Pesquisa alerta sobre a diminuição do sequestro de carbono pelas florestas de MG

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Toda criança aprende na escola que as árvores captam gás carbônico (CO2) do ar e, como um tipo de filtro, o transformam em óxigênio (O2). Essa retirada de carbono da atmosfera é feita no processo de fotossíntese e é chamada de sequestro ou captura de carbono.

Mas o que acontece quando nossos agentes responsáveis pela captura de carbono (como oceanos e florestas) passam a não dar conta do recado?

Quando o planeta passa a produzir muito mais CO2 e os agentes fotossintetizantes são reduzidos (através do desmatamento, por exemplo) temos os tão temidos aquecimento global e aumento do efeito estufa. As temperaturas tornam-se mais extremas, aumentando as chances da ocorrência de fenômenos naturais também mais extremos, como secas prolongadas e chuvas catastróficas.

O artigo 

O artigo “The carbon sink of tropical seasonal forests in southeastern Brazil can be under threat” (livre tradução: “O sumidouro de carbono das florestas do sudeste brasileiro pode estar em perigo”) publicado na revista Science Advances, demonstra exatamente essa balança negativa no sequestro de carbono.

A pesquisa cita que, as florestas tropicais têm desempenhado um papel importante como sumidouro de carbono ao longo do tempo porém, pouco se sabe sobre a dinâmica do carbono das florestas tropicais não amazônicas.

Assim, o artigo tem como base 32 locais de floresta tropical sazonal, monitorados de 1987 a 2020, nos quais foram investigadas suas tendências de longo prazo em estoques e sumidouros de carbono. Dentre esses locais, incluíram-se as florestas do sul de Minas Gerais.

O IFSULDEMINAS foi representado no artigo pelo professor da área de Ecologia, doutor Paulo Oswaldo Garcia. Segundo ele, a pesquisa traz um alerta a toda sociedade já que “serviços ecológicos historicamente prestados por florestas tropicais estão perdendo sua eficiência, o que pode agravar as mudanças climáticas, com impacto sobre a sustentabilidade das ações cotidianas. Esse trabalho é fruto de pesquisas ecológicas de longa duração (normalmente conhecidas por PELDs) iniciadas na década de 80 por pesquisadores da Universidade Federal de Lavras e mantidas até a atualidade com o inestimável apoio financeiro do CNPq, CAPES e Fapemig”.

A participação do IFSULDEMINAS nesta pesquisa, por meio da atuação do professor Paulo, reforça e enfatiza o compromisso da instituição com a produção de conhecimento que norteie ações futuras em busca da melhoria da qualidade de vida, em harmonia com a conservação dos recursos naturais.

Os resultados desse estudo, demonstram o caminho errado pelo qual a sociedade tem direcionado seus esforços. A desvalorização ambiental, está chegando a níveis alarmantes.

O artigo destaca um declínio de longo prazo no sumidouro líquido de carbono causado por ganhos decrescentes de carbono (2,6% por ano) e aumento das perdas de carbono (3,4% por ano).

Segundo dados da pesquisa, “os locais mais secos e quentes estão experimentando o declínio mais severo do sumidouro de carbono e já mudaram de sumidouros de carbono para fontes de carbono”.

Segundo Paulo Oswaldo Garcia, “os últimos resultados dessas pesquisas apontaram para um balanço negativo quanto ao sequestro de carbono realizado pelas florestas estudadas, ou seja, a quantidade de carbono liberada para atmosfera (por exemplo, por meio da decomposição da matéria orgânica morta) foi superior à quantidade retirada do ar pela fotossíntese”.

Ele ainda ressalta que essa deficiência no sequestro de carbono pode ser especialmente notada no sul de Minas Gerais. “Essa tendência foi perceptível nas florestas tropicais mineiras localizadas em áreas com uma estação seca ao longo do ano, como verificado em parte significativa do sul de Minas Gerais. Isso acende o sinal amarelo para nossa sociedade, pois este desequilíbrio no ciclo do carbono repercute sobre o Efeito Estufa, o qual pode ser intensificado pela maior concentração atmosférica de gases como gás carbônico e metano”.

Os pesquisadores alertam que “devido à importância do sumidouro de carbono terrestre para o clima global, são necessárias políticas para mitigar a emissão de gases de efeito estufa e para restaurar e proteger as florestas tropicais sazonais”.

Consequências ambientais 

O efeito estufa e o aquecimento global são preocupações constantes dos pesquisadores e esse artigo demonstra que tal cautela é necessária e urgente.

Para o professor Paulo, o desdobramento do balanço negativo quanto ao sequestro de carbono garante “maior susceptibilidade à ocorrência de extremos climáticos, como acentuação dos períodos de seca, elevação das temperaturas e chuvas catastróficas. Consequentemente, não apenas a biodiversidade natural sofre com as alterações, mas setores produtivos da economia, como a agropecuária, também ficam vulneráveis aos efeitos negativos em função da perda de qualidade de serviços ecossistêmicos como, por exemplo, aqueles ligados à conservação do solo e ao ciclo hidrológico. Os resultados dessa pesquisa enfatizam a importância do conhecimento científico para manutenção e aumento da qualidade de vida em nosso planeta, fornecendo suporte para tomadas de decisão que viabilizem a sustentabilidade do desenvolvimento humano”.

Pra que serve a Pesquisa Ecológica de Longa Duração – PELD?

A PELD envolve a atuação integrada de equipes multidisciplinares em sítios de referência, onde são coletados dados em longas séries históricas, abrangendo temas como a composição e a dinâmica dos ecossistemas.

Segundo o professor Paulo Garcia, as PELD’s da UFLA “objetivam o conhecimento da composição e riqueza de espécies de árvores no Estado de Minas Gerais, bem como levantar dados sobre a sobrevivência, crescimento e mortalidade dos indivíduos com o passar do tempo e, a partir dos resultados dos inventários, busca-se a compreensão da organização de nossas florestas e respectivos fatores associados”.

Fonte: ASCOM- IFSULDEMINAS
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