Projeto que muda vida de pessoas com deficiência vai fazer 20 anos

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De tudo que o conhecimento pode trazer para uma comunidade, o mais importante é a possibilidade de mudança. De nada adianta saber o que precisa ser mudado, se nada for feito.

Era nisso que Renata Távora acreditava quando começou os trabalhos com uma comunidade menos favorecida de Fortaleza.

Em 2001 ela criou o Elos da Vida, uma ONG que vem contribuindo na inclusão social de crianças, jovens e adultos com deficiência e em situação de vulnerabilidade, com projetos de educação, arte e cultura.

Desde o ano de 2002 é responsável pela criação e manutenção da Cia. de Dança sobre Rodas, constituída por bailarinos com e sem deficiência física, que já recebeu diversos prêmios.

A Elos da Vida desenvolve também, ações de qualificação profissional e social de jovens com deficiência, em parcerias com outras organizações.

A história

Em 1997, Renata fazia parte de um grupo de pesquisa na Universidade Federal do Ceará (UFCE), que buscava saber os motivos pelos quais as crianças estavam indo para as ruas, de onde elas vinham, quais eram os contextos das suas histórias e como esse processo todo acontecia.

No ano seguinte, a pesquisa foi concluída e os resultados alarmantes foram usados apenas como manchetes, mas nada de fato foi feito pela gestão pública para mudar esse cenário.

Ali foi o começo de um trabalho que ao longo do tempo impactaria mais de 10 mil pessoas e famílias.

Junto com um grupo de alunos e colegas, ela decidiu que precisava preencher essas lacunas ignoradas pelo governo, já que era ela quem tinha convencido aquelas famílias e crianças a se abrirem e exporem suas vidas e rotinas para a pesquisa.

Durante 3 anos, o trabalho voluntário era feito de forma constante, mas informal, com ajudas pontuais e emergenciais aos que mais precisavam.

A evolução do tempo e o aumento de conhecimento sobre as necessidades e potencialidades daquele povo, fizeram com que Renata entendesse que era hora de oficializar e estruturar o processo de ajuda daquelas pessoas.

Assim nasceu, em 2001, a Elos da Vida, na Comunidade do Sossego, para atuar diretamente com a população da região.

Hoje, a associação ajuda especialmente pessoas com deficiências, em situação de vulnerabilidade.

Como

Elas são preparadas para o mercado de trabalho, que tem vagas a serem preenchidas através de cotas e não encontram mão de obra qualificada para preenchê-las.

Também apresenta a eles o mundo das artes com música, teatro e dança, dá apoio familiar, fomenta debates sobre o assunto, dá suporte para as empresas que querem se tornar mais acessíveis e inclusivas e desenvolve atividades que contam com auxílio da comunidade em forma de ações voluntárias.

A instituição ainda abraça as famílias e dá cursos profissionalizantes para ajudar na complementação da renda familiar, com trabalhos que podem ser feitos dentro de casa.

“Das muitas coisas bonitas que a Renata nos falou, o que nos tocou profundamente foi saber que o resultado final que vemos nos palcos, ou nos trabalhos desempenhados por cada uma daquelas pessoas, vem de um esforço e de uma dedicação de meses de trabalho físico e mental. É profundamente impactante. O mover de um dedo é para muitos ali a realização do impossível e isso é lindo de se presenciar!”, dizem Iara e Eduardo, os Caçadores de Bons Exemplos.

Com quase 20 anos de trabalho, muita coisa mudou, evoluiu e várias vidas foram realmente transformadas, mas a essência que move o projeto e o modo como as coisas são colocadas em prática, ainda são os mesmos.

O dinheiro ainda não sobra, os figurinos são costurados pelas famílias, as comidas, os móveis, os computadores…. tudo é de um jeito ou de outro, fruto de doação.

A magia da inclusão acontece naturalmente e sem esforço num espaço que não cabe julgamento, não existe igualdade plena e nem limites entre o que se pode sonhar, ou realizar.

“Nada é mais impactante e recompensador do que escutar de alguém ‘aqui eu sou feliz. Tenho momentos de alegria e prazer. Sinto a alegria de viver’. Quando escuto isso é como se, de fato, não existisse dificuldade! Minha vida mudou”, diz Renata Távora.

“Eu já trabalhava com serviço social, mas aqui são 24 horas por dia de dedicação. Tudo isso me mostrou que a sociedade precisa criar uma cultura de paz, de fraternidade, uma cultura em que as pessoas se ajudem. Basta um pouco de boa vontade, de interesse. Não é nem o recurso financeiro, porque a vontade de ajudar vai além do dinheiro”, concluiu.

 

Fonte: Só Notícia Boa
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