Secretário de Saúde diz que não justifica ter respiradores em cidades pequenas

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Em coletiva na tarde desta quarta-feira, 27, o secretário de Saúde de Minas Gerais, Carlos Eduardo Amaral, afirmou que as pandemias podem apresentar casos não contabilizados por diversos motivos, mas garantiu que o Estado monitora a evolução dos casos de coronavírus para ter a noção da capacidade hospitalar. Ele afirmou ainda que cidades pequenas não necessitam de respiradores e que esta é uma regra seguida pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com o último boletim epidemiológico, o Estado tem 8011 casos confirmados de Covid-19, 3906 em acompanhamento, 3865 pessoas curadas da doença e 240 óbitos.

O secretário disse que o governo de Minas Gerais se baseia em cinco itens para acompanhar o desenvolvimento da pandemia no Estado: análise de casos de gripe; exames em pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG); percentual de testes positivos para Covid-19; ocupação hospitalar; e números de óbitos relacionados à doença.

Questionado sobre a falta de leitos de UTI no interior de Minas, o secretário respondeu que grande parte das cidades têm população abaixo de 10 mil habitantes e que há falta de profissionais capacitados para o uso dos respiradores nesses locais. “De uma forma geral, o SUS sempre foi montado assim. Aquelas cidades que têm poucos profissionais de saúde não têm como ter unidades de terapia intensiva, não tem como ter ventilador. Não tem como colocar um ventilador mecânico em um local que não tenha uma equipe acostumada”, disse Carlos Eduardo.

O secretário, porém, não detalhou quais cidades possuem os equipamentos. “O que podemos colocar são respiradores de estabilização, havendo a disponibilidade, para que as pessoas que demandem terapia intensiva sejam encaminhadas para cidades maiores”, explica.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) foi procurada para falar sobre a quantidade de leitos de UTI no interior de Minas Gerais, mas, até a publicação da matéria, não havia retornado.

Pico

O pico da doença em Minas Gerais segue sendo previsto para o dia 10 de junho, mas o secretário adjunto de Saúde, Marcelo Cabral, ressalta que esta é apenas uma estimativa e não é possível garantir o número exato de casos nessa data. “Quem se aventurar em fixar dados em relação a óbitos e infecções, não seria de bom tom. Esperamos que com o trabalho que estamos fazendo, um trabalho técnico, pensado, que o número de óbitos que, infelizmente, ocorrerão seja o menor possível”, diz.

Interiorização da pandemia

Sobre o crescimento de casos de Covid-19 nas cidades do interior de Minas, o secretário adjunto disse que isso se deve ao fato das viagens de pessoas às casas de seus familiares. “São movimentos sazonais que fazem que a pandemia se direcione para cidades do interior”, explica.

Posicionamento da SES

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou que a estrutura da rede de saúde obedece a uma lógica regionalizada, com municípios exercendo diferentes funções em termos de complexidade dos serviços de saúde.

Leia a íntegra do posicionamento da SES:

“A ampliação da capacidade de atendimento, que atualmente conta com 12.132 leitos clínicos e 2.679 leitos de UTI, conforme a base de dados cadastrada no SUS Fácil, depende da existência da formação de equipes com profissionais experientes, estrutura adequada com equipamentos e materiais imprescindíveis para assistência, recuperação e manutenção da vida dos pacientes, o que faz com que os municípios maiores acabem concentrando a disponibilidade de terapia intensiva.

Conforme o secretário explicou na coletiva, uma parte muito grande dos 853 municípios de Minas Gerais tem até 5 mil habitantes, se considerarmos aqueles que contam com 10 mil pessoas, temos uma parcela ainda maior. Não é uma questão que se resolve apenas com o ventilador [para a respiração artificial], é necessário o profissional para manuseio desses equipamentos. O SUS, de forma geral, sempre teve essa característica. Não há como colocar ventilador onde não tem equipe. Precisa de ter pessoal para assistência em 24h, 07 dias por semana.

Atualmente, Minas Gerais conta com 4.654 ventiladores registrados no SUS. Desse total, 2100 aparelhos encontram-se nas UTIS da rede SUS e as demais unidades de ventiladores pulmonares estão alocadas em ambulâncias, clínicas, policlínicas e Unidades de Pronto Atendimento (UPA). Em relação a dados por município, pedimos que você entre em contato com a cidade de seu interesse, pois neste momento a SES está divulgando as informações de maneira agregada.”

 

Fonte: O Tempo
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