Número de transplantes e doadores de órgãos cai com pandemia da covid 19

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Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) e o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), a diminuição no número de doadores, entre 1º de março e 18 de abril, na comparação com o mesmo período do ano passado, é de 9% e a no de transplantes, 20%.

São muitas as razões que explicam a queda no índice de doadores e de transplantes realizados no Brasil neste período de pandemia.

Uma delas, segundo José Huygens Garcia, presidente da ABTO, é a restrição de leitos em alguns Estados e cidades. “À medida que o coronavírus avança, são necessários mais leitos nos hospitais, inclusive na UTI, e isso dificulta a realização dos procedimentos.”

Apesar disso, o médico ressalta que vários centros de transplantes não estão na retaguarda da covid-19 e, portanto, continuam operando.

“A ABTO, inclusive, recomenda manter os transplantes ativos o quanto for possível. Os de fígado, coração e pulmão são vitais. Eles salvam a vida da maioria dos pacientes, que, se não transplantados, sucumbirão em semanas ou meses”, afirma. “No Ceará, por exemplo, já perdemos este ano 12 que estavam na fila aguardando um fígado novo”, acrescenta.

No caso dos renais, Garcia diz que uma suspensão possivelmente aumentaria a lista de espera para diálise, causando dois problemas: “O primeiro é que, se as vagas não forem disponibilizadas, essas pessoas também irão sucumbir, e segundo, mesmo fazendo a diálise, os doentes têm uma chance maior de adquirir doenças virais, por estarem no grupo de risco, terem de se deslocar três vezes na semana, às vezes pegando transporte público lotado, e dividir unidades com aglomerados de pacientes por várias horas”.

Os demais transplantes, como de córnea e pâncreas, o presidente da entidade relata que podem até ser postergados, mas não abolidos completamente.

Outro ponto que tem interferido na realização dos procedimentos, indica Omar Cançado Lopes, coordenador do MG Transplantes, órgão responsável pela política de transplante no Estado de Minas Gerais, é a diminuição dos casos de trauma, como acidentes de trânsito, em função do isolamento social.

“A estimativa na minha região é de queda de 55%, mas acredito que esse índice seja parecido no Brasil todo. O impacto disso no número de transplantes é direto porque essas vítimas são responsáveis por entre 40% e 50% das doações de órgãos e tecidos”, afirma o médico.

 

 

Fonte:TERRA

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