Pirataria prejudica comércio em Passos

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Entre os artigos ilegais, os CDs e DVDs continuam no topo da lista de preferência dos consumidores. Roupas, relógios, bolsas, mochilas, calçados e brinquedos aparecem logo em seguida.

Com o objetivo de alertar toda a população sobre os malefícios do comércio de produtos piratas, dia 3, é comemorado o Dia Nacional de Combate à Pirataria. Assim como no restante do país, grande parte da população passense opta por adquirir esses itens que são facilmente encontrados pela cidade, e o preço mais baixo é o principal motivo.

De acordo com um levantamento realizado pela Fecomércio MG (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais), entre os artigos ilegais, os CDs e DVDs continuam no topo da lista de preferência dos consumidores. Roupas, relógios, bolsas, mochilas, calçados e brinquedos aparecem logo em seguida. Ainda segundo a pesquisa, a maior parte dos consumidores são homens e jovens entres 16 e 24 anos.

E para comprovar essa afirmação, o estudante José Pedro M. Lopes disse que a origem do produto não importa muito, mas sim a possibilidade de compreender e utilizar o seu conteúdo. “Com tanta crise e desemprego, duvido muito uma pessoa preferir pagar dez ou trinta vezes mais em um calçado ou peça de roupa, por exemplo. Tenho amigos que dizem o conforto do original ser melhor e o diferencial, mas, sinceramente, prefiro economizar assim e poder gastar mais com o essencial”, argumentou.

No entanto, baseada em suas antigas experiências, a enfermeira Ana Rita C. Santos, garantiu que já há alguns anos não compra produtos piratas. Segundo Ana, a falta de garantia e a incerteza de qualidade são dois fatores cruciais no momento de finalizar uma compra. “Tento gastar o meu dinheiro com o máximo de necessidade e segurança possível porque só eu sei como é difícil conquistá-lo. Então, prefiro juntar uma grana e comprar algo que vai durar, e que me permita também em qualquer defeito ou insatisfação, uma troca ou reembolso”, disse.

Já nos setores empresariais e dos governos federal, estadual e municipal, a estimativa do Fórum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP) oriunda da sonegação fiscal é que esse setor signifique cerca de R$115 bilhões ao ano. E em Passos, conforme o presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sindpass), Gilson Madureira, a perda também é significativa.

Segundo Gilson, todo o comércio informal prejudica não apenas o comércio em geral como provoca ainda uma desindustrialização. Para ele, se é ilegal, está em prejuízo para a cadeia produtiva, seja para o município, estado ou união, pois deixa de recolher os impostos devidos. “A cidade perde bastante sim, até porque a prefeitura deixa de arrecadar e deixando de arrecadar assim, deixa de prestar serviço ao povo porque diminui o faturamento”, explicou.

Ciente de que pirataria é uma atividade recorrente e que não é brincadeira, o presidente reforçou que todo o PIB (Produto Interno Bruto) nacional é afetado e não apenas o municipal, e destacou os riscos de adquirir produtos sem a autorização de empresas de segurança, como o INMETRO.

A solução para minimizar os efeitos dessa alternativa comercial, de acordo com Gilson, é aumentar a fiscalização. “Deve ser sim mais fiscalizado porque caso contrário, a concorrência para o comércio fica desleal – e o próprio município e a fazendária devem preocupar mais com isso, não apenas os órgãos de pirataria”, finalizou.

Fonte de renda

Não é raro encontrar vendedores de produtos ilegais pelas ruas de Passos e região. E embora tenha optado por não se identificar, um trabalhador passense garantiu que não vê motivos para se envergonhar do seu emprego. “Não forçamos ninguém a comprar nossos produtos, as pessoas nos procuram e até reclamam quando não temos o lançamento ou o que está mais na moda. Vejo tantos políticos roubando e pessoas matando por aí, isso sim deveria ser proibido, mas enquanto estou aqui, quietinho no meu canto, só trabalhando, não aceito ninguém vir falar mal mesmo não”, falou.

Ainda em sua fala, o entrevistado lembrou das inúmeras vezes em que buscou emprego nas lojas e empresas passenses, mas não foi selecionado. Segundo ele, há mais de dez anos, essa foi a alternativa que encontrou para sobreviver e garantir uma vida digna aos seus filhos. “Uma hora ou outra, todo mundo encontra uma forma de ganhar dinheiro para não passar fome. Sou um trabalhador como qualquer outro, faça chuva ou faça sol, estou aqui”, concluiu.

Pirataria prejudica comércio em Passos.
Via Folhadamanha
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