Piscicultor de Guapé quer produzir 20 toneladas de tilápias por mês

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Carlos Eduardo Sverzut Baroni tem 89 tanques-rede em Guapé, no Lago de Furnas, e se prepara para oferecer ao mercado 20 toneladas de tilápia por mês. Zootecnista com especialização em gado de corte, conheceu o município por meio de uma produtora e avistou o potencial de crescimento do setor aquícola. Iniciou as atividades em 2016, investindo e produzindo pouco para aprender, mas, em 2018, aumentou a produção.

A partir de 2019 , ele passou a integrar o Programa ATeG Piscicultura, coordenado pela Regional do Sistema Faemg/Senar/Inaes de Passos. Já em 2020, Carlos produziu 6.500 quilos por mês e se preparou para chegar a 20 mil quilos mensais em 2021, o que deve ocorrer a partir do mês de julho.

Com venda direcionada a frigoríficos, ele ressalta que, com a pandemia, o mercado sofreu oscilações, caiu com o fechamento de bares e restaurantes, mas se estabilizou e deve voltar a crescer. Em abril, o valor de comercialização da tilápia em todo Lago de Furnas oscila entre R$ 8,50 e R$ 9,50 por quilo.

Produtor e produção

Segundo o técnico do ATeG Bernardo Lara, Carlos conquistou, nestes 20 meses do programa, o poder de tomada de decisão. “Ele consegue avaliar o desempenho das rações e das formas juvenis (alevinos ou juvenis), ao longo do ciclo de produção, de diferentes fornecedores e também avaliar o fluxo de caixa, se preparando melhor para a programação da venda de peixes ou da compra de insumos com mais eficiência”.

Carlos ressalta que o programa proporciona a troca de muita experiência e conhecimentos técnicos elevados, proporcionando parâmetros para produzir com qualidade e segurança, além de contatos com outros setores da cadeia de produção e comercialização.

Manejo

Para oferecer um bom produto ao mercado e com a eficiência na produção, o produtor adquire os peixes juvenis de outros produtores, com peso médio de 20 e 40 gramas. Os juvenis são estocados em sua densidade final, ou seja, não são realizados outro manejos de classificação.

“O produtor que opta por utilizar esta estratégia de fase única aumenta o número de unidades de produção (tanque rede), mas diminui a mão de obra e estresse de manejos com os peixes, elevando o índice de sobrevivência pela baixa densidade no início do cultivo de engorda, tornando o meio menos desafiador para os peixes”, disse Bernardo.

Os peixes são alimentados todos os dias. São de 3 a 6 refeições diárias, dependendo da idade do peixe, sempre com ração extrusada, não utilizando alimentos alternativos.

O ciclo de cultivo com a estratégia de produção adotada por Carlos, varia entre 5 a 8 meses, dependendo de vários fatores como: temperatura da água, peso médio inicial do juvenil, densidade de estocagem, qualidade da ração utilizada. O peso médio final para despesca está entre 900 gramas e 1Kg.

Passos

Na Regional de Passos do Sistema Faemg/Senar/Inaes, 29 produtores integram o Programa de Assistência Técnica e Gerencial em Piscicultura. A iniciativa tem como missão tornar o produtor rural, familiar ou não, mais profissional e preparado para conduzir a produção de peixes nos sistemas de tanque-rede ou viveiros escavados.

Apesar do potencial do Lago de Furnas para a produção de 20 a 30 mil toneladas/ano de peixes, o setor produz atualmente entre 6 a 8 mil toneladas/ano (IBGE.PPM Pesquisa da Pecuária Municipal), potencialidade muitas vezes desconhecida até mesmo pela população das cidades lindeiras. No entorno o Lago está a criação de empregos, estímulo para o consumo de peixe (Filé, postas ou inteiro), geração de renda para as cidades e movimentação da economia local e regional.

 

Fonte: Folha da Manhã
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