradores. Trechos importantes no escoamento dos bens produzidos na região mostram, agora, um contraste – são citados como novas rotas do crime.

Rota Caipira – o crime entre MG e SP

A Rota Caipira é conhecida pela polícia como a ligação entre cidades do interior de São Paulo ao Sul de Minas, usada por grupos criminosos, principalmente para o tráfico de drogas. O caminho para facilitar o tráfego entre os dois estados, por meio de rodovias importantes como a MG-050, expõe a fragilidade das divisas no combate ao crime.

Os acessos saem de cidades como Franca e Ribeirão Preto e chegam direto à região de Passos, cidade chave na chegada das quadrilhas ao Sul de Minas. Para a polícia, as rodovias viraram porta de entrada de crimes – não só do tráfico de drogas, mas também de explosão de bancos, roubos e homicídios.

fonte:G1
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