Polícia Civil aponta que pegadas eram do filho de Kajany

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Poços de Caldas, MG – A Polícia Civil confirmou ontem (6), durante uma coletiva de imprensa, que o professor Kajany César Moreira dos Santos, 59 anos, encontrado morto em sua casa, na rua XV de Novembro, centro, na manhã do último sábado (2), foi mesmo assassinado por seu próprio filho, Kajany Gabriel de Paula dos Santos, de 27 anos. O jovem já havia sido apontado como principal suspeito do homicídio, devido à sua relação conturbada com o pai e tinha inclusive sido ouvido na delegacia na ocasião em que o corpo foi localizado.
O delegado Cleyson Rodrigo Brene, responsável pelo inquérito que apura o caso, disse ontem que a confirmação da autoria do homicídio se deu através de uma sobreposição de imagens da planta do pé do suspeito, com a pegada de sangue encontrada na cena do crime. De acordo com o delegado, também não ficam dúvidas de que, pelo menos no momento do assassinato, o filho da vítima agiu sozinho.

Investigação – “No sábado comparecemos no local do crime e constatamos se tratar de um homicídio bárbaro, com requintes de crueldade, uma vez que houve a tentativa de esgorjamento da vítima, além do arrancamento dos testículos no local dos fatos. Comparecemos com a equipe de homicídios e também com a perícia criminal para tentar levantar informações. Num trabalho conjunto com a Polícia Militar tivemos informação que o filho da vítima estaria na casa de parentes, e no interior de sua bolsa havia uma toalha com manchas de sangue, e que ele estaria com o dedo cortado, relatou o delegado. Na ocasião, o suspeito foi conduzido à delegacia, mas, segundo o delegado, foi apurado pelos investigadores na unidade de pronto atendimento, que um dia antes do crime o suspeito teria sido atendido ali em decorrência do corte no dedo, o que acabou afastando a possibilidade de que o ferimento tivesse alguma relação com o homicídio, ocorrido, segundo o médico legista, entre 18h e 20h de sexta-feira (1).
Restava à polícia o exame do sangue encontrado na toalha apreendida para saber se seria mesmo da vítima, mas o exame só é feito na capital mineira, o que demanda tempo para se obter uma resposta. “Por essa razão o rapaz não foi preso naquela oportunidade. Não havia uma situação probatória suficiente para um auto de prisão em flagrante”, explicou.
Brene relata que para chegar à confirmação da autoria do crime de forma mais rápida, foi feito um trabalho junto como o perito criminal Maurício Gonçalves dos Santos. “Retiramos a digital plantar do suspeito e a reproduzimos em transparências. Depois retornamos ao local dos fatos e o perito criminal fez a analise da sobreposição das imagens [com a pegada encontrada na cena do crime] identificando em razão de várias características, como, por exemplo, os pontos de pressão e distanciamento dos dedos indicando que aquela pegada seria do suspeito, filho da vítima”.

Motivação – Segundo a polícia, na data anterior ao assassinato, pai e filho tiveram uma discussão acalorada, fato que ocorria corriqueiramente entre eles, segundo foi relatado por familiares. “Conversamos com ele apenas em entrevistas informais, porque ele também apresenta um quadro de esquizofrenia e alega que pode ter sido hipnotizado, diz que lembra de estar acorrentado na noite da última sexta-feira, que se recorda de estar em um local escuro, portanto, não fizemos ainda a oitiva formal em razão dessas divergências de esclarecimentos”, relatou Brene. O professor Kajany há tempos já havia sido diagnosticado com esquizofrênico e por várias vezes foi internado. No último sábado, uma equipe do Samu foi até a casa dele para dar cumprimento a uma internação compulsória e acabou encontrando-o morto.

De acordo com a polícia, além de representar pela prisão temporária de Kajany Gabriel, também foi representado pelo exame de insanidade mental. Dessa forma ele será levado nos próximos dias para Belo Horizonte, onde passará por avaliação médica que confirmará se ele é ou não capaz pelos seus atos e se na ocasião do homicídio ele possa ter tido algum intervalo de lucidez.

Indiciamento – O processo referente ao homicídio qualificado, a que está sendo indiciado, transcorre normalmente e, ao final, em caso de condenação e se for comprovada a insanidade do autor do crime, haverá uma medida de segurança. O delegado esclareceu que Kajany Gabriel está detido no presídio de Poços e cabe à justiça definir se ele cumprirá a prisão preventiva decretada nessa unidade prisional ou se ele será transferido para algum local onde possa receber atendimento psiquiátrico.
Foi esclarecido ainda pela polícia que o professor, além do corte no pescoço e a amputação dos testículos, apresentava outras perfurações a faca pela corpo. A arma do crime ainda não foi encontrada.

 

Via jornalmantiqueira
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