Polícia prende suspeito de esquartejar a mãe e colocar corpo dentro de uma mala

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O homem de 30 anos acusado de matar e esquartejar a própria mãe, uma mulher de 53 anos, em Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte, foi capturado por policiais dentro de uma igreja após cometer o crime, na última sexta-feira (24). Conforme peritos, ele estava bastante confuso, como se não soubesse o que estava acontecendo, e chamava pelo “demônio” no local.

Em coletiva de imprensa realizada na tarde desta segunda-feira (27), médicos legistas e um perito da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) deram detalhes sobre o que encontraram na ocasião e como será o andamento das investigações.

Dia do crime

Segundo João Bosco Silvino Júnior, perito criminal, não foi difícil identificar a vítima. “Quando nós chegamos no local, percebemos que havia muitas pessoas (curiosos) e precisamos isolar a área ao máximo possível. Eu comecei os trabalhos pela mala e constatei que o tórax estava lá. Fui abrindo algumas sacolas e achei os pés e as mãos, por exemplo. Pelo tamanho dos membros e as unhas pintadas, deduzi que seria de uma mulher, e já colhi a fórmula datiloscópica e mandei para a criminalística, com o objetivo de identificar as digitais”, contou.

“Logo após, eu achei uma folha que continha uma receita, e era uma atividade para a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Nela, estava o nome Rizomar Ribeiro, e como era um nome bem atípico, também mandei para o pessoal da criminalística. Nesse meio tempo, eles já me retornaram com relação às digitais, e vimos que eram dessa mesma pessoa”, disse.

Filho pagou R$ 50 para carreto após esquartejar mãe e colocar corpo em mala

Além das partes do corpo, que estava dividido em 13 partes principais, os peritos encontraram diversas roupas e capas de colchão sujas de sangue. “Quando soubemos que a polícia havia encontrado a casa da vítima, fomos até lá. No local, constatamos manchas de sangue em um colchão com o mesmo formato da capa que estava na mala, e deduzimos que a vítima teria sido cortada em cima da cama”, concluiu.

A PCMG também fez perícia no carro usado para deixar a mala na avenida Senhor do Bonfim, na região Norte de BH, na divisa com Santa Luzia. Através do luminol, produto usado para achar manchas de sangue, foi possível fazer essa constatação: havia vestígios na carroceria do veículo.

Medicina

De acordo com o médico legista Alexander Santos Dionísio, foram feitos vários exames no corpo de Rizomar, com o objetivo de averiguar qual foi a causa de sua morte e as circunstâncias. “O corpo estava dividido em 13 segmentos, sendo o tronco mais 12 principais e algumas vísceras. Nós fizemos o exame radiológico completo, raios-X e colhemos várias amostras de tecidos e secreções”, afirmou.

O médico também confirmou que nesse domingo (26) chegou ao Instituto de Criminalística a cabeça da vítima. Ela foi encontrada em um terreno no bairro Asteca, o mesmo onde ela morava.

O filho

Segundo o médico legisla e psiquiatra forense do Instituto Médico Legal (IML) Daniel Moreira de Carvalho, é necessário fazer uma série de exames e avaliações no homem suspeito de cometer tal crime, e que é filho da vítima. Ainda não é possível afirmar se ele tem algum tipo de problema mental, mas ele disse que o suspeito já passou por tratamento psiquiátrico.

“Nós precisamos fazer avaliação para ver se ele tem dependência toxicológica, algo que moradores da região disseram que ele tem, se tem demência mental ou insanidade – no geral, fica tudo como insanidade mental. Mas antes disso, é preciso que a PCMG tenha feito todas as diligências necessárias, colhido todas as informações durante o inquérito para aí sim fazer essas avaliações”, disse.

Conforme Daniel, algo que chamou a atenção dos policiais foi o comportamento do homem após o crime. “Chamou a nossa atenção que esse indivíduo tinha cometido o crime e depois ele foi para uma igreja. No local, ele estava muito confuso e chamava pelo nome do ‘demônio’. Ele nem conseguiu dar depoimento, e isso é um fator de que ele deve ter algum transtorno mental”, explicou.

“Nós temos que entender toda a dinâmica do crime, toda uma retrospectiva, porque cada crime é um crime. Ele pode ter feito a mesma coisa há anos atrás, mas a ocasião sempre será diferente. Há o fato dele já ser reconhecido pelo uso de drogas e ter feito tratamento psiquiátrico, mas precisamos entender o que ele estava fazendo para avaliarmos a criminodinâmica”, disse.

O médico psiquiatra contou que esse processo de avaliação e conclusão do inquérito pode demorar até meses ou anos. “Nós temos que saber tudo, colher o maior número de informações possível. Embora haja muitos indícios de que ele tenha alguma doença ou transtorno, a conclusão se ele realmente estava sabendo o que estava fazendo só vai vir depois de uma avaliação pericial”, completou.

O caso

O corpo de Rizomar Ribeiro da Silva Ferreira foi encontrado na tarde da última sexta-feira (24) esquartejado, sem cabeça, dentro de uma mala preta em um terreno baldio na avenida Senhor do Bonfim, na região Norte de Belo Horizonte.

Uma atividade escolar do suspeito foi encontrada junto aos objetos deixados com o corpo, o que ajudou a polícia a achá-lo. Moradores da região relataram aos policiais que, por volta de 15h30, uma Saveiro branca ou prata havia parado na rua e deixado a mala e os demais objetos encontrados – há indícios de que o dono do veículo não participou do crime, mas apenas cobrou R$ 50 para fazer o carreto deixar mala lá.

O suspeito já tinha dois registros policiais por uso de documento falso e estupro de vulnerável. Pelo estupro, ele chegou a ficar preso por cerca de dois meses e meio em 2012. Neste momento, ele está no sistema prisional.

 

Fonte: O Tempo / Foto: Aline Peres

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