Produtores querem reajuste no preço do frango

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O quilo do frango vivo segue com preços estáveis há mais de um mês, conforme aponta o balanço do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Apesar da falta de reajustes, os produtores da região têm contado com alta demanda, especialmente no mercado interno, uma vez que o valor das aves é inferior ao da carne vermelha.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Passos (SinRural), Elder Maia dos Reis, mesmo com o grande índice de consumo, é necessário que existam novas avaliações financeiras para que se chegue ao valor ideal do produto. Além disso, a alta dos grãos reflete diretamente no lucro dos avicultores, já que o farelo de milho é o principal alimento do frango.

“Os preços precisam melhorar porque já estão muito defasados, especialmente diante do valor para os insumos de produção, assim como é o caso da ração. Com a chegada da covid-19, foi possível perceber que o consumo realmente aumentou e, mesmo em meio a esse processo, o agronegócio brasileiro tem se destacado no mundo todo, o que também tem gerado grandes interesses ao nosso país. Para aproveitar esse momento de forma ainda melhor, precisamos de bons orçamentos”, afirmou o presidente.

Em São José da Barra, Carlos Silveira de Jesus, que atua no mercado há quase 30 anos, diz que a procura tem superado suas expectativas, mas que também espera por reajustes na cotação.

“Fiquei muito preocupado quando a pandemia chegou, porque imaginei que o comércio ficaria totalmente paralisado. No entanto, fui pego de surpresa e fechei muitos negócios. Infelizmente, o preço do frango não acompanhou o dos grãos, mas acredito que ainda veremos muitas mudanças até o fim do ano”, disse.

Com a atualização desta quinta-feira, 27, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), que faz parte do Cepea, informou que a cotação para o quilo da ave viva em Minas Gerais ficou em R$ 3,64, enquanto o produto congelado foi cotado em R$ 4,91. Os registros mostram que o índice de exportação no mês de agosto é 10% maior quando comparado ao mesmo período do ano passado.

Produção de ovos é superior à demanda
A procura por ovos também aumentou desde a chegada da pandemia, ainda assim, a demanda não consegue acompanhar o alto índice de produção. Com o grande volume disponível, os preços têm oscilado significativamente, diminuindo a liquidez das vendas. As cotações divulgadas pelas Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (CeasaMinas) mostram que, neste fim de semana, a caixa de 30 dúzias da qualidade branca está em R$ 94,29, enquanto a vermelha fica em R$ 120,17.

Há mais de 40 anos neste ramo, João Batista Lemos ressalta que, durante esta época do ano, é comum que a produção de ovos seja maior.

“Até o próximo mês, muitos produtores devem aumentar o descarte das poedeiras que já estão velhas e isso ajuda na valorização. É claro que esperamos que a procura seja ainda mais alta no fim do ano, mas os preços precisam de reajustes para que seja possível controlar os rendimentos e investir em insumos para as próximas safras”, explicou.

Já na fazenda do agricultor José de Castro Filho, os ovos são caipiras e produzidos em menor escala.

“Consigo fornecer a mercadoria em muitas variedades, brancas, verdes e vermelhas. Todos têm a gema bem amarelinha e são de galinhas criadas exclusivamente à base de milho. Costumo vender uma dúzia por R$7 e sei que o valor é inferior ao dos mercados, mas estou satisfeito porque as pessoas vêm até aqui para buscar. No caso dos ovos das granjas, realmente os preços precisam melhorar para não prejudicar o comércio”, contou.

 

Fonte: Folha da Manhã
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